REZAR O CANSAÇO
Oliveira
Partilho o texto da meditação de ontem para a oração do terço do C. Tolentino, enviado pelo Ir. Manuel Silva.
(A. Oliveira)
Por vezes, Senhor, caímos na tentação de pensar que o cansaço é razão suficiente para nos afastarmos de Ti. E em vez de Te oferecermos o nosso cansaço, ficamos sempre mais amarrados a ele, sentindo-nos com isso incapazes de procurar o Teu olhar.
Por vezes, Senhor, da viagem e do esforço de cada dia parece que só nos restam ao final uma montanha de fadiga e as nossas mãos vazias. E em vez de as colocarmos assim como são, descarnadas, inúteis e vazias diante de Ti, ainda as escondemos como se nem mãos tivéssemos.
Por vezes, Senhor, das mil palavras que dissemos numa jornada achamos que todas se gastaram. A verdade é que nos envergonhamos das nossas palavras pobres, desta linguagem cujos equívocos e manias conhecemos, do nosso precário dizer que não
se sustém. E então fugimos de Ti, em vez de rezar a nossa mudez, estes olhos suplicantes que tanto recordam os de um cão, esta conversa entrecortada e incerta que Tu nunca enjeitarias.
Por vezes, Senhor, ficamos à espera do melhor momento para Te abrir o coração e não vemos que nenhum momento é melhor que este que estamos a viver.
C. José Tolentino de Mendonça
9.03.2021
