O Reino de Deus: um banquete que salva
Oliveira
HOMILIA DO 28.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Irmãs e irmãos, a festa de casamento costuma incluir um alegre banquete, com pessoas em convívio, em amizade, com música… A Liturgia utiliza esta imagem para indicar o banquete de Deus para todos os povos no seu Reino.
O Reino de Deus é como um banquete de festa
Primeira leitura
Isaías anuncia o banquete que Deus quer oferecer a todos os seus filhos. Diz assim o profeta: “O Senhor vai preparar um banquete e enxugará as lágrimas de todas as faces”.
Nós somos convidados. «Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância» (Dehonianos). Continua assim o profeta: “Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação”. E com a esta imagem do banquete anuncia também o tempo messiânico, a vinda do Messias, Cristo Salvador, a Igreja, o Reino do Céu.
Ouvindo as palavras de Isaías o povo terá compreendido: como é bom o nosso Deus! Ele está connosco! Ele prepara-nos um banquete que nos salva.
Algum dia o Senhor nos dará este banquete, e enxugará as lágrimas de todas as faces? Se as pessoas aceitarem a aliança com o nosso Deus, esse reino poderá ser já no mundo, e um dia em plenitude no céu, onde “veremos Deus face a face” (1Cor 13,12).
O Reino de Deus é Jesus que nos conforta
Segunda leitura
Paulo, na carta aos filipenses, transmite-nos a sua alegre experiência do encontro com Jesus. Ele estava na cadeia quando escreveu esta carta, mas a sua experiência levou-o a sentir que Jesus era tudo na sua vida. Paulo agradece aos destinatários de Filipos as ajudas recebidas graças ao bom coração deles. E Paulo era tão feliz com Cristo que escreveu: “Tudo posso n’Aquele que me conforta”.
O Reino de Deus no banquete da Eucaristia
Evangelho
Jesus apresenta-nos uma alegoria para nos dizer algo muito importante. Fala-nos do banquete que é o seu reino, e começa com esta parábola: um rei fez um grande banquete, com requinte de felicidade. E fez convites para esse banquete.
Mas um ponto particular da parábola está no facto de aceitar ou não o convite. E recusar o convite é recusar a salvação. É afastar a mão que nos quer salvar.
Podemos ver nesta imagem o sacramento da Eucaristia. Recordo um hino da Liturgia: “Ó sagrado banquete em que se recebe Cristo; em que a nossa alma se enche de graça, e nos é dado o penhor da vida eterna”.[1] Nós sabemos que a Eucaristia é o encontro com Jesus ressuscitado, com a sua presença salvadora. Diz-nos o Papa Francisco: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar ou situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro com Jesus Cristo”. (A Alegria do Evangelho” n.1). O encontro com Jesus no banquete da Eucaristia! E podemos perguntar: estamos preparados com as vestes próprias do banquete?
Um testemunho sobre a Eucaristia: O jovem Carlos Acutis foi modelo de santidade alegre. Dizia ele: “A Eucaristia é a minha autoestrada para o céu.” Morreu com 15 anos em 2006. (beatificado em 10 de Oututbro 2020).
Jesus deve ser a pessoa mais procurada por nós. “Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça…e tudo o demais vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33). Deus envia o seu Filho ao mundo para as núpcias com a humanidade. Aceitamos o convite de Jesus para o seu banquete?
Pe. Antonio Gonçalves, SDB
[1] Hino composto por São Tomás de Aquino, um hino que veio a ser incluído na Liturgia.
