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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

27
Abr21

O FUNDAMENTO DE TODAS AS LIBERDADES


Oliveira

No momento em que escrevo, acaba de ser publicado o relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre que, de dois em dois anos, dá um retrato do estado da liberdade religiosa nas várias partes do mundo.

Das conclusões desse relatório resulta que a liberdade religiosa é violada em cerca de um terço dos países do mundo, países onde vive cerca de dois terços da população mundial.

Destaca esse relatório, como características das mais recentes evoluções do estado da liberdade religiosa no mundo, as seguintes.

A redes transnacionais jihadistas que atacam sistematicamente todas as pessoas e religiões que não seguem a sua ideologia extremista intensificaram os seus violentos ataques em várias zonas do mundo, em especial em África (designadamente, no Mali, na Nigéria e em Moçambique) e aspiram a criar “califados” transnacionais.

Nalguns países (como no Paquistão), a pandemia serviu de pretexto para discriminar minorias religiosas, a quem foi recusado o acesso a ajuda alimentar e médica.

Governos autoritários inspirados em ideologias de nacionalismo étnico-religioso (em países asiáticos de maioria hindu ou budista) têm perseguido minorias religiosas.

A violência sexual tem sido usada como arma contra minorias religiosas através de raptos e casamentos forçados e conversões forçadas de mulheres e meninas.

Na China, tecnologia de vigilância repressiva associada ao sistema de “crédito social” tem visado grupos religiosos.

Particularmente atingidos por medidas repressivas que se aproximam de um verdadeiro genocídio, têm sido os uigures (maioritariamente muçulmanos) na China e os rohingyas (também maioritariamente muçulmanos) em Myanmar.

Quanto à Europa e outros países ocidentais, destaca o relatório aquilo a que chama “perseguição educada”, com a imposição de novos alegados “direitos” e normas culturais que não respeitam a liberdade de consciência e religião.

Por outro lado, nestes países vem-se notando um crescente menosprezo de ensino da religião, com a nefasta consequência do menor conhecimento das várias religiões, conhecimento que favoreceria o diálogo inter-religioso e evitaria a radicalização.

Salienta ainda o relatório que, de entre as medidas de combate à pandemia, foram impostas restrições à liberdade de culto desproporcionadas e mais restritivas do que as que atingiram outras atividades.

Como aspeto positivo a enaltecer, o relatório sublinha os progressos no caminho do diálogo inter-religioso, de que são sinais, entre outros, a Declaração de Abu Dhabi sobre a fraternidade humana e a paz mundial (assinada pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã Al-Tayeb, autoridade do Islão sunita), assim como a visita do Papa Francisco ao Iraque.

De toda esta panorâmica, retiro a conclusão de que os governos, as sociedades e a opinião pública não podem ficar indiferentes às violações da liberdade religiosa. Na política externa, os governos não podem continuar a esquecer a promoção dos direitos humanos (consignados em normas de direito internacional), dando prioridade a interesses comerciais nos seus relacionamentos com governos que os desrespeitam gravemente (como sucede com a China). E no elenco dos direitos humanos a liberdade religiosa ocupa um lugar primordial. Afirmou o cardeal Mauro Piacenza, a propósito da apresentação deste relatório, que a liberdade religiosa é «o núcleo fundamental de todas as liberdades», porque «toca a consciência, fonte da dignidade da pessoa humana».

Pedro Vaz Patto

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