“Nós, Deus, o mundo”
Oliveira
HOMILIA DO 29.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Irmãs e irmãos, levantamo-nos cedo para o trabalho ou para a escola. Convivemos com pessoas. E com Deus que nos ama. Vamos reflectir sobre nós e Deus e o mundo.
- O cristão reconhece a presença amorosa de Deus
Primeira leitura
Deus mostra-nos como Ele está connosco e é o Senhor da Historia; não abandona o seu povo; pensa em cada um de nós. Por vezes deixa-nos esperar. Mas nunca se esquece de nós, com o seu amor.
Podemos ver que é assim; olhando para primeira leitura, vemos a situação do povo de Deus no cativeiro da Babilónia. Sofria; não podia cantar os salmos; tinha saudades do templo de Jerusalém. Queria a sua liberdade. O povo podia dizer: o Senhor abandonou-nos.
Mas eis que Deus escolhe Ciro, rei da Pérsia, para o libertar. Ciro era um pagão. E foi Deus quem o chamou, para o seu desígnio de salvação, como nos diz Isaías: “Eu te chamei pelo teu nome… Eu sou o Senhor e não há outro”. Ciro deu liberdade ao povo para regressar à sua terra, a Palestina, Jerusalém.
O Senhor não abandonou o seu povo. É bom pensarmos nisto, quando sofremos ou duvidamos. “O Senhor é meu pastor” (Salmo 23), rezava uma senhora que sofria doença grave[1]. Também Job, no sofrimento, veio a reconhecer que Deus o amava e o recompensou com muitos filhos e muitos bens. Procuremos Deus em primeiro lugar.
- O cristão coloca Deus em primeiro lugar
Segunda leitura
São Paulo reconheceu o amor de Deus para com os cristãos de Tessalónica, norte da Grécia, e alegrou-se com esses cristãos, dizendo: “Recordamos a vossa fé…, a vossa esperança… a vossa caridade”. O Apóstolo reconhece o progresso dessa comunidade, que dá sinais de viver com Fé em Deus, de viver a sua Fé.
Nós, hoje, com preocupações do mundo moderno, emprego, filhos, saúde, sofrimentos, sentimos que é difícil colocar Deus em Primeiro lugar. Mas este chamamento vem-nos de Jesus: “Procurai primeiro o reino de Deus, e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6, 33).
Muitas vezes ouvimos pessoas que sofrem e no entanto sentem e dizem: “Deus está comigo”.
Ao colocarmos Deus em primeiro lugar ganhamos coragem para amarmos os irmãos. Recordamos a recente Carta Encíclica do Papa Francisco: “Fratelli tutti”: “Todos Irmãos”. Cito um pensamento dessa Carta Encíclica: “Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade. Entre todos”[2].
- O cristão respeita as autoridades
O Evangelho coloca-nos perante esta realidade: o poder temporal e o poder espiritual. Os fariseus perguntaram a Jesus se deviam pagar ou não o tributo a César, o imperador Romano, que dominava a Palestina. Jesus respondeu: “Dai a césar o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Jesus mantém-se numa atitude de respeito para com a autoridade.
Nós vemos que todo o cidadão deve contribuir para o bem comum. Nós recebemos da sociedade: segurança, ordem pública, cuidados de saúde, o ensino, empregos, estradas e pontes para a circulação. Somos membros da comunidade. É a humanidade a pedir-nos essa colaboração, para defesa do ambiente, evitar a poluição, defendermos a floresta… A nossa casa comum, diz-nos o Papa Francisco. Que o Senhor nos ajude nesta harmonia de paz e amor: nós, Deus e o mundo.
Pe. Antonio Gonçalves, SDB
[1] Maria José Nogueira Pinto, + 2011, com 59 anos.
[2] “Fratelli Tutti”, n. 8
