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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

31
Jul21

BENTO XVI CRITICA OS REPRESENTANTES DA IGREJA ALEMÃ


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Além de Funcionários, Pessoas de Fé

Por António Justo

As palavras do Papa emérito, proferidas numa entrevista ("Últimas Conversas"), com o jornalista Tobias Winstel, publicada no " Herder Korrespondenz”, causaram um certo desconforto e irritação nos meios alemães e polémica na igreja católica. 

Bento XVI assumiu um tom surpreendentemente crítico em relação à "igreja oficial" da Alemanha e advertiu para o perigo de uma igreja e doutrina sem fé. "A doutrina deve desenvolver-se na e da fé, não ficar ao lado dela".

Bento XVI responsabiliza os representantes da Igreja na Alemanha pelo “êxodo do mundo da fé” (abandono da igreja) e lamenta que nos textos oficiais da Igreja só fale o cargo - não o coração e o espírito:  "Enquanto apenas a repartição, mas não o coração e o espírito, falar em textos oficiais da igreja, o êxodo do mundo da fé continuará". Ele espera "um verdadeiro testemunho pessoal de fé por parte dos porta-vozes da igreja". Também constata: "Nas instituições eclesiásticas - hospitais, escolas, Caritas - muitas pessoas estão envolvidas em posições decisivas, mas não partilham a missão interior da igreja e assim muitas vezes obscurecem o testemunho desta instituição (1).”

Ao fazer isso, ele critica, indiretamente, também o conflito entre as forças orientadas para a reforma (liberais) e as forças conservadoras. As divergências manifestam-se e são cada vez mais latentes no episcopado e em diferentes grupos de leigos.

Conservadores e Reformadores encontram-se organizados sobretudo nas organizações "Nós somos Igreja" e no “Fórum dos Católicos Alemães”.

"Nós somos Igreja" é uma organização liberal de católicos reformadores, resultante de uma petição (de 2,3 milhões de católicos na Áustria e na Alemanha) para reformas na Igreja e que se formou em 1995; os conservadores, cinco anos depois, organizaram-se no “Fórum dos Católicos Alemães” (2). Além destas sobressai na opinião pública o grupo reformista de mulheres “Maria 2” e o grupo “O Caminho”.

Já numa entrevista anterior Bento XVI tinha também questionado o sistema do imposto para a Igreja (3).

Neste contexto, também se distancia da escolha das palavras do seu famoso “discurso de Friburgo”, no qual tinha apelado à “retirada da Igreja católica do mundo” (4).

Há um receio fundado de os conservadores na Igreja se servirem disto para resistirem à renovação iniciada pelo Papa Francisco.

Enfim, uma questão contenciosa, dado Bento XVI se pronunciar sobre política da igreja. De facto, na Alemanha grupos de católicos conservadores e liberais e bispos conservadores (em torno do Cardeal Woilki) e bispos reformistas (em torno do Cardeal Marx) não são moderados nas suas posições, o que pode não ser benéfico para a Igreja Católica global, devido à influência que a igreja alemã tem.

O Papa emérito, que tinha prometido viver "escondido do mundo", talvez, como alemão e devido à excitação na igreja alemã, se sentisse agora necessitado a proporcionar, aos representantes da igreja alemã e aos organizadores das alas católicas, mais reflexão e a serem "verdadeiro testemunho pessoal de fé".

No meio de tudo isto, o apóstolo Paulo continua a advertir: «Se um membro sofre, todos sofrem com ele; e se um membro é homenageado, todos se alegram com ele. Vós sois o corpo de Cristo e cada um no seu lugar faz parte dele» (1Cor 12,26-27).

António CD Justo

Notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6690

  • (1) Pelo que me foi dado observar em instituições da Igreja na Alemanha, admirou-me o facto de a própria Igreja ser tão livre que empregava pessoal  (Caritas) que promovia, a partir dela, organizações políticas contra ela mesma.
  • (2)  Resumindo, Reformadores e conservadores : um e outro movimento são independentes e movem-se, a nível de organização, à margem da Igreja estabelecida na Alemanha. Não pertencem ao Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK), que é o órgão representativo dos católicos reconhecidos pelos bispos (https://www.katholisch.de/artikel/27003-konservative-reformer-ein-blick-auf-die-fluegel-der-deutschen-kirche).

O “Fórum dos Católicos Alemães” quer reformas, mas sente-se como porta-voz de católicos conscientes da tradição. No seu Congresso “Alegria de Fé” de 2019, foi aprovada uma resolução que criticava um “cudgel de ‘politicamente correcto'” em negociações públicas, a “rádio estatal financiada coercivamente” e alegadas sanções para os críticos do governo. O Fórum tem o seu próprio portal kath.net na Áustria, por exemplo, ou o semanário “Die Tagespost” em Würzburg .

O agrupamento „Somos Igreja” sente-se como a ponta de lança daqueles que exigem o pleno acesso das mulheres a todos os cargos, a abolição do celibato obrigatório para os padres, uma moral sexual mais liberal e mais digna dos fiéis. São críticos relativamente aos papas Bento XVI e João Paulo II e vêm agora no Papa Francisco um farol de esperança. No primeiro Congresso da Igreja Ecuménica em Berlim, em 2003, organizaram uma missa católica numa igreja protestante onde os não-católicos foram explicitamente convidados a comungar, o que é oficialmente proibido. Os sacerdotes envolvidos foram posteriormente suspensos.

Com a eleição de Bätzing, para presidente da Conferência episcopal alemã, os bispos confiam na continuidade do curso do Cardeal Marx, bastante liberal que apoia o “caminho sinodal” com o qual a Igreja Católica na Alemanha quer aceitar o seu escândalo de abusos. Os bispos conservadores em torno do Cardeal Rainer Maria Woelki de Colónia criticam duramente este fórum. Baetzing também se pronunciou a favor da reconsideração do celibato obrigatório para sacerdotes.

  • (3)  “Tenho de facto grandes dúvidas se o sistema fiscal da Igreja está correcto como está” (https://www.deutschlandfunkkultur.de/benedikt-xvi-kritisiert-deutsche-kirche-erstaunlich-dass.2165.de.html?dram:article_id=365396).
  • (4)  A palavra “desmundanização” (libertação da Igreja das formas mundanas) indica a parte negativa do processo que me preocupa”, refere o papa e acrescenta que “a parte positiva não é suficientemente expressa por ela”. Trata-se mais de sair das limitações de uma época “em direção à liberdade de fé“. „Não sei se a palavra ” desmundanização”, que vem do vocabulário formado por Heidelberger, foi sabiamente escolhida por mim como palavra de ordem final em Friburgo”, refere ele.

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