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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

16
Jan24

NEM SEMPRE O MUNDO DÁ IMPORTÂNCIA AO QUE É MUITO IMPORTANTE…


Oliveira

Quantas vezes a Sociedade Humana se arrependeu das distracções, displicências ou esquecimentos de gravidade?

O seguinte artigo do Dr. Pedro Vaz Patto faz lembrar o aforismo a evitar enquanto há tempo: «tarde piaste»…

Não pode alhear-se dos crimes a ONU nem ficar insensível o mundo civilizado do século XXI.

Na era dos media e da IA, o conhecimento é essencial para perceber, partilhar indignação e promover acções vigorosas e eficazes pela justiça, a liberdade e a Paz.

A G Pires

ARMÉNIA DE NOVO ESQUECIDA

        Talvez distraídos com outros dramas que se vivem noutras partes do mundo (primeiro na Ucrânia, depois também na Terra Santa), a opinião pública internacional e a maior parte dos responsáveis políticos, não têm prestado a devida atenção ao que se passa no enclave de Nagorno-Karabach (ou Artsakh, como é designado pelos arménios), um enclave de população arménia rodeado pelo território do Azerbaijão. Depois de sufocadas as suas pretensões de independência em relação ao governo deste país, o medo das perseguições levou a que, em menos de um mês, cerca de cem mil pessoas (numa população de cento e vinte mil) abandonasse esse território e se refugiasse na Arménia: uma verdadeira limpeza étnica, que faz recordar outras que a comunidade internacional veio a lamentar mais tarde depois de nada ter feito para as evitar. Este êxodo não surge do nada. Segue-se a um bloqueio (que durava há dez meses) do chamado “corredor de Lachin”, o trajeto que liga esse enclave à Arménia. Esse bloqueio isolou esse pequeno território e privou a sua população de alimentação, medicamentos e energia.

       Parece incrível a indiferença generalizada diante desta tragédia. A indiferença dos responsáveis políticos ocidentais também será devida às vantagens de um bom relacionamento com o Azerbaijão, de quem dependem fornecimentos de gaz depois do boicote ao gaz proveniente da Rússia. A tradicional solidariedade da Rússia para com a Arménia tem-se esvanecido com os governos de Putin, agora focado sobretudo na guerra da Ucrânia.

          Este drama e esta indiferença não podem deixar de ser relacionados com outro drama e outra indiferença também vividos pelo povo arménio há pouco mais de cem anos: o genocídio de 1915 (cerca de um milhão e meio de mortos, mais de dois terços da população da chamada Arménia Ocidental), o primeiro de vários genocídios ocorridos no século XX, como tal reconhecido hoje por vários Estados (e também pelo Vaticano), reconhecimento a que continua a opor-se o governo turco, herdeiro dos responsáveis por tal crime. Também nessa altura a comunidade internacional não reagiu, vindo depois (até hoje) a lamentar profundamente não o ter feito.

          Estas duas tragédias que atingem o povo arménio não são factos isolados. Tal como o genocídio de 1915 culmina contínuas e variadas perseguições, assim sucede com o actual êxodo da população de Artsakh. Essas histórias de perseguições são narradas no livro do jornalista francês Frédéric Pons, L ́Arrménie va-t-elle disparraìtre? – Un conflit oublié aux portes de l ́Europe (Artége, Paris, 2023), um livro escrito pouco antes desse êxodo, mas que tornava este bem previsível à luz do que nele se narra sobre a situação desse enclave.

        Temer a desaparição da Arménia, para o que aponta o título desse livro, por muito graves que tenham sido as perseguições sofridas pelo povo arménio ao longo da história, poderá parecer exagerado. Foi o que pensei antes de ler este livro. Mas fiquei com a impressão de que esse temor não será completamente infundado depois de ler nesse livro declarações públicas do actual presidente do Azerbaijão que, para além de denotarem intenso ódio para com o povo arménio, não escondem a vontade de conquista de, pelo menos, parte do território da Arménia e o uso da manipulação da história para o justificar (a manipulação da história como arma de guerra, a que assistimos também noutros contextos). Por detrás dessas declarações, juntamente com outras de governantes turcos, está o chamado panturquismo, a vontade de estender o domínio dos povos de cultura turca em todo o território que vai de Istambul até à região chinesa de Xinjang. Essas declarações, vindas de um dirigente de um país membro do Conselho da Europa (como era a Rússia antes da invasão da Ucrânia) e a indiferença com que têm sido recebidas, também não deixa de surpreender e chocar.

        Salienta esse livro também um aspecto da maior relevância. A Arménia, a sua história e a sua cultura são um bastião do cristianismo no meio de povos de cultura muçulmana. A tradição faz remontar a sua evangelização aos apóstolos Bartolomeu e Matias. As conversões ao cristianismo deram-se sobretudo a partir do século III até que no ano 301 (antes da conversão do imperador romano Constantino) se deu, graças à ação de São Gregório, o Iluminador, a conversão do rei Tiridates III, o que faz da Arménia o primeiro Estado oficialmente cristão do mundo. Desde então (e apesar da separação de Roma em 451), a cultura da Arménia tem sido marcada pela indelével presença do cristianismo. Também a perseguição ao povo arménio se tem traduzido, ao longo dos séculos, pela destruição de sinais dessa marca, como igrejas e mosteiros.

           Por acaso, tive ocasião de verificar essa relevância da identidade cristã da Arménia ao visitar a exposição “Tesouros do Museu da Terra Santa”, onde se alude à ligação do arménio mais conhecido e estimado em Portugal, Calouste Gulbenkian, à Terra Santa.

            Convém sempre não confundir conflitos entre povos cuja identidade está profundamente ligada a uma religião, com uma guerra de religiões, como se estas fossem a raiz desses conflitos. Mas tal não significa que se ignore que por detrás das perseguições que atingem o povo arménio, ao longo da história e até hoje, está também uma perseguição à sua fé e à sua cultura cristãs. Também esse é um motivo para não esquecer a Arménia.


Pedro Vaz Patto

23
Dez23

Santo Natal


Oliveira

Com os votos de SANTO NATAL, recebemos do Ir. Manuel Silva, nosso Assistente Religioso, o que a seguir se transcreve, saído da mente e do zelo do Cardeal D. José Tolentino Mendonça (Prémio Pessoa deste ano 2023)

(A.G.Pires)

 

Maria, Senhora do Advento

  • ensina-nos o que significa estar grávida de Deus
  • Ensina-nos essa arte grandiosa e acessível de gerar o divino, de despertá-lo lentamente em cada coração,  
  • como uma luz necessária quando a noite avança ou o vazio se torna pesado.
  • Ensina-nos a abraçar com esperança a vulnerabilidade, tanto a alheia quanto a nossa.
  • Ensina-nos a nos libertar das idealizações e de seus enganos.
  • Ensina-nos que a fidelidade ao Onipotente se realiza no cuidado daquilo que é totalmente frágil eque 
  • as grandes viagens dependem dos pequenos passos.
  • Ensina-nos a acolher aquilo que vem de Deus e que não entendemos, 
  • ou só entenderemos depois.(e, portanto, a esclarecer, a devolver limpidez), mesmo quando isso nos custa.
  • A agradecer pelos dias fáceis e pelos dias sombrios; 
  • a agradecer por aquilo que é evidente e por aquilo que está encoberto; pelo superficial e pelo vertical; pela mansidão da brisa e pelo ímpeto do vento.
  • A agradecer pela força e pelo fracasso; por aquilo que concluímos 

e por aquilo que nos parece inacabado, por aquilo que chegamos a ver por completo 

ou apenas disperso em pobres migalhas.

Porque, a seu modo, cada coisa nos integra naquela espiral 

que pode ser a vida, uma espiral que se amplia cada vez mais.

    • Ensina-nos a descobrir em nós 
    • a capacidade de multiplicar a alegria; 
    • de mediar a esperança que mostra caminhos sempre novos; 
    • de facilitar a graça que potencializa os novos inícios


Cardeal D. José Tolentino Mendonça

21
Dez23

UM SANTO NATAL E UM FELIZ ANO NOVO


Oliveira

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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

 

Juntamos os nossos votos cordiais

de um Santo Natal e Feliz Ano Novo para TODOS/as Antigos/as Alunos/as do Ensino Católico e leitores do nosso blogue. 

 

 

Copiamos de um cartão de BF da UASP, membro da COPAAEC

Gruta dos pastores.jpg

Quando os anjos se afastaram deles em direcção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros:

"Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer." Lc 2,15

21
Dez23

CRUZES CRISTÃS PERMANECEM PENDURADAS NOS EDIFÍCIOS DO ESTADO DA BAVIERA


Oliveira

Pelo que contém de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Uma realidade diferente da nossa

CRUZES CRISTÃS PERMANECEM PENDURADAS NOS EDIFÍCIOS DO ESTADO DA BAVIERA

O Tribunal Administrativo Federal alemão em Leipzig considerou legal a regulamentação de que uma cruz deve ser pendurada em todos os edifícios estatais da Baviera.

O tribunal entendeu que as cruzes nas autoridades estatais não violam o direito à liberdade religiosa de outras comunidades religiosas. Também não constituem uma violação da proibição da discriminação baseada na fé.

A imprensa alemã refere que a “Associação para a Liberdade de Pensamento” que é religiosamente crítica tinha metido acção judicial exigindo que o decreto governamental de manter as cruzes em edifícios estatais públicos fosse revogado.

Embora o Tribunal Administrativo tenha considerado uma violação do dever de neutralidade do Estado, classificou as cruzes essencialmente como símbolos passivos “sem efeitos de proselitismo e doutrinação”.

A associação anunciou querer apelar para o Tribunal Constitucional Federal.

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8897

21
Dez23

A SEXUALIDADE JÁ NÃO É TEMA TABU NA IGREJA


Oliveira

Pelo que contém de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

A SEXUALIDADE JÁ NÃO É TEMA TABU NA IGREJA

Bênção para Casais em Situação irregular e Homossexuais

O Papa abre caminho para o reconhecimento de casais do mesmo sexo na Igreja Católica sob condições estritas. O documento “Fiducia suplicans” (Confiança suplicante (1) fala de “possibilidades de bênção de casais em situação irregular (divorciados em nova união) e casais do mesmo sexo” (2). Com esta intervenção papal alegra-se a igreja alemã e surgem algumas dúvidas na Igreja mundial. Deste modo os actos sexuais passam, neste assunto, a não ser submetidos ao ordenamento moral e são explicados pelas condições criadas pela natureza (a excepção confirma a regra e in dúbio pro reo). Ao não serem exigidas condições relativas à moral, a consequência será a aceitação de uma certa ambivalência que abarca a inclusão da dúvida e leva alguns teólogos de ordenamento doutrinal a problematizar a medida pastoral do Papa Francisco.  Na consequência, esta maneira de actuar simplifica também o hábito já generalizado de relações sexuais antes do casamento!

O Sumo Pontífice pôs claro que a bênção não pertence aos sacramentos nem implica mudanças doutrinais; segue o espírito pastoral da Amoris Laetitia (3). Em termos teológicos abençoar o homossexual não corresponde necessariamente a abençoar a ação homossexual, mas, no meu entender, consiste em reconhecer a natureza e o desenvolvimento da sociedade como componentes da revelação! Deus não tem género, mas criou as pessoas como seres sexuais e à Sua imagem. No Filho de Deus e na Mãe de Deus expressaram-se os protótipos da união da feminilidade com a masculinidade e da espiritualidade com a materialidade.

O substancialmente novo do documento é o integrar a realidade social em que vivemos e pô-la a caminho dos fóruns de uma dogmática que possibilita a mudança na continuidade...

 

A sociedade muda e com ela os conceitos morais

A sexualidade e a fé cristã fazem parte da nossa identidade e a sua interacção mútua tem feito parte da história do desenvolvimento humano e social do Ocidente. Encontramo-nos numa época de tentativa de mudança axial cultural – um momento de fluxos contraditórios -  onde o poder de determinar o mundo se concentra na passagem de uma ética religiosa para uma ética secular global abstracta com a intenção  de criar uma outra antropologia (gerar um outro Homem) e outra sociologia (uma outra cultura), que questiona a visão global representada no catolicismo;  na consequência os dois elementos da cultura transmitidos pela igreja (fé e sexualidade unidas)  estão a ser abalados no sentido de ser separados...

A sociedade muda e com ela os conceitos morais e a nossa dor dão-se devido ao facto de nos encontrarmos numa época da rapidez de modo a podermos hoje supervisionar mudanças e sentidos que antigamente só eram observadas por historiadores e estudiosos de visão enciclopedista de perspectiva histórica...

Estamos a passar de uma era que se interessava mais pelo como as coisas funcionam para uma era a mudar de paradigma para o modo como as coisas se relacionam. 

... proporcionando-se assim a decomposição e desestruturação que procura legitimar a luta anti cultural e contra todos os construtos identitários naturais, culturais e humanos no intuito de formar uma nova cultura meramente mental e ideológica já longe do humano e que proporciona o seu domínio numa tática justificadora da luta contra o humanismo. A Igreja, porém, está atenta às modas e ditames do tempo (atualmente impulsionado pelo marxismo e pelo maoismo) continuando a defender o que é mais essencial para o humano...

Como o modernismo quer mudar rapidamente a realidade e acredita poder criar uma outra através de leis e de medidas administrativas (agendas) torna-se mais difícil a acção da Igreja que advoga um crescimento mais lento e orgânico (e aferido à consciência popular) do que administrativo para conseguir um desenvolvimento integral humano; porém  não precisa de deitar muitas lágrimas pelo que tem de mudar hoje pois o negligenciado no passado também fez sofrer muita gente. Assistimos assim a uma corrida do tempo cronos contra a plenitude do tempo Cairos, quando o urgente seria a tentativa de integrar os dois no sentido de uma sociedade mais humana ...

Neste sentido a Igreja terá de aprender do mundo a mudar a sua relação com o corpo e a sensação de prazer para não exagerar num sentido o que o mundo exagera no outro. A hostilidade ao corpo (a autossatisfação como ofensiva...) e a falta de equilíbrio entre corpo e mente são factores que determinam tensões que prevalecem na sociedade e na igreja enquanto não houver uma osmose de masculinidade e feminilidade...

Hoje a socialização está a dar-se através do questionamento de conceitos morais concretos e da educação sexual numa plataforma atmosférica mental de confronto clandestino e de relativismo absoluto. Numa cultura onde a sexualidade e a espiritualidade fazem parte da identidade cultural e individual, mas que é contestada radicalmente, torna-se mais difícil para a Igreja resguardar-se. Um caminho de reconciliação poderia levar ao desenvolvimento separado da sexualidade e da religião/espiritualidade, de modo que a moral sexual não preocupasse tanto a Igreja como o Estado secular na qualidade de instrumentos de domínio...

A sexualidade é discutida na igreja, mas raramente é discutida pelos padres (eles discutem-na geralmente dentro do casamento) porque parecem acreditar ainda que a sexualidade é um assunto privado...

A igreja é o lugar onde as pessoas se encontram, independentemente de virtudes e defeitos competindo-lhe desenvolver um comportamento saudável em relação à sexualidade. Não há que associar a sexualidade à normalidade ou à anormalidade. A igreja tem uma responsabilidade especial, também através da sua própria missão e mandato, de proteger as minorias e o humano...

Uma função importante da Igreja, especialmente no contexto ideológico actual continuará a ser a de que a sociedade não confunda linguagem com a realidade. Uma missão prioritária em relação à sexualidade será a defesa da feminilidade e manter a música do amor que aquece os corações.

Será de evitar todos os fundamentalismos seculares e religiosos porque são de vistas limitadas e empobrecedoras de desenvolvimento quando permitem apenas uma ideia do certo e do errado.

Nesta época natalícia sopram do Vaticano ventos frescos e revolucionários que não veem no amor pecado, mas que causam calafrios nalguns grupos e regiões do catolicismo. Bênçãos só podem ser revigorantes e permitir que os amantes se regozijem e celebrem o seu relacionamento também em público. Cada pessoa é única e com momentos próprios; o reconhecimento dá-lhe sustentabilidade na vida quotidiana e deste modo também acontece ecclesia. Boas festas, o Natal é a festa da vida!

António CD Justo

Teólogo e Pedagogo

Texto completo e notas em “Pegadas do Tempo”: https://antonio-justo.eu/?p=8900

05
Dez23

VIVER O ADVENTO


Oliveira

               Partilho o texto de oração e meditação do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado hoje pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

           Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Espera”. Que a pressa com que gerimos os dias não nos iluda quanto à necessidade da lentidão para nos abeirarmos do essencial: seja abeirarmo-nos de uma lágrima ou de um sorriso, de uma ferida interior ou da leveza que dança inexplicável em certas horas perfeitas, que nem parecem nossas.

 

           Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Escuta”. Que nos coloquemos à escuta do coração que silenciosamente bate e não apenas daquilo que as palavras dizem; e assim amparemos a revelação que o tempo traz até nós, mesmo quando isso não é imediatamente compreensível ou fácil.

 

         Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Ajuda”. Se olharmos bem, a nosso lado, são mais os filhos pródigos do que os pais misericordiosos, são mais as ovelhas perdidas do que aqueles que as procuram, são mais os viajantes caídos pela estrada que os samaritanos disponíveis para a aventura da bondade.

 

            Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Encontro”. Que saibamos acolher os que passam pela nossa vida restituindo-lhes a confiança no próprio caminho e a certeza de que não estão sós.

 

          Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Companhia”. Que possamos investir mais em presenças vivas do que nos banais presentes já confeccionados que utilizamos para substituir o insubstituível (seja isso o afecto, o perdão, a relação, a partilha).

 

           Ensina-nos, Senhor, a viver o Advento a partir da palavra “Parto”. Que nos dêmos conta de quanto é interminável e deslumbrante a tarefa  contida no verbo nascer e de quanto ela se cumpre vida fora, de forma esperançosa, desarmante e sofrida, nas conjugações do verbo renascer.

              Cardeal José Tolentino de Mendonça

              4.12.2023

02
Dez23

Advento - Suspender


Oliveira

Partilho uma reflexão sobre o Advento do Cardeal Tolentino de Mendonça, enviada pelo irmão Manuel Silva, nosso director espiritual.

(A. Oliveira)

         Que o tempo do Advento seja um tempo para interromper, interromper, interromper. Isto é: 

  • suspender as nossas questões, 
  • suspender as nossas amarguras, 
  • suspender os nossos longos percursos, 
  • suspender a nossa inquirição àquilo que não tem resposta, 
  • ou então aquilo cuja resposta não nos cabe colher. Interromper. 
  • E preparar o nosso coração para o encontro com a vida, 
  • com a vida concreta, com a vida que começa, 
  • com a vida que é nova, 
  • com essa vida encarnada que nos mostra na nossa carne, na nossa história, o próprio Deus.

    No fundo o que é o Advento? O Advento é a preparação para esse milagre, 
  • para esse encontro com a vida. A nossa conversa é uma coisa importante, 
  • mas chega um momento em que ela tem de ser interrompida. 
  • Porque não é na conversa que está a solução, não é na conversa. 
  • A solução está nAquele que chega à nossa vida e em nós dizermos: 
  • “Ah, apesar de eu não saber tudo ou de eu não ter tudo, apesar de tudo isso, 
  • eu acolho, eu amo, eu acredito.”

    O que nós precisamos é, de facto, de interromper, 
de sentir como Deus interrompe a nossa vida 
e nos coloca numa atitude de espera, de espera. Vigiai.

Cardeal D. José Tolentino Mendonça
02
Dez23

1.º DOMINGO DO ADVENTO - ANO B


Oliveira

Sugestão da homilia para o primeiro Domingo do Advento - ANO B - 2023 

Advento: vinda do Messias Redentor

Domingo, 3 de Dezembro de 2023

  1. Advento: o desejo da vinda do Messias

     A primeira leitura mostra-nos que o povo de Deus, no Antigo Testamento, esperava a vinda do Messias. Por isso, o profeta Isaías rezou: “Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor. Ó se rasgásseis céus e descêsseis!” Vemos que o povo esperava a vinda do Messias, Jesus Salvador.

     Irmãos, nós, hoje, sentimos esta oração do povo: “oh se rasgásseis os céus e descêsseis”, isto é: Vinde! Sentimos que Deus é indispensável para a humanidade; sabemos que só com Ele a História tem sentido, tem caminho, tem futuro.  A fé em Deus é vida. O mundo precisa de fé e de vida. Tinha razão o profeta Isaías ao pedir: “Vinde, Senhor”. É uma oração de advento: que o Senhor venha.

  1. Estar preparados para a vinda do Senhor

     O Evangelho de Marcos convida os discípulos a estarem preparados: “Acautelai-vos e vigiai”. Depois, para se explicar, Jesus conta uma parábola: Um homem ia partir de viagem e deu plenos poderes aos seus servos… vigiai, porque não sabeis quando virá o dono da casa”. Quem são os servos? Somos nós.  Quem é o dono da casa? É o Senhor Jesus. A nossa vida deve ser um tempo de compromisso activo papa a construção do Reino de Deus. Fazemos parte da Igreja, temos uma vocação e uma missão a cumprir. Com esta parábola Jesus refere-se à sua vinda no fim dos tempos. Mas também à vinda de Jesus em cada dia.

      Penso que não devemos entender a vinda do dono da casa [o Senhor] como ameaça, ou com temor, mas entender que é importante manter fidelidade à vontade do Senhor, que vem para salvar.

     Hoje vivemos uma dificuldade: a agitação exterior. Nas estradas o fluxo de trânsito; carros ligeiros; autocarros de passageiros; camiões de cinco rodados; tudo em movimento. Talvez seja necessário. Mas que acontece? Em vez do silêncio interior que dá vida, temos o barulho e a agitação exterior que dificulta a reflexão, a vigilância. Os estados de calamidade que acontecem podem ser um motivo para estarmos preparados. A vigilância, no sentido humano e cristão, dá-nos segurança. 

     “Estou à porta e bato…” – diz-nos o Senhor no Apocalipse (3,20). Nunca estaremos sozinhos. O Senhor caminha connosco. Alegria e vigilância esperando a vinda do Senhor: Ele deseja caminhar connosco.

     O Salvador veio no primeiro Natal em Belém; vem todos os dias. Vem neste tempo de advento, que nos prepara para celebrarmos o Natal. Vem como Redentor, Salvador. 

  1. Advento: aguardar o Salvador no Natal

     São Paulo na segunda leitura, mostra-se feliz pela comunidade de Corinto, que foi enriquecida com as graças do Senhor Jesus. Diz o Apóstolo: “Dou graças a Deus … porque fostes enriquecidos em tudo… e tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo”. Paulo sugere aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes. Viver o Advento é esperar a vinda do Senhor. E é também esperar a vindo do Senhor no Natal.

      Jesus que nasceu em Belém encontra-se com a humanidade no dia de Natal. Conhecemos o canto: “Vem, Senhor, ó vem Senhor, vem ó Jesus vem”.

     Uma breve reflexão: nós pedimos, “Vem, Senhor Jesus”. Mas sabemos que Ele está sempre presente na sua Igreja. O que nós pedimos é que Ele encontre acolhimento em nossos corações, e encontre aberta a nossa casa.

Pe. António Gonçalves, SDB

28
Nov23

A PACIÊNCIA NECESSÁRIA


Oliveira

Partilho o texto de oração e meditação do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado hoje pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

       Ensina-nos, Senhor, a arte de modelar os dias com a paciência necessária para que o florescimento da vida se dê, em nós e nos outros, sem ansiedade ou sobressalto, mas com a sabedoria de valorizar os pequenos passos e os gestos apenas esboçados.

    Ensina-nos, Senhor, a transformar a pressão por resultados em capacidade de reconhecimento, escuta e espera, aceitando que o nosso papel não é apressadamente substituirmo-nos aos outros, mas é sustê-los com delicadeza e esperança nos seus próprios processos.

       Ensina-nos a não fazer depender de nós exclusivamente a solução, como se para nós fosse fácil o que para os outros é difícil ou fosse imediato o que os outros precisam de mais tempo para chegar. No fundo, sabemos que não é assim. Que todos precisamos daquela lentidão propícia ao discernimento e de um entrecruzar polifónico e diversificado de fios sem o qual não alcançamos nunca a compreensão do conjunto.

         Ensina-nos, Senhor, a buscar não unicamente o nosso bem, mas o bem comum; não apenas a nossa satisfação pessoal, mas a harmonia mais vasta que nos faz entrar em relação; não apenas a realização dos objetivos que nos colocamos, mas também daqueles que só no encontro com os outros descobrimos.

          Ensina-nos a ser mensageiros credíveis da alegria e a acreditar que ela é acessível e possível e passa das nossas mãos às mãos dos outros sem esforço, sempre que o desejamos.

         Cardeal José Tolentino de Mendonça
         27.11.2023

24
Nov23

SOLENIDADE DE CRISTO-REI - Ano A


Oliveira

Sugestão da homilia para a SOLENIDADE DE CRISTO REI - Ano A - 2023 

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei e Bom Pastor

Domingo, 26 de Novembro de 2023

Irmãos, celebramos neste domingo Jesus Cristo, Senhor e Rei do Universo. Que significa esta celebração, este título?

  1. Jesus Senhor do Universo. Rei de Amor

     Reflectimos sobre o evangelho. Jesus é Rei do Universo porque é o Filho de Deus que se fez um de nós, para nos salvar. O evangelho deste domingo mostra-nos Jesus que nos julgará no fim dos tempos, sobre a nossa atitude para os pobres, os que passam fome, os que têm sede, os desprotegidos, e dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, não tinha roupa e destes-me de vestir”. E explica a seguir: “Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus, 25, 31-46).

      Podemos dizer que Ele é Senhor da História, e exerce a sua realeza em toda a humanidade. O Concílio Vaticano II aplica a Jesus esta expressão: “Alfa e Ómega, Princípio e fim”; estas letras são a primeira e a última do alfabeto grego (A Igreja no mundo contemporâneo, n. 45). Jesus é o princípio e o fim de tudo.

     Mas convém considerar: Jesus é também Rei de amor, que nos salva com o seu sangue. E quando Jesus foi julgado por Pilatos, disse estas palavras: “Sou Rei, mas o meu reino não é deste mundo” (João 18, 36-37).

     Ele merece a nossa confiança. É nosso Rei de Amor. Recordo o testemunho de uma pessoa distinta que foi da nossa sociedade portuguesa. Na sua última crónica de jornal, poucas horas antes de morrer, escreveu: «Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil (a sua doença). Conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. Seja qual for o desfecho, (da doença dela) como o Senhor é meu Pastor, nada me faltará"» (Maria Nogueira Pinto. Faleceu essa nobre senhora no dia 6 de Julho de 2011, e a sua crónica apareceu na imprensa no dia seguinte, com este comentário: “Faz-nos falta”).

  1. Deus Bom Pastor

     A primeira leitura, do profeta Ezequiel, conduz-nos a Deus, como Bom Pastor. No Antigo Testamento era importante o conhecimento de Deus único, para evitar os ídolos. Era importante ver Deus como Bom Pastor, a merecer a confiança do povo.  O profeta Ezequiel diz-nos estas palavras de Deus: “Eu apascentarei as minhas ovelhas e as levarei a repousar … Hei de procurar a que anda perdida… Tratarei a que estiver ferida…” (Ezequiel, 34,15). O profeta quis dizer ao povo exilado na Babilónia: confiai em Deus, único Senhor, o Bom Pastor. Mostra-nos Deus a cuidar do seu povo: “tratarei a ovelha que estiver ferida”.  

     Esta imagem de Bom Pastor convida-nos à confiança. É importante para o povo se aproximar de Deus. Às vezes agarramo-nos a outros pastores: a riqueza, o poder. Rezamos, com o salmo 22: “O Senhor é meu Pastor: nada me há de faltar”.

  1. Jesus Cristo dá-nos a vida plena

     São Paulo, na Carta à Comunidade de Corinto, na Grécia, mostra-nos o sentido glorioso de Jesus, que nos faz participantes da sua vida plena de ressuscitado. Diz assim: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram”. Ou seja: como Jesus ressuscitou, também nós havemos de ressuscitar. Nós, irmãos de Cristo ressuscitado, também tomaremos parte no seu triunfo total, no reino da glória. Visão grandiosa de Jesus, na carta de Paulo aos Coríntios, para a nossa fé. Jesus dá-nos a vida plena. A sua vida de ressuscitado.  

     Jesus, Rei, Senhor, chama-nos a uma vida de fé, fazendo o bem. Disse o Papa Francisco: “os pobres são o nosso passaporte para o paraíso”. (Papa Francisco, no dia do pobre, 19.11.2017). A nossa vida deve ser doação.

Pe. AAntónio Gonçalves, SDB

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