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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

28
Jun25

Ataque a Igreja na Síria deixa 22 Mortos e mostra a Crise de Cristãos no Mundo islâmico


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Um ataque suicida na Igreja do Profeta Elias (Mar Elias), em Duwaila, Damasco, deixou pelo menos 22 mortos e 63 feridos em 22 de junho de 2025. O atacante, identificado como membro do Estado Islâmico (EI), invadiu o local durante o culto litúrgico, disparando contra fiéis antes de rebentar explosivos amarrados ao seu corpo...

Por seu lado, a comunidade internacional mantém-se silenciosa sobre a perseguição a cristãos em países como Síria, Moçambique, Nigéria e Sudão.

A doutrina islâmica, frequentemente associada à paz por líderes ocidentais, é marcada por contradições e objectivos políticos inalienáveis. Grupos como o EI invocam citações do Corão para justificar violência contra "infiéis", ou seja, todos os que não são muçulmanos. Trechos como "Morte ao descrente" (contextualizados em suras do Corão) são utilizados para promover a sharia e a supressão de outras religiões.

A União Europeia, cujas raízes cristãs são historicamente fundamentais, merece críticas por negligenciar a protecção de minorias religiosas em países islâmicos. Enquanto a política globalista prioriza acordos económicos, comunidades cristãs no Oriente Médio e África sofrem com a omissão de governos ocidentais que deste modo fomentam o islamismo...

De facto, o governo de Bashar al-Assad, apesar de suas controvérsias, mantinha uma política de protecção às minorias religiosas, incluindo os cristãos, que viviam em relativa segurança antes da guerra. A Síria era um dos poucos países do Oriente Médio onde cristãos, muçulmanos e outras comunidades coexistiam sob um Estado secular.

A partir de 2011, potências ocidentais (como os EUA e aliados regionais, incluindo Israel, Arábia Saudita e Turquia) financiaram e armaram grupos rebeldes, muitos deles extremistas, com o objectivo declarado de derrubar Assad. Os bombardeios constantes, as sanções económicas e o apoio a facções jihadistas (como a Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda) contribuíram para a destruição do país...

A falta de acção contrasta com a coesão do mundo muçulmano, onde religião e política são indissociáveis. Se a Europa não reafirmar seus valores identitários — incluindo a liberdade religiosa e a valorização do cristianismo —, arrisca-se a ser culturalmente subjugada por um islamismo que, na sua versão original, não tolera dissidências.

 

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10074

28
Jun25

O Eros e a Busca da Integridade: Entre o Mito e o Sagrado


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Em Diálogo com Platão, Jung e a Trindade

num Contexto do Sexo como Ritual sagrado

A humanidade é um rio que corre entre duas margens: a espiritualidade, que busca resposta para o sentido da existência, e o desejo sexual, que obedece ao impulso primordial da perpetuação. Mas será que essas duas correntes são verdadeiramente distintas? Ou serão antes expressões de uma mesma sede — a ânsia de perfeição, o retorno a um estado perdido de harmonia primordial (ou a necessidade de envolvimento no processo “mítico” de encarnação e ressurreição)?

Na origem de tudo, está o Eros — não como mero instinto, mas como energia cósmico-divina que move o homem e a mulher em direção à sua metade ausente. Platão, no Banquete, narra o mito do Andrógino, essa criatura esférica, duplamente sexuada, que outrora caminhava em plenitude até que a inveja dos deuses a dividiu em duas partes, condenando-nos à eterna busca um do outro (e ou do Outro). Desde então, o amor terreal não é senão a sombra desse paraíso perdido, um eco da unidade original. Cada abraço, cada entrega carnal, é uma tentativa desesperada de reencontrar a esfera perfeita, de fundir-se outra vez no Todo.

Mas o Eros é mais do que a simples junção de corpos. Ele é um ritual sagrado, uma liturgia em que homem e mulher, ao se unirem, repetem simbolicamente o gesto divino da Criação. Nele, o masculino — voltado para o exterior, para a acção, para o domínio — dissolve-se no feminino, que é receptividade, interioridade, mistério. E a mulher, por sua vez, encontra no homem o seu ânimus, a força que a projecta para além de si mesma. Ambos buscam, no outro, aquilo que lhes falta, não para aniquilar-se, mas para transcender-se, não extinguindo-se na dualidade, mas complementando-se de forma exuberante num processo de relação trinitária ou do eu-tu-nós.

No entanto, a sociedade, moldada por séculos de patriarcado, distorceu esse diálogo intersubjectivo criativo. (Não compreendeu o mistério da relação expresso na fórmula trinitária. Em vez de afirmar a relação vital complementar dividiu-a em relações funcionais de necessidade e de interesse - manietando homem e mulher a seres objectivados). Reduziu a mulher a objecto, enfeite do desejo masculino, e aprisionou o homem numa máscara de domínio, negando-lhe a própria feminilidade interior. O acto sexual, em vez de celebração, tornou-se funcionalidade; em vez de rito tornou-se folclore. A repressão do sagrado no Eros é sintoma de uma cultura que exalta a conquista, a violência, a cisão — esquece que a verdadeira vocação humana é a complementaridade.

Que aconteceria se, libertas dos tabus, as mulheres reivindicassem plenamente a sua dupla natureza — tanto a força do ânimus como a profundidade do feminino? E se os homens, por sua vez, não temessem acolher a ânima, essa interioridade tantas vezes negada? Talvez então vislumbrássemos uma cultura não da competição, mas uma cultura da paz, da comparticipação; não da guerra, mas do encontro.

(Quando chegará o momento em que a política reconhecerá que masculinidade e feminilidade são princípios vitais e complementares em cada ser humano – e deixará de impor a todos a mesma matriz arcaica (esmagando todos no mesmo molde masculino), reduzindo até as mulheres a meras peças funcionais de uma máquina social desumanizada, ao serviço de uma norma masculina exacerbada? Até quando se continuará deste modo a destruir a alma da sociedade – e a reduzir o feminino a engrenagem de um sistema sem rosto? (1)

O sexo é, na sua essência, um limiar. Realiza-se no adro do templo, na fronteira entre o humano e o divino. Nele, homem e mulher não são apenas amantes, mas celebrantes de um mistério maior: a reconciliação das metades, o reencontro com o círculo perfeito e a unidade do três no um, como bem manifesta a dinâmica relacional do mistério da Trindade. E assim, no êxtase que os une, eles tocam, ainda que por um instante, o Paraíso.

 

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10077

13
Jun25

Lançamento do livro "My body, my Life"

No debate sobre o aborto - Dia 17 de Junho, às 19h00 - Auditório Sul na Feira do Livro de Lisboa


Oliveira

Partilho informação importante enviada pelo Dr. António Torres, vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida.

(A. Oliveira)

Caros Amigos,

No próximo dia 17 de Junho, terça-feira, às 19h00, irá realizar-se o lançamento do livro "My body, my Life” - No debate sobre o aborto, no Auditório Sul, na Feira do Livro de Lisboa *, com apresentação do Prof. Doutor Paulo Otero (envio em anexo capa e convite).

O livro tem prefácio do Dr. Pedro Passos Coelho, foi coordenado pela Teresa de Melo Ribeiro, José Ribeiro e Castro e Isilda Pegado e corresponde a uma obra colectiva com republicação de 27 textos dos seguintes autores: Cardeal D. Américo Aguiar, Ana Brito Goes, Francisco Ascensão, Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, Isabel Carmo Pedro, Isilda Pegado, João Pedro Luís, José Maria Duque, José Ribeiro e Castro, Luis Manuel Pereira da Silva, Maria Helena Costa, Mário Pinto, Pedro Saraiva Ferreira, Pedro Vaz Patto e Teresa de Melo Ribeiro.

 

É uma excelente ocasião para todos aqueles que apoiam a causa da defesa da Vida possam, com a sua presença neste evento, manifestar esse apoio, tão necessário nos tempos em que vivemos. 

Um abraço do

António Pinheiro Torres

 

* O Auditório Sul encontra-se junto à Praça do Marquês de Pombal, perto de entradas/saídas pedonais do Estacionamento Telpark Marquês de Pombal, com entrada com carro pela Av. Sidónio Pais.

Capa Livro - My body, my Life.jpg

CONVITE_ MyBodyMyLife.jpg

 

10
Jun25

Dia de Portugal - Um Canto Renascido


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

10 de Junho de 1580 – Luís de Camões parte, levando consigo o último suspiro de um Portugal dourado.

De celebração em celebração, embrulhamos a alma da pátria em folhas de jornal, como sardinhas de feira popular. Queimamos incenso sobre o corpo ainda quente da nação, enquanto ela, entre golfadas de fumo e discursos vazios, agoniza em festa.

Camões, o trovador do destino lusitano, cantou-nos quando éramos aurora. Nas páginas d’Os Lusíadas, o sangue dos heróis ainda corre, mas secou nas veias dos que nos têm governado. O sol da ideologia queimou as cores da nossa bandeira, e as revoluções, como vagas traiçoeiras, arrastaram para o abismo o que nos restava de identidade.

Dizem que, ao morrer o poeta, morreu Portugal. Talvez. Mas a terra não sepultou a semente. A classe política, sim, é cadáver – um fantasma que vagueia pelos corredores do poder, surdo ao ritmo do povo, cego à chama que ainda bruxuleia nas cinzas. "Fraco torna fraca a forte gente..." E nós, filhos de uma escrava e de revoluções alheias, deixámos que nos vendassem com os trapos da Libertas, da Agar, de todas as quimeras que nos roubaram o rosto.

Mas Portugal não morre apesar de muitas loucuras ideológicas e nos últimos tempos dos interesses do deus Mamon de Bruxelas que suborna os humanos para obter suas almas. Não morre enquanto respirar fé e coragem, enquanto lembrar que foi à sombra da cruz e da espada que conquistámos o mundo. Pátria e fé eram uma só carne, um só destino. Hoje, porém, perdemos o povo no labirinto das ideologias, e sem ele, a pátria é apenas um nome esvaziado, um barco à deriva sob o voo circular dos abutres.

Agora, a missão é outra: não basta restaurar – é preciso redescobrir. Os Homens-Bons de hoje não partirão em caravelas, mas em busca da própria alma. Terão de navegar "mares nunca dantes navegados", não de água salgada, mas de consciência. A Taprobana a vencer já não é a distância, mas o materialismo que nos engoliu, o Estado que nos devora, a religião que se esqueceu de rezar.

Teremos de ousar, como os "egrégios avós", mas sem infantes que nos guiem. A bússola será a dor, o desespero de uma terra que já não nos reconhece. E quando acordarmos, talvez descubramos que a verdadeira liberdade não tem fronteiras – é como o mar, que não sabe onde começa nem onde termina.

Então, Portugal não será apenas um lugar no mapa, mas um verbo: criar. Já não conquistaremos terras, mas relações; já não levantaremos impérios, mas consciências. E quando o céu se rasgar por fim, não serão canhões que ecoarão, mas as cores do arco-íris, derramando-se sobre nós como uma nova aliança.

Até lá, seguimos. Entre a névoa e o sonho, entre os Velhos do Restelo e os loucos que ainda acreditam. Porque um povo que já foi mar não pode viver eternamente de joelhos.

Viva um Portugal que se redescubra à luz do bem e da verdade e se empenhe na construção de uma cultura da paz e abandone a cultura da guerra!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10059

10
Jun25

PENTECOSTES: A UNIDADE NA DIVERSIDADE SOB O SOPRO DO ESPÍRITO


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

A festa do Pentecostes (1) ergue-se como um alto espiritual da Igreja, não como mero acontecimento histórico, mas como perene convocação ao divino no humano. É o esplendor do Espírito Santo que, qual vento impetuoso, desfaz as barreiras confusas de Babel e reconstrói, no fogo da caridade, a unidade na diversidade. Aqui, a linguagem já não é maldição, mas bênção; já não separa, mas congrega.

O Impulso do Espírito envolve-nos na engrenagem da vida através do Pensar-Sentir-Agir!

Na quietude do Cenáculo de Jerusalém, os discípulos, temerosos e recolhidos, são arrebatados pelo Ruah divino. Não se trata de um mero sopro, mas de um ímpeto que os lança para além de si mesmos. Pensar, na economia da fé, nunca é estagnação; é inquietação, é quesito que clama por resposta. Como os discípulos, também nós somos chamados a recolher-nos, a interrogar-nos, para que, no silêncio, o Espírito nos conceda a resposta que não reside em nós, mas para além de nós.

Sentir, por sua vez, é reconhecer que a existência não se esgota no eu. É no encontro com o outro—seja na fragilidade do próximo, seja na grandeza dos génios da história e da literatura — que o Espírito revela novas possibilidades. O amor, afinal, é sempre diálogo, sempre relação recíproca.

No agir está incluído o risco da liberdade. Os Apóstolos, outrora encolhidos no medo, saem a proclamar. A acção, porém, não é isenta de culpa — e aqui reside o paradoxo da condição humana: mesmo quando movidos pelo Espírito, carregamos o peso da falibilidade. Mas Pentecostes ensina-nos que é melhor errar na ousadia do que definhar na inércia. Importante é primeiramente que o que se faz seja feito com boa intenção no sentido do bem.

O Espírito é a graça (amor) de Deus que age e conduz à renovação e à comunhão!

Pentecostes não é recordação, mas presença, que na vivência interior que move o exterior. É o Espírito que, como seiva invisível, faz desabrochar a Igreja em plenitude. O Espírito não se domestica, não acurrala nem se deixa enclausurar em fórmulas. Ele sopra onde quer — nos simples, nos sábios, nos que choram, nos que esperam e transforma o rumo das coisas. É Ele que, qual artista divino, pinta a unidade com as cores da diversidade, fazendo de muitas línguas uma só voz: a do Evangelho.

A Bíblia diz: "Como é que cada um de nós os ouve falar na sua própria língua?" (At 2,8). Eis o milagre: a Palavra não se uniformiza, mas traduz-se. O Espírito não anula as culturas; santifica-as. Não apaga as diferenças; transfigura-as em comunhão; não se deixa formular em agendas nem em directrizes políticas movidas por interesses tornados força nem tão-pouco em opiniões pacotes a que falte a diferenciação. Por outro lado, não se deixa reduzir à arbitrariedade do relativismo cultural e moral que reduz tudo ao igualitarismo. Sem a procura da natural individualidade, não haveria desenvolvimento na natureza nem na sociedade. O Espírito Santo é o Sopro de Deus, que atravessa as fronteiras políticas e humanas e permanece na natureza e na humanidade como Paráclito, luz divina e Consolador.

O Pentecostes é legado a ser-se sal da terra!

A abertura ao Espírito da Verdade não é mística passiva; é compromisso. No sentir da Igreja Ele concede-nos os sete dons — Sabedoria (espírito do discernimento), Inteligência (entender o mundo na presença de Deus, uma espécie de intuição das verdades naturais e espirituais), Conselho (na entreajuda e no discernimento de atitudes e circunstâncias), Fortaleza (para encarar a vida de frente sem se desviar das dificuldades), Ciência (ao nível intelectual, da vivência e da acção para ir interpretando e actuando num mundo em transformação), Piedade (o amor divino presente em nós através da misericórdia) e o Temor de Deus (o dom que nos leva a reconhecer no Outro o centro da nossa ipseidade, ele ensina-nos o respeito às pessoas e à natureza) — não só para nosso deleite espiritual, mas para que sejamos sal da terra, não nos deixando ficar a marcar passo no horizonte do ego. Ou seja: estamos chamados a dar sabor a um mundo insosso e por vezes perverso, para preservarmos a humanidade da mentira, da hipocrisia, da corrupção e do egoísmo.

Deus é Emanuel — o Deus-connosco. E se Ele está connosco, então nenhum medo justifica a covardia, nenhuma rotina justifica a estagnação. Pentecostes é, pois, um eterno recomeço que se expressa na igreja peregrina não nos deixando tropeçar na culpa e no erro.

O Espírito da Verdade é um fogo que como parte da sarça ardente não se extingue!

Hoje, como outrora, o Espírito desce. Não em chamas visíveis, mas no fogo silencioso que arde nos corações que O acolhem. Ele não nos promete facilidade, mas coragem; não ausência de conflito, mas unidade na diversidade.

Que o Pentecostes não seja apenas memória, mas acontecimento — em nós, através de nós, apesar de nós. Para que, no pensar, no sentir e no agir, sejamos, afinal, testemunhas d’Aquele que é, que era e que há de vir.

António da Cunha Duarte Justo (Teólogo)

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10048

10
Jun25

Portugal em Campo: Um Exemplo que a Política Insiste em Ignorar


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Seleção nacional campeã da Liga das Nações da UEFA

Portugal brilha em campo, derrotando gigantes como Espanha (1) e Alemanha, com alma, inteligência e união. Fora das quatro linhas do relvado, porém, reina o conformismo e a mediocridade: uma política sem norte, sem paixão e sem povo. No futebol vemos uma nação inspirada, competente e com talento; na política, um país adiado, parado e resignado sempre à espera de comando próprio.

Nas últimas partidas da Liga das Nações, Portugal conquistou duas vitórias memoráveis: primeiro frente à Alemanha, depois frente à Espanha — duas potências históricas do futebol europeu. Em campo, a selecção nacional mostrou ao mundo aquilo que muitos portugueses já sentem: inteligência táctica, espírito de equipa, resiliência, e uma ambição que não se esgota com a vitória. Mas mais do que resultados, Portugal demonstrou algo raro nos dias de hoje — uma união autêntica entre os jogadores, os adeptos e a identidade nacional.

Cristiano Ronaldo, mais do que capitão, simboliza uma geração de futebolistas que não joga apenas por títulos, mas por um país. E essa ligação emocional — entre os melhores e o povo — é um dos segredos do sucesso. Há um laço visível entre a elite desportiva e a base popular, algo que se constrói com mérito, trabalho e verdade. Em tempos de descrença generalizada, é no futebol que muitos portugueses voltam a sentir o devido orgulho colectivo tão menosprezado por ideologias estranhas ao povo e por uma governação reduzida a administração de agendas e directrizes por vezes estranhas à cultura e contra interesses genuínos do país.

Infelizmente, o mesmo não se pode dizer da política. Onde o futebol dá lições de profissionalismo, superação e sentido de missão, a política nacional mostra-se rotineiramente mais conformada, oportunista, estagnada e sem visão. Governantes evitam assumir erros, não se corrigem, não escutam. Em vez de enfrentarem os desafios com coragem e espírito de equipa, preferem desculpas hipócritas, retórica vazia e o velho hábito de culpar os outros e na incapacidade de canalizar a energia colectiva do povo para algo produtivo. (Na política, reina a arte da desculpa e da fuga à responsabilidade deixando o país entregue a si próprio, como um estaleiro sem engenheiro. O objectivo parece ser contornar o povo, manter o poder e atribuir culpas aos outros, evitando a todo o custo uma análise séria das causas dos problemas.)

A política portuguesa transformou-se num campeonato sem concorrência séria, onde os partidos, enfraquecidos, produzem líderes frágeis. Falta formação, falta exigência, falta ambição. Enquanto no futebol a concorrência entre grandes clubes eleva o nível e cria elites preparadas, na política escolhem-se gestores do status quo, figuras adaptadas que preferem sobreviver ao sistema do que transformá-lo. Bruxelas, que deveria ser parceira estratégica, tornou-se impeditivo e ao mesmo tempo desculpa permanente para a falta de iniciativa nacional. A submissão acrítica a Bruxelas destrói qualquer impulso de iniciativa nacional e transforma uma potencial elite política em meros gestores conformados.

E assim, enquanto em campo Portugal se bate de igual para igual com os melhores, nos gabinetes, o país continua a funcionar como um estaleiro sem plano nem engenheiro. A nação é tratada como um projecto provisório, sem rumo, sem liderança clara. Pior ainda: a pátria parece já não dizer muito a quem a deveria servir com mais empenho.

O exemplo da selecção nacional, com a sua entrega, competência e ligação ao povo, devia ser inspiração. Mas para isso, seria preciso coragem política, visão de longo prazo e, acima de tudo, sentido de missão. Até lá, continuaremos a ver em campo aquilo que gostaríamos de ver no governo — e a torcer para que um dia, também fora das quatro linhas, Portugal esteja à altura de si próprio. Para a política fica o aviso do seleccionador de Portugal, Roberto Martínez: “É preciso ter capacidade para sofrer como equipa, ter resiliência “. Doutro modo, Portugal continuará a erguer-se com alma no relvado e a render-se à mediocridade sem rumo nos governos.

António da Cunha Duarte Justo

Nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10051

07
Jun25

1.º DE MAIO: O DIA EM QUE AS MÁQUINAS CHORAM POR NÓS


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Era uma vez um mundo que trocou as mãos calejadas por dedos de aço, os suspiros dos cansados pelo zumbido infalível das máquinas. Hoje, no primeiro dia de maio, os sinos dobram, mas não celebram — lamentam. Soam por aqueles que ainda se chamam trabalhadores, embora o trabalho já não os reconheça como seus.

Os homens outrora conquistaram este dia como um refúgio no calendário do suor, um instante de respiro entre a servidão dos séculos. Mas que ironia: ganharam um dia e perderam os outros. Os salários, mínimos como esmolas, compram pão, mas não compram horizonte. Sustentam o corpo, mas deixam a alma em jejum. E enquanto os relógios de ponto viram algoritmos, os direitos desmancham-se no ar, como fumo de chaminés abandonadas.

A automação chegou sem piedade, vestida de progresso, e onde pisou, deixou pegadas de desalento. O operário, antes explorado, agora é ignorado. Suas mãos, que moviam o mundo, são peças sobressalentes num mecanismo que se autorepara. O capital desalmado, esfinge insaciável, devora até seus próprios filhos — e os que sobram, assistem, esfaimados de futuro, à decomposição da própria dignidade.

Onde estão os sindicatos? Onde estão os gritos que furaram o céu como fachos? Mudos, encurralados pela engrenagem que não tem ouvidos, apenas rodas dentadas. Resta aos homens uma escolha: render-se como peças soltas ou erguer-se como brasa. Pois a precarização não é só do ofício — é da alma. O trabalho sem rosto cria homens sem nome.

Os governantes, feiticeiros de números, falam em produtividade, em flexibilidade, em revoluções digitais — palavras vazias que rolam como moedas falsas. Suas leis são escritas em código binário, sem espaço para lágrimas ou suor. Enquanto isso, a vida torna-se líquida, escorre por entre os dedos como areia de horas extras não pagas. O Ocidente, outrora farol, agora é um navio à deriva, com velas rasgadas pelo mesmo vento que soprou sobre os colonizados. A roda da história gira, e os de baixo começam a exigir o que lhes foi negado—enquanto os de cima já nem sabem o que é humanidade.

Na sombra deste dia, São José Operário estende suas mãos marcadas pela plaina. Carpinteiro, pai, homem — não algoritmo, não função nem estatística. Se queremos resistir ao dilúvio de cifras, não basta lembrar Chicago; é preciso invocar o milagre do trabalho que não humilha, que não reduz, que não descarta.

E Portugal, pequeno barco neste oceano de ferrugem e silício? Entre o centralismo que esmaga e o globalismo que desfigura, só nos resta a rebeldia das raízes. A Europa será federal ou não será — pois só um mundo feito de pátrias humanas, não de impérios digitais, merece ser chamado de civilização.

A tarefa que nos cabe é antiga como Caim e Abel: lutar contra a exploração que mata o corpo e a alienação que aniquila a alma. Enquanto houver um só homem que levante a cabeça e pergunte “por quê?”, a chama não se apagará. Não por um mundo de máquinas perfeitas, mas por um mundo de homens imperfeitos — livres, iguais em dignidade, donos de seu suor e de seu sonho.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10040

 

 

07
Jun25

1.º DE MAIO: UM GRITO POR HUMANIDADE NUM MUNDO EM RUÍNAS


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Um momento de reflexão

Hoje, quando as máquinas substituem mãos humanas e a dignidade do homem se reduz à sua utilidade produtiva, o Dia Internacional dos Trabalhadores não é apenas uma data no calendário — é um espelho que reflecte a nossa decadência. Celebramos, sim, mas a quem rendemos homenagem? Aos que labutam sob o jugo de um sistema que os esmaga enquanto os glorifica com palavras vazias? Os trabalhadores conquistaram um dia para si, mas os outros 364 permanecem nas garras de grandes senhores que transformam vidas em números, corpos em engrenagens, sonhos em peças descartáveis.

Os direitos arrancados a duras penas — horas justas, salários mínimos, o direito a respirar fora da fábrica — são agora devorados pela sanha de um capitalismo disfarçado de progresso porque aliado do socialismo materialista. A automação, que prometia libertação, tornou-se a nova algema: o homem já não é explorado por sua força, mas descartado por sua suposta irrelevância. O salário mínimo sustenta o estômago, mas não alimenta a alma; garante a sobrevivência, mas nega a existência digna. E enquanto a tecnologia avança, a humanidade recua, esfacelada em funcionalidades, reduzida a algoritmos.

A precarização não é apenas do trabalho — é do humano. O indivíduo, despojado de valor, torna-se mercadoria numa economia que venera máquinas e desdenha de carne e osso. As organizações sindicais, outrora trincheiras de resistência, são esvaziadas por um poder que não tolera colectivos, apenas consumidores isolados. Resta-nos, então, a pergunta: como resistir? A resposta não está apenas em novas leis, mas numa revolução da consciência. É preciso erguer-se não como peças substituíveis, mas como seres irredutíveis à lógica do descarte implementada por medos.

Os governantes, cada vez mais distantes, falam em eficiência, em crescimento, em futuros digitais — mas calam-se sobre fome, sobre cansaço, sobre o desespero de quem não é visto como gente, mas como recurso. Suas agendas são escritas a sangue-frio, em salas onde o humano é abstracção e a tecnologia, dogma (num imperialismo mental). Enquanto isso, a instabilidade é cultivada como projecto: vidas informais, trabalhos efémeros, existências sem raízes. O Ocidente, outrora senhor do mundo, vê agora os servos de ontem exigirem dignidade — e descobre, atónito, que já não sabe oferecê-la nem a si mesmo.

No Cristianismo, hoje é dia de São José Operário — o carpinteiro, o trabalhador silencioso que sustentou a sagrada família com suor e dedicação. Se queremos resistir à maré desumanizante que vem de além-mar (e das ideologias materialistas), não basta evocar os mártires de Chicago; é preciso resgatar a ideia de que o trabalho não é apenas produção, mas extensão da própria humanidade.

E Portugal? Entre a Europa centralista e o globalismo voraz, só nos resta uma saída: o federalismo, a força das regiões, a resistência das culturas locais contra a homogeneização que esmaga identidades. O globalismo só será legítimo se nascer de baixo para cima, se for construído por mãos humanas, não imposto por máquinas políticas e por corifeus líderes de ideologias falsas.

A tarefa que nos resta é colossal: libertar-nos não apenas da exploração, mas da alienação que nos faz aceitá-la. Enquanto houver um sopro de humanidade em nós, a luta pela dignidade permanece. Não por um mundo de robots, mas por um mundo de gente. Um mundo onde a dignidade não seja privilégio, mas direito inalienável — de todos, para todos.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10037

05
Jun25

Repor a verdade


Oliveira

Para os membros da COPAAEC e leitores amigos, mais um contributo para conhecimento e reflexão, agradecendo ao Autor a amabilidade de nos permitir a publicação.

(A. G. Pires)

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Pedro Vaz Patto

Em representação da coordenação das comissões diocesanas de protecção de menores e adultos vulneráveis, tenho participado nas chamadas “comissões de instrução” dos processos de atribuição de compensações financeiras a vítimas de abusos sexuais praticados no âmbito da Igreja Católica. Ao ler uma boa parte das notícias relativas à forma como tem decorrido este processo, vejo-me na necessidade de repor a verdade a esse respeito. Faço-o com base no meu conhecimento directo de um número de casos não despiciendo e também no conhecimento indirecto de outros casos analisados por essas comissões.

Referem essas notícias que “as vítimas” estão muito descontentes com esse processo, que acusam de ser burocrático, de refletir insensibilidade e falta de empatia e de contribuir para a sua revitimização. Acontece que “as vítimas” são apenas as poucas (sempre as mesmas) que têm acesso sistemático à comunicação social. A opinião dessas pessoas merece todo o meu respeito, mas elas não podem falar por todas as outras que não partilham dessa opinião e que não acedem à comunicação social, porque naturalmente procuram preservar ao máximo a sua privacidade. Tenho de dizer que essa é uma versão profundamente distorcida da realidade, uma visão que desincentiva a elaboração de pedidos de várias formas de apoio (e a compensação financeira não é o único) por parte de outras vítimas que, por motivos compreensíveis, ainda não adquiriram a coragem de os formular.

A propósito, também não favorece as vítimas a proposta, que continua a ser advogada por esses críticos do processo, de atribuição de um valor único a todas as vítimas. Esse valor teria de ser meramente simbólico e não é isso que se pretende à luz do regulamento que rege o processo. Esse valor deverá ser proporcional à gravidade do abuso e do dano por ele provocado, sem a pretensão de ser elevado a ponto de anular esse dano (o que é impossível), como se de um preço se tratasse. Proporcional não significa equivalente e compensar não significa reparar. Mas uma verdadeira compensação há de ser efectiva, não pode limitar-se a um valor meramente simbólico.

Devo dizer, antes de mais, que esta minha colaboração neste processo de escuta das presumíveis vítimas quase me permite afirmar, sem exagero, que com ela tenho aprendido mais sobre a natureza e alcance dos danos provocados por estes crimes do que a minha experiência de mais de trinta anos de judicatura na área criminal (onde estes crimes, praticados nos mais variados contextos, vão sendo dos mais frequentes). Nos julgamentos, a análise dos casos centra-se sobretudo na prova dos factos que consubstanciam o abuso em si mesmo e pouco se aprofunda o alcance do dano provocado na vítima. É encarado o efeito imediato desse dano, não (como se verifica nestes casos que analisamos nas “comissões de instrução”) esse efeito prolongado numa vida de várias décadas. E, na verdade, as sequelas permanecem bem dolorosas várias décadas passadas desde a prática dos factos.

 

A ilustração do artista TVBoy, sobre os abusos sexuais. Foto: Direitos reservados

Na grande maioria dos casos (não digo que não haja exceções), as vítimas afirmam que lhes custa falar do assunto, mas que, depois, se sentem muito aliviadas, como se se libertassem de um grande peso. Há que ter em conta que, quase sempre, durante décadas não falaram a ninguém (nem aos familiares e amigos mais próximos) dos abusos que sofreram. Quando falaram, não lhe deram qualquer crédito ou até as culpabilizaram. Agora, há alguém que as escuta profundamente, que acredita nelas, que não as culpabiliza (procura mesmo libertá-las de algum sentimento de culpa) e que é sensível à sua dor. Afirmam confiar nessas pessoas que as escutam, o que até então não sucedeu com outras.

Esta escuta dá-lhe coragem para falar do assunto a outras pessoas (uma vítima, depois da entrevista, pela primeira vez falou dele à mulher com quem está casado há décadas). Até então nunca tiveram coragem de falar do assunto a um psicólogo. Agora decidem-se a fazê-lo. Há casos de pessoas já perto dos setenta anos de vida que pela primeira vez na sua vida recebem apoio psicológico (por vezes, também apoio psiquiátrico), um apoio de que desde há muitos anos necessitavam, e não só por causa dos abusos sexuais de que foram vítimas quando crianças ou jovens.

Em muitos casos, o trauma desses abusos sexuais junta-se a outros sofridos ao longo de uma vida de sucessivas tragédias e o apoio de que agora podem beneficiar pode minorar esses sofrimentos acumulados. Dizia uma das vítimas: Até agora na minha vida só houve escuridão, gostaria apenas que ela passasse a ser um pouco cinzenta

Estas entrevistas podem ser um passo de um processo terapêutico, cujos custos são também suportados pela Igreja, muito mais benéfico do que qualquer compensação financeira.

Em todo este processo, o contributo especializado do Grupo Vita tem sido inestimável. Esse contributo junta-se às acções, que também tem realizado nos mais variados organismos da Igreja, de formação na área da prevenção e que já atingiram cerca de três mil pessoas. Uma acção pioneira que escolas públicas pretendem replicar.

Em muitas destas vítimas permanece uma notória animosidade para com a Igreja. Algumas afirmam ter perdido a fé por causa do que lhes sucedeu (e encaram essa perda como um dano, porque acreditavam num Deus que as ama e nessa fé encontravam um sentido para sua vida). Outras levam a animosidade ao ponto de recusarem entrar numa qualquer igreja, até em casamentos e baptizados de familiares. Outras afirmam não ter perdido a fé em Deus, mas apenas a fé na Igreja. Mas também há várias que sabem distinguir o pecado e crime de alguns sacerdotes de muitos outros que vêm como exemplos de bondade, rectidão e coerência.

Tenho de confessar o meu desejo profundo de que todas estas pessoas reencontrassem a fé e se reconciliassem com a Igreja. Para elas próprias seria o maior dos bens (é isso que eu penso sinceramente). Mas a nós cabe apenas compreender e respeitar a sua revolta. Não podemos pretender, ou sequer sugerir, essa reconciliação. Ela há de ocorrer apenas se e quando essas vítimas quiserem.

Pedro Vaz Patto é presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica.

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