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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

27
Fev25

Papa Francisco em estado crítico não faz subir a venda de terços no Vaticano: “No tempo do João Paulo II é que se vendia muito”


Oliveira

Partilho, com a devida vénia, a notícia do jornal "Expresso" que segue sobre o papa Francisco.

(A. Oliveira)

Numa segunda-feira em que a chuva incomoda mas não afasta as filas de turistas que visitam o Vaticano, Alfredo possui uma das poucas bancas de venda de artigos religiosos ainda dentro do perímetro da Praça, logo após os primeiros separadores. Em cadeiras de plástico, junto à pequena banca, estão dezenas de terços com a imagem do Papa Francisco, mas o negócio já não é o que era

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Na entrada da Praça de São Pedro, cidade de Roma, o "amigo" do cardeal Saraiva Martins está desiludido com as vendas dos terços com a imagem de Francisco, porque os turistas "não estão preocupados" com a doença do Papa.

Numa segunda-feira em que a chuva incomoda mas não afasta as filas de turistas que visitam o Vaticano, Alfredo possui uma das poucas bancas de venda de artigos religiosos ainda dentro do perímetro da Praça, logo após os primeiros separadores.

Em cadeiras de plástico, junto à pequena banca, estão dezenas de terços com a imagem do Papa Francisco, mas o negócio já não é o que era. "No tempo do João Paulo II é que se vendia muito. Agora não", diz, recordando as semanas de doença terminal do pontífice polaco, em 2005.

"É só um euro mas poucos compram. Isso também é porque as notícias são melhores. Ele está num limbo e as pessoas acreditam que ele vai melhorar", afirma.

Esta noite, a noite de Francisco foi mais calma, segundo os serviços de imprensa. "Passou bem a noite, dormiu e está a repousar", declarou o Vaticano num breve comunicado.

No domingo, o Vaticano disse que o Papa continua em estado crítico no hospital Gemelli, em Roma, e que alguns exames de sangue indicavam uma insuficiência renal leve, mas sob controlo.

O Papa, de 88 anos, foi hospitalizado no dia 14 de fevereiro, na sequência de uma pneumonia nos dois pulmões e teve uma crise respiratória na sexta-feira, agravando o seu estado de saúde.

Nas ruas adjacentes à Praça de São Pedro e ao hospital estão dezenas de jornalistas e repórteres de imagem, fazendo diretos televisivos ou falando com quem passa, sempre com a abóbada da Basílica em fundo de ecrã.

"Falei o que vim aqui fazer, rezar pela minha família e ver a capela Sistina", diz o suíço Jerome, entrevistado instantes antes por um canal do seu país.

Não é a primeira vez que está em Roma e "não será a última", porque é um sítio "onde se sente a paz que tanto precisamos no mundo", afirma.

A partir desta noite, as orações vão-se sentir mais nas ruas de Roma. Os cardeais residentes na cidade, "com todos os colaboradores da Cu´ria Romana e da Diocese de Roma, recolhendo os sentimentos do povo de Deus, reunir-se-a~o na Prac¸a de S. Pedro a`s 21:00, para a recitac¸a~o do Santo Rosa´rio pela sau´de do Santo Padre", refere o Vaticano.

A oração será presidida pelo secreta´rio de Estado, Pietro Parolin.

Entre os peregrinos que prometem estar presente encontra-se Ivania, ucraniana que veio há três dias de Lviv, para rezar pela paz no seu país e pela saúde do Papa.

"Ele foi muito nosso amigo, tentou sempre ajudar-nos. Estou a rezar por nós e por ele. Que possamos os dois sobreviver", diz a jovem, que tem o marido a combater no Donbass há dois anos.

"Vamos resistir os dois. Mesmo que haja quem não queira", afirma Ivania, que tenciona regressar a casa na quarta-feira.

"Não quero ficar longe da minha Ucrânia. Se tivermos de perder, perdemos juntos", diz.

A alguns metros, perto da ponte de Santo Ângelo, mãe e filho português vieram a Roma pela primeira vez.

"Estamos a fazer um cruzeiro que incluía Roma", diz a mulher, que sabia da situação clínica do líder da Igreja Católica.

"Ele está mal. Esperemos que se recupere, porque tem sido um grande homem", afirma.

Já Micha, uma japonesa de 38 anos que está a fazer uma viagem alargada pela Europa, não sabia sequer que o Papa estava doente.

"Eu não leio muito as notícias. É uma pena, gostava de o ter visto", diz a professora de informática de Tóquio, que incluiu Roma numa viagem que a leva a cinco capitais europeias.

"Mas não Lisboa", diz, sorrindo.

A poucos metros, junto à sua banca de artigos religiosos, que incluem também frasquinhos com água das fontes de Roma, Alfredo nunca foi a Lisboa, mas sabe onde fica a Guarda.

"É a terra do meu grande amigo, o cardeal Saraiva Martins. Um bom homem, um servo de Deus", diz, apontando para uma janela defronte da Praça de São Pedro, onde vive o cardeal emérito, nascido em Gagos de Jarmelo, Guarda, há 93 anos, agora já muito doente.

"Teria sido um grande Papa, mas Deus não quis", desabafa Alfredo.

 

24
Fev25

CANSADOS DE ATURAR OS DESVIOS PROGRESSISTAS


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

União Europeia: Urge fazer um Inventário do Seu Sentido e Papel no Mundo

... A hegemonia cultural e política da esquerda, que moldou o pensamento dominante europeu após as duas grandes guerras, está agora a ser desafiada por forças conservadoras que procuram restaurar valores tradicionais e fortalecer a soberania das nações...

Esta luta envolve um embate entre filosofias marxistas e maoistas, disfarçadas de socialismo moderado progressista e uma filosofia tradicional de reminiscências cristãs...

Ambos representam uma reacção contra uma globalização desenfreada e contra um progressismo radical que tem desestruturado sociedades. Trump, apesar do seu estilo frequentemente controverso, trouxe à discussão a necessidade de reforçar a identidade cultural e económica dos países ocidentais, enquanto Putin aposta na restauração da grandeza russa, dentro de uma lógica de poder tradicional...

A abordagem de Trump, embora brusca e populista, visava reconfigurar alianças e impor uma lógica de negociação mais assertiva, em contraste com a diplomacia ambígua e frequentemente ineficaz das elites globalistas.

A crise na Ucrânia não pode ser analisada apenas na perspectiva de uma agressão unilateral russa. O contexto envolve anos de tensão entre a NATO e a Rússia, a instrumentalização política do conflito e os interesses energéticos e estratégicos das grandes potências...

Já em 2014, no meu artigo Rússia e China – O Eixo da Política do Séc. XXI? alertei para as consequências da ausência de um modelo federado na Ucrânia, atendendo aos novos imperialismos surgentes (1)...

O islamismo, juntamente com o materialismo socialista, emerge como um dos maiores desafios à cultura europeia e os tecnocratas de Bruxelas teimam em ignorar a realidade. Enquanto a esquerda promove estas transformações de forma estratégica, a direita muitas vezes age por indiferença, oportunismo ou ignorância intelectual, contribuindo para a decadência da identidade ocidental.

Desde o movimento de 1968, o Ocidente tem sido alvo de um "marxismo wokista" que assume características ultra-estalinistas e social-fascistas. O islamismo, por sua vez, representa uma ideologia expansionista e combativa, mascarada sob a forma de religião, como pude observar através da observação no cargo de responsável pelas relações públicas no Conselho de Estrangeiros de Kassel e pela análise do Corão, Ahadith (ditos do profeta) e sharia (preceitos)...

No meio de tudo isto, até mesmo os não crentes deveriam reconhecer a importância de preservar os valores ocidentais e apoiar a resistência ao politicamente correcto e à expansão islamista favorecendo a imigração de culturas mais compatíveis com a europeia...

A definição de "valores ocidentais" merece um debate aprofundado. Estes são frequentemente associados a princípios como democracia, liberdade individual, Estado de direito e direitos humanos. Contudo, tais valores têm sido reinterpretados à luz de uma doutrina marxista-maoista e materialista...

Tanto progressistas como conservadores correm o risco de "imperialismo mental" ao justificar intervenções políticas ou militares em nome dos "valores ocidentais". O uso destes valores para legitimar intervenções pode levar a contradições e hipocrisias. O discurso promovido pela NATO e pela UE muitas vezes esconde interesses geopolíticos que não servem verdadeiramente o humanismo cristão europeu...

O Ocidente precisa urgentemente de um debate sério sobre o seu posicionamento global, sobre a sua autoconsciência civilizacional e seu sentido como povo na eminência de enfrentar os desafios que se avizinham.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo e nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9922

24
Fev25

O Debate sobre a Imigração de Refugiados e os Desafios da Democracia


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Ao observar-se as atitudes populares e de governantes na Alemanha poder-se-ia concluir com Schopenhauer: "A vontade é tudo..., mas as suas manifestações tornam-se cada vez mais estranhas."

As eleições federais na Alemanha de 23 de fevereiro de 2025, tiveram como tema dominante da campanha eleitoral a imigração....

Em 2024, foram registados 230.000 pedidos iniciais de asilo e, só no mês de janeiro de 2025, 16.594 novos requerentes entraram no país. Além disso, a imigração ilegal também é um problema crescente, com 84.000 entradas ilegais registadas em 2024....

Em 2024, o subsídio de cidadania foi pago a 5.452.432 pessoas, das quais 2,6 milhões eram estrangeiros, representando 47% dos beneficiários (1).

A Alemanha também enfrenta desafios crescentes relacionados à segurança. Em um ano, foram registados 9.000 ataques com faca no país, uma média de 300 por dia...

A resposta política tem sido marcada por uma polarização irresponsável devida ao total empenho dos partidos por obter o poder a todo o custo sem ter em conta a degradação dos cidadãos e da cidadania...

Enquanto isso, manifestações de grupos de esquerda, como "Avós contra a Direita", mobilizam-se contra o crescimento da AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de direita que tem cerca de 20% das intenções de voto. Entretanto, 75% da população deseja uma mudança profunda na política migratória.

A AfD, estigmatizada pelos partidos tradicionais, tem sido excluída das negociações de governo através de um "muro de fogo" arquitectado pelas forças do arco do poder. Essa estratégia tem levantado questionamentos sobre a saúde da democracia alemã, que parece estar a ser neutralizada por decisões políticas que ignoram uma parte significativa do eleitorado para beneficiarem o status quo partidário.

Curiosamente, a AfD tem feito campanha em turco, tentando atrair o voto de estrangeiros que vivem no país. Um estudo do Centro Alemão de Pesquisa sobre Integração e Migração (DeZIM) revelou que 20% das pessoas com raízes na Turquia, Oriente Médio e África considerariam votar na AfD...

A declaração do Ministro da Saúde Karl Lauterbach, apontando que até 30% dos refugiados têm problemas psicológicos, apenas reforça a percepção de um governo que não prioriza o bem-estar dos cidadãos...

Eventos de carnaval foram cancelados em muitas cidades alemãs, devido ao medo de ataques terroristas islâmicos e às exigências de segurança. Age-se de acordo com considerações políticas e não no interesse do povo. O islamismo na Alemanha fez com que muitas liberdades e costumes tradicionais já fossem abandonados por consideração e medo. A república parece estar cada vez mais fora de serviço para os costumes e para as liberdades genuínas do povo.

A sociedade alemã encontra-se cada vez mais depressiva. Na Alemanha, ocorrem 10.000 suicídios num ano...

Tudo indica, porém, que a Alemanha ao excluir a AfD vai tornar muito instável a governação. A não ser que fosse possível a Merz seguir as pegadas do presidente americano, o que não é provável.

Ódio, seja à esquerda ou à direita, não é opinião — é combustível para o poder estabelecido e erosão da vontade do povo.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em: Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9919

 

12
Fev25

UNIÃO EUROPEIA PROPAGA IDEOLOGIA ISLÂMICA DISCRIMINADORA DA MULHER


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Instituições da UE promovem símbolos islâmicos em materiais de divulgação, gerando controvérsia

Nos últimos anos, instituições da União Europeia têm incluído, em materiais de divulgação, imagens de crianças utilizando lenços de cabeça, um símbolo religioso do Islão. Um exemplo notável ocorreu numa brochura do programa Erasmus+, com a referência "Prémio Europeu para o Ensino Inovador", onde uma criança com hijab foi destacada. Essa prática tem gerado críticas de diversos sectores, incluindo políticos e organizações de defesa dos direitos das mulheres.

A deputada Monika Hohlmeier, do Parlamento Europeu, manifestou-se contra a utilização desses símbolos, argumentando que eles estão associados à opressão religiosa de mulheres e meninas. Segundo ela, "a Comissão está a promover símbolos problemáticos, que perpetuam estruturas de discriminação de género". A corroborar estas críticas, membros do Parlamento Europeu dirigiram-se à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigindo uma revisão dessa abordagem. Os parlamentares afirmam que a banalização de símbolos religiosos, como o hijab, em materiais oficiais da UE, é preocupante e carece de justificação.

A crítica centra-se no facto de que a promoção de vestuário religioso, especialmente em contextos dirigidos a crianças, é de ser interpretada como uma forma de imposição ideológica. A discriminação de género, enraizada em estruturas patriarcais, é um problema global, e mesmo dentro do Islão, os papéis tradicionais de género têm sido questionados. A publicidade de símbolos religiosos em materiais institucionais pode, inadvertidamente, reforçar estereótipos e práticas que limitam a liberdade das mulheres. A política islâmica está consciente que ao controlar a mulher tem o controlo da tradição.  É de lamentar como uma instituição europeia que se mostra tão meticulosa em questões consideradas picuinhas de costumes europeus sirva de propaganda para fomentar discriminação justificada por supremacia cultural islâmica.

Na Alemanha, organizações como a Terre des Femmes, dedicada à defesa dos direitos das mulheres, têm defendido há anos a proibição do uso de véus por crianças em instituições públicas, como creches e escolas. A organização argumenta que o uso precoce do véu pode estar associado a pressões familiares e sociais que restringem a liberdade das meninas. Há relatos de alunas que usam véus e que, por vezes, exercem controlo sobre colegas que não seguem as tradições religiosas. Além disso, algumas crianças são impedidas pelos pais de participar em atividades escolares, como aulas de educação física ou viagens, devido a restrições religiosas. Desta forma parece haver uma política interessada em fomentar o gueto.

A situação expõe uma contradição na sociedade contemporânea: enquanto há um esforço significativo para evitar linguagem discriminatória (como o uso de termos considerados ofensivos, por exemplo, "cigano"), há, ao mesmo tempo, uma querida indiferença em relação a práticas que perpetuam a discriminação de género e a opressão religiosa sob o manto do islão. Essa postura é vista por muitos como hipócrita, uma vez que ignora o impacto real dessas práticas na vida das crianças e na promoção da igualdade entre homem e mulher na vida social.

Em suma, a utilização de símbolos religiosos em materiais institucionais da UE tem levantado questões importantes sobre a neutralidade das instituições europeias e o seu papel na promoção dos direitos humanos e da igualdade de género. A discussão continua, com apelos para que a Comissão Europeia reavalie suas práticas de comunicação, garantindo que estas estejam alinhadas com os valores fundamentais da União Europeia.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9852

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12
Fev25

CIÊNCIA E FÉ SABOREADAS NUM GOLE DE CAFÉ


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

No café da Praça de São João da Madeira, dois amigos de infância, Elias e António, encontravam-se para uma conversa habitual. Elias era um físico apaixonado pela ciência, enquanto António era um filósofo e teólogo dedicado. Entre goles de café, a conversa aprofundou-se sobre uma questão que sempre os intrigara: a relação entre ciência e fé.

— Elias, a ciência tornou Deus supérfluo? — perguntou António, com um tom cético, como quem quer provocar a discussão.

Elias sorriu pensativamente e respondeu:

— A ciência busca entender como o universo funciona, mas isso não significa que tenha todas as respostas. Ela não pode provar nem refutar a existência de Deus porque trabalha apenas com o que é mensurável. Perguntas como "por que existe algo em vez de nada?" ou "qual é a intenção ou sentido último da existência?" ultrapassam os limites do método científico.

António acenou com a cabeça e continuou:

— Exato. E, no entanto, a própria ciência parece apontar para algo além de si mesma. A ordem do universo, as leis precisas que regem tudo, a capacidade que temos de raciocinar e entender a realidade… Isso não sugere uma mente inteligente por trás de tudo?

Elias apoiou o queixo na mão, pensativo:

— Há quem argumente que tudo pode ser explicado por processos naturais, mas admito que a regularidade e a inteligibilidade do universo são fascinantes. Se o cosmos fosse um mero acaso, por que é que ele seguiria leis tão bem organizadas?

António sorriu de forma expressiva:

— E há mais. Se a nossa mente fosse apenas um produto do acaso, como confiaríamos em nossa própria capacidade de compreender a realidade? O fato de podermos raciocinar e fazer ciência sugere que há algo mais do que processos cegos em jogo.

Elias ergueu as sobrancelhas e perguntou com um ceticismo silencioso:

— Mas então, se aceitarmos que pode haver uma causa inteligente, como evitamos cair no dogmatismo?

António inclinou-se ligeiramente para a frente e respondeu com voz firme:

— A fé não deve ser um salto cego, mas sim uma decisão racional baseada em evidências e experiências. Como a ciência, ela também se baseia na busca da verdade. O problema surge quando um lado ignora completamente o outro. Se apenas aceitarmos o que é mensurável, limitamos a nossa compreensão da realidade. Por outro lado, se desprezarmos a razão, caímos na superstição.

Elias deixou o pensamento assentar e acenou lentamente com a cabeça:

— A ciência e a fé são complementares e não contraditórias.

António recostou-se e concluiu com um sorriso satisfeito:

— Sim. A ciência ajuda-nos a entender como o mundo funciona, e a fé ajuda-nos a encontrar um propósito para essa existência. Ambas são necessárias, pois cada uma responde a questões diferentes e usa métodos distintos.

Os dois sorriram, percebendo que, apesar de suas diferenças, estavam em busca da mesma coisa: a verdade. E nessa busca, ciência e fé caminhavam juntas, não como adversárias, mas como aliadas na compreensão do mistério da existência.  E nesta evidência parecia até a realidade irmanar-se no aroma de um novo café que os dois encomendaram ao Garçon do Café Colmeia.

Ao lado na praça, os repuxos de água refrescavam o ar quente do ambiente enquanto pombos, como que internalizando a paixão do debate - num prazer que dura, se repete sem desgaste - corriam atrás das pombas em arrulhos que faziam lembrar o prazer do orgasmo intelectual produzido no nosso diálogo habitual.

Elias e António permaneceram em silêncio por alguns instantes, como que permitindo que as palavras proferidas se dissolvessem no ar, misturando-se ao aroma do café recém-chegado. O líquido escuro e fumegante parecia refletir a profundidade da conversa, como se cada gole fosse um convite a mergulhar mais fundo no abismo das perguntas que seguiriam ad eternum. O café, ali, não era apenas uma bebida, mas um símbolo daquilo que os unia: a busca por sentido no meio do efémero.

António ergueu a chávena, observando a luz do entardecer a refletir-se na superfície líquida do granito da praça e deixava pequenos lampejos dourados, lembrando, por vezes restos de arco-íris.

— Sabes, Elias — disse António, com um tom que parecia ecoar séculos de pensamento — há algo de sagrado neste momento. Não no sentido religioso, mas no sentido de que estamos diante de algo que transcende o cotidiano. Este café, esta praça, esta conversa... são como momentos kairós, pequenos fragmentos de eternidade.

Elias inclinou a cabeça, como se tentasse decifrar um enigma.

— Eternidade? — perguntou, com um sorriso que incorporava cepticismo e curiosidade.

— Sim — respondeu António, com um brilho nos olhos. — A eternidade não precisa de ser algo distante, inalcançável. Ela pode estar aqui, neste instante, na maneira como o tempo parece suspender-se quando duas mentes se encontram irmanadas em diálogo ou dois corpos se unem num só.  Sim, a ciência pode medir o tempo, mas não pode aprisionar o seu sabor.

Elias riu suavemente, como quem reconhece a beleza de uma metáfora bem colocada.

— Então, estás a dizer que a eternidade tem o sabor de um café?

— Por que não? — respondeu António, com um gesto teatral. — O café é feito de grãos que nasceram em solos distantes, foram colhidos por mãos que talvez nunca conheçamos, torrados e moídos em processos que envolvem tanto a precisão da ciência quanto a arte do mestre torrador. E agora, aqui está, nesta xícara, servindo de ponte entre nós. Não é isso a eternidade? Uma conexão que transcende o tempo e o espaço à semelhança de um clímax?

Elias olhou para o café, como se o visse pela primeira vez.

— Nunca pensei nisso — admitiu. — Mas faz sentido. A ciência explica o processo, mas não consegue capturar a experiência. A fé, por outro lado, permite-nos saborear o que está para além do processo, sim, porque a sua essência é relação.

António anuiu, satisfeito, recordando-se de Tomás de Aquino.

— Exatamente. A ciência diz-nos como o café foi feito, mas é a fé (experiência do encontro) — ou, se preferires, a poesia — que nos permite apreciar o seu significado.

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som dos repuxos de água na praça, cujos jorros pareciam dançar ao ritmo de uma música invisível. Os pombos, agora mais calmos, arrulhavam em coro, como se fossem testemunhas daquele diálogo que transcendia o mundano. O ar quente do fim de tarde carregava consigo o cheiro das árvores que rodeavam a praça, misturando-se ao aroma do café e criando uma sinfonia de sensações.

Elias olhou para António, com um brilho de admiração nos olhos.

— Sabes, António, às vezes penso que a tua mente é como um labirinto. Cada vez que entro nela, descubro novos caminhos, novas perspectivas.

— E a tua, Elias — respondeu António, com um sorriso — é como um telescópio. Permite-nos ver além do que é visível, explorar os confins do universo.

Ambos riram, e o som das suas gargalhadas misturou-se ao arrulhar dos pombos e ao rumor das águas. Naquele momento, parecia que a própria praça conspirava para celebrar a harmonia entre ciência e fé, entre razão e poesia.

Elias ergueu a chávena, como se fosse em brinde a unir os dois.

— À eternidade, então. E ao café, que nos lembra que ela pode estar mais perto do que imaginamos.

António fez o mesmo, e os dois beberam em silêncio, saboreando não apenas o café, mas a profundidade daquele instante.

Enquanto o sol mergulhava no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e purpúreos, os dois amigos permaneceram ali, sentados no café da praça de São João da Madeira, unidos pela busca da verdade e pela certeza de que, no fundo, ciência e fé são duas faces da mesma moeda — uma moeda cujo valor não se mede em números, mas em significado.

E, assim, enquanto o dia se transformava em noite, o aroma do café continuava a pairar no ar, como um testemunho silencioso daquela conversa que, talvez, tivesse tocado os limites da compreensão e do eterno.

António da Cunha Duarte Justo

“Flashes de vida”

Pegadas do tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9854

12
Fev25

Diálogo de culturas


Oliveira

Com a devida vénia, transcrevemos para os leitores do nosso Blog o artigo que segue, do Dr. Pedro Vaz Patto, que explicitamente o partilhou connosco.

(A. G. Pires)

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Opinião de Pedro Vaz Patto

Uma cultura nacional não é algo de monolítico e estático, mas é bem real.

A propósito de declarações de um político relativas à relação dos imigrantes com a cultura portuguesa, houve quem as contestasse dizendo que desses imigrantes só se pode pretender que respeitem a Constituição e as leis que nos regem, pois é só esse respeito que nos acomuna a nós portugueses, tão diferentes que somos nas ideias e nos hábitos a que aderimos.

Esta ideia de que só temos em comum a Constituição e as leis que nos regem, levada a sério e às suas últimas consequências (o que talvez até nem tenha sido intenção de quem a afirmou) põe em causa a própria existência de uma cultura portuguesa e, até mesmo, de uma nação portuguesa (só haveria um Estado, não uma nação).

Não pode ser apenas o direito positivo a cimentar aquela coesão social e sentimento de pertença comunitária que nos identificam como portugueses. Para essa coesão e esse sentimento contam uma memória comum que atravessa os séculos e um destino comum que queremos partilhar. Não se trata apenas de tradições gastronómicas e apoio a selecções desportivas. Está em causa, desde logo. a língua com que nos entendemos e tudo o que isso implica. Da cultura portuguesa não podem apagar-se as suas raízes cristãs e católicas, o que não significa que um não católico seja menos português. Uma cultura nacional não é algo de monolítico e estático, mas é bem real.

E que tem isto a ver com a integração dos imigrantes?

Essa integração não significa que cada imigrante, para além do respeito pelas leis que nos regem, deva aderir à cultura portuguesa e rejeitar a sua própria cultura de origem, segundo um modelo de assimilação. Devem ser aceites todas as expressões dessa cultura (incluindo as práticas e sinais de identificação religiosos) que não sejam objectivamente contrárias à dignidade humana (porque esta está acima das culturas e não se compadece com o relativismo). Mas também não se poderá falar em integração quando as comunidades imigrantes se fecham como num gueto, sem espaços comuns de convivência e diálogo com a comunidade do país de acolhimento. Foi esse modelo multiculturalista que Ângela Merkel considerou ter fracassado na Alemanha.

É, por isso, legítimo pretender, não que todos os imigrantes adiram à cultura portuguesa, mas certamente que a conheçam e respeitem. Do mesmo modo que os portugueses devem conhecer e respeitar a cultura de origem dos imigrantes que devem ser acolhidos não certamente como simples mão de obra economicamente necessária. Este diálogo de culturas é mutuamente enriquecedor, como o pode comprovar a história dos portugueses que se espalharam pelo mundo deixando um legado que perdura até hoje (quem, por exemplo, visite Goa e as suas igrejas pode comprová-lo).

Esta ideia (de que a abertura a outras culturas proporcionada pelas migrações é enriquecedora) é afirmada com ênfase na encíclica Fratelli tutti do Papa Francisco.

Nessa encíclica se afirma: «Uma pessoa e um povo só são fecundos se souberem criticamente integrar no seu seio a abertura aos outros» (n. 41). A globalização não deve uniformizar e destruir «a riqueza e singularidade de cada pessoa e de cada povo» (n. 100).

Mas uma cultura que se fecha pode sofrer de “esclerose”. «As várias culturas, cuja riqueza se foi criando ao longo dos séculos, devem ser salvaguardadas, para que o mundo não fique mais pobre»; «(…) porém, sem deixar de as estimular a que permitam surgir de si mesmas algo de novo no encontro com outras realidades» (n. 134). «Não me encontro com o outro se não possuo um substrato onde estou firme e enraizado, pois é a partir dele que posso acolher o dom do outro e oferecer-lhe algo de autêntico»; «cada qual ama e cuida, com particular responsabilidade, da sua terra e preocupa-se com o seu país, assim como deve amar e cuidar da própria casa» (n. 143).

Porém: «Ao olhar para si mesmo do ponto de vista do outro, de quem é diferente, cada um pode reconhecer nele as peculiaridades da sua própria pessoa e cultura, as suas riquezas, peculiaridades e limites»; «as outras culturas não constituem inimigos de quem seja preciso defender-se, mas reflexos distintos da riqueza inexaurível da vida humana» (n. 147); «uma sã abertura não ameaça a identidade, porque ao enriquecer-se com elementos doutros lugares, uma cultura viva não faz uma cópia nem mera repetição, mas integra as novidades, segundo modalidades próprias», o que provoca «o nascimento de uma nova síntese, que, em última análise, beneficia a todos» (n. 148).

Isto é assim, porque nenhum «povo ou cultura pode obter tudo de si mesmo» (n. 150).

Em conclusão: «Toda a cultura saudável é por natureza aberta e acolhedora, não estática» (n. 146). Está aqui a resposta do Papa Francisco aos receios de que se percam as riquezas das identidades nacionais e culturais (que ele de modo algum ignora ou despreza) com a convivência e diálogo, proporcionados pelas migrações, com outros povos e culturas.

10
Fev25

SUBLIMIDADE HUMANA SOBRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


Oliveira

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

(A. G. Pires)

Ferramentas como o DeepSeek e o ChatGPT são, na verdade, apenas ajudas criadas para facilitar a vida das pessoas. A Inteligência Artificial (IA) é poderosa, mas não consegue sentir, sonhar ou amar. Ela pode ajudar-nos a enxergar para além do que vemos da nossa janela, mas nunca será capaz de substituir o ser humano que é único e insubstituível.

É uma ferramenta útil, mas não é um fim em si mesma. Ela só consegue reproduzir ou combinar ideias que já existem, usando as informações que recebe. Por outro lado, os seres humanos têm a capacidade de criar coisas completamente novas, inspirados por emoções, experiências e intuições. A IA não tem consciência de si mesma nem do mundo ao seu redor. Ela não reflecte sobre sua existência ou sentimentos, algo que os humanos fazem naturalmente.

Por exemplo, a IA não consegue entender sentimentos profundos como amor, compaixão ou alegria, porque não tem emoções. Ela pode até simular esses sentimentos, mas nunca os sentirá de verdade. Além disso, a IA não tem intuição nem capacidade de improvisar. Ela segue regras pré-programadas e não consegue lidar com situações que exigem interpretações subjectivas ou decisões baseadas em emoções.

Outra diferença importante é que a IA não tem criatividade verdadeira. Ela pode gerar conteúdos impressionantes, mas sempre com base em padrões já existentes. Já as pessoas são capazes de criar arte, música, literatura e inovar de formas completamente inesperadas. A criatividade humana foi o fogo que o criador comunicou e vem da intuição, dos erros e das emoções – coisas que a IA não experimenta.

A IA também não tem espiritualidade nem sente a necessidade da busca do sentido da vida nem do seu significado. Ela não tem desejos, crenças ou uma procura existencial, como os humanos têm. Além disso, a IA não pode assumir responsabilidade por suas ações, pois não tem consciência. Ela pode tomar decisões com base em dados, mas a responsabilidade ética e moral sempre será das pessoas que a criam e usam.

Em resumo, a IA é uma ferramenta incrível, mas nunca será como o ser humano. A capacidade de sentir, criar, amar e buscar significado é o que nos torna únicos e insubstituíveis. Por isso, o homem sempre manterá a supremacia sobre a Inteligência Artificial.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9839

10
Fev25

GOLPE NA PROPAGANDA WOKE E NO ETABLISSMENT POLÍTICO


Oliveira

Por razões de doença, estivemos na paragem à espera do autocarro da saúde.

Graças a Deus as melhoras já permitem a retoma dos contactos com os leitores do nosso Blog.

Agradecemos a paciência, carregada de ESPERNÇA neste ANO SANTO do JUBILEU.

A.G.Pires

Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…

A. G. Pires

 

A USAID licencia quase todos os funcionários!

 

A USAID (Agência de Assistência ao Desenvolvimento dos Estados Unidos) criticada por Elon Musk como "um ninho de víboras de marxistas radicais de esquerda" recebeu uma machadada na sua raiz por comando de Trump! O Presidente dos EUA, Donald Trump, confiou a Musk a tarefa de reduzir a despesa pública.

A USAID começará a licenciar funcionários nos Estados Unidos e em todo o mundo a partir de 7 de fevereiro de 2025, informou a agência no seu site

Os funcionários no estrangeiro devem voltar para os EUA no prazo de 30 dias.

Esta de se começar a tocar numa instituição como a agência USAID exige realmente muita coragem e pouco medo pela própria vida, dado o que está aqui em causa não ser apenas o problema dos empregos dos dinheiros públicos, mas sobretudo o comprometimento do établissement político americano também em sabotagens no desenvolvimento das políticas de Estados que se pensavam soberanos; se levarem a questão a fundo  não ficará pedra sobre pedra e haverá muito que contar e recontar!

A progressiva revelação do escândalo da USAID (agência da CIA) e sua implicação no suborno de política e do jornalismo a nível mundial, (fomento da esquerda Woke, ONGs), provocará uma verdadeira revolução mental no âmbito político internacional! A colaboração Musk-Trump dá um passo em frente na passagem do discurso público hipócrita para uma nova cultura da discussão mais honesta e transparente. Naturalmente, a formatação sistemática de públicos  pela esquerda Woke, e ONGs, reagirá desesperadamente contra Trump e Musk, focando o discurso apenas para os seus erros e exageros!

'Estas são algumas das prioridades insanas' financiadas pela USAID: Karoline Leavitt: https://www.youtube.com/watch?v=Pdw31c6HPCI

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9831

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