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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

28
Nov23

A PACIÊNCIA NECESSÁRIA


Oliveira

Partilho o texto de oração e meditação do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado hoje pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

       Ensina-nos, Senhor, a arte de modelar os dias com a paciência necessária para que o florescimento da vida se dê, em nós e nos outros, sem ansiedade ou sobressalto, mas com a sabedoria de valorizar os pequenos passos e os gestos apenas esboçados.

    Ensina-nos, Senhor, a transformar a pressão por resultados em capacidade de reconhecimento, escuta e espera, aceitando que o nosso papel não é apressadamente substituirmo-nos aos outros, mas é sustê-los com delicadeza e esperança nos seus próprios processos.

       Ensina-nos a não fazer depender de nós exclusivamente a solução, como se para nós fosse fácil o que para os outros é difícil ou fosse imediato o que os outros precisam de mais tempo para chegar. No fundo, sabemos que não é assim. Que todos precisamos daquela lentidão propícia ao discernimento e de um entrecruzar polifónico e diversificado de fios sem o qual não alcançamos nunca a compreensão do conjunto.

         Ensina-nos, Senhor, a buscar não unicamente o nosso bem, mas o bem comum; não apenas a nossa satisfação pessoal, mas a harmonia mais vasta que nos faz entrar em relação; não apenas a realização dos objetivos que nos colocamos, mas também daqueles que só no encontro com os outros descobrimos.

          Ensina-nos a ser mensageiros credíveis da alegria e a acreditar que ela é acessível e possível e passa das nossas mãos às mãos dos outros sem esforço, sempre que o desejamos.

         Cardeal José Tolentino de Mendonça
         27.11.2023

24
Nov23

SOLENIDADE DE CRISTO-REI - Ano A


Oliveira

Sugestão da homilia para a SOLENIDADE DE CRISTO REI - Ano A - 2023 

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei e Bom Pastor

Domingo, 26 de Novembro de 2023

Irmãos, celebramos neste domingo Jesus Cristo, Senhor e Rei do Universo. Que significa esta celebração, este título?

  1. Jesus Senhor do Universo. Rei de Amor

     Reflectimos sobre o evangelho. Jesus é Rei do Universo porque é o Filho de Deus que se fez um de nós, para nos salvar. O evangelho deste domingo mostra-nos Jesus que nos julgará no fim dos tempos, sobre a nossa atitude para os pobres, os que passam fome, os que têm sede, os desprotegidos, e dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, não tinha roupa e destes-me de vestir”. E explica a seguir: “Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus, 25, 31-46).

      Podemos dizer que Ele é Senhor da História, e exerce a sua realeza em toda a humanidade. O Concílio Vaticano II aplica a Jesus esta expressão: “Alfa e Ómega, Princípio e fim”; estas letras são a primeira e a última do alfabeto grego (A Igreja no mundo contemporâneo, n. 45). Jesus é o princípio e o fim de tudo.

     Mas convém considerar: Jesus é também Rei de amor, que nos salva com o seu sangue. E quando Jesus foi julgado por Pilatos, disse estas palavras: “Sou Rei, mas o meu reino não é deste mundo” (João 18, 36-37).

     Ele merece a nossa confiança. É nosso Rei de Amor. Recordo o testemunho de uma pessoa distinta que foi da nossa sociedade portuguesa. Na sua última crónica de jornal, poucas horas antes de morrer, escreveu: «Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil (a sua doença). Conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. Seja qual for o desfecho, (da doença dela) como o Senhor é meu Pastor, nada me faltará"» (Maria Nogueira Pinto. Faleceu essa nobre senhora no dia 6 de Julho de 2011, e a sua crónica apareceu na imprensa no dia seguinte, com este comentário: “Faz-nos falta”).

  1. Deus Bom Pastor

     A primeira leitura, do profeta Ezequiel, conduz-nos a Deus, como Bom Pastor. No Antigo Testamento era importante o conhecimento de Deus único, para evitar os ídolos. Era importante ver Deus como Bom Pastor, a merecer a confiança do povo.  O profeta Ezequiel diz-nos estas palavras de Deus: “Eu apascentarei as minhas ovelhas e as levarei a repousar … Hei de procurar a que anda perdida… Tratarei a que estiver ferida…” (Ezequiel, 34,15). O profeta quis dizer ao povo exilado na Babilónia: confiai em Deus, único Senhor, o Bom Pastor. Mostra-nos Deus a cuidar do seu povo: “tratarei a ovelha que estiver ferida”.  

     Esta imagem de Bom Pastor convida-nos à confiança. É importante para o povo se aproximar de Deus. Às vezes agarramo-nos a outros pastores: a riqueza, o poder. Rezamos, com o salmo 22: “O Senhor é meu Pastor: nada me há de faltar”.

  1. Jesus Cristo dá-nos a vida plena

     São Paulo, na Carta à Comunidade de Corinto, na Grécia, mostra-nos o sentido glorioso de Jesus, que nos faz participantes da sua vida plena de ressuscitado. Diz assim: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram”. Ou seja: como Jesus ressuscitou, também nós havemos de ressuscitar. Nós, irmãos de Cristo ressuscitado, também tomaremos parte no seu triunfo total, no reino da glória. Visão grandiosa de Jesus, na carta de Paulo aos Coríntios, para a nossa fé. Jesus dá-nos a vida plena. A sua vida de ressuscitado.  

     Jesus, Rei, Senhor, chama-nos a uma vida de fé, fazendo o bem. Disse o Papa Francisco: “os pobres são o nosso passaporte para o paraíso”. (Papa Francisco, no dia do pobre, 19.11.2017). A nossa vida deve ser doação.

Pe. AAntónio Gonçalves, SDB

24
Nov23

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia, o que segue:

(A. G. Pires)

O sacramento do altar

e o sacramento do irmão

«O importante é ter alguém que repara em ti, te olha no rosto e te convida a comer não como um hóspede, mas como um familiar.» Os pobres são coisa da Igreja. Não são apenas sua clientela ou beneficiários das suas substâncias: a Igreja não vive plenamente o seu mistério se dela os pobres estão ausentes. Não pode existir comunidade cristã sem diaconia, isto é, serviço de caridade, que por sua vez não pode existir sem celebração da Eucaristia. As três realidades estão ligadas entre elas: comunidade, Eucaristia, diaconia dos pobres.

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Os dias do tempo (24.11.2023) [Imagem Áudio]

«Senhor, que o isolamento do corpo nunca signifique isolamento da alma, antes o contrário: que se agigante, a alma, revelando a sua condição de transparência e de bondade, pois é para isso que nos criaste.» Palavras, imagens e música para dar sentido às horas deste dia.

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11
Nov23

32.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A


Oliveira

Sugestão da homilia para o TRIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A - 2023 

Estar vigilante

Domingo, 12 de Novembro de 2023

  1.             Estar vigilantes: as dez virgens para as bodas do noivo

                 A parábola das dez virgens, contada por Jesus, tem um grande significado. O noivo dirigia-se à casa da noiva, a fim de a convidar para a grande festa do casamento.

     A parábola mostra-nos cinco virgens com as lâmpadas acesas à espera do noivo: significam as pessoas que têm uma vida cristã atenta à sua fé em Jesus Cristo.

     E mostra as cinco virgens que eram distraídas, com falta de azeite para as lâmpadas: significam as pessoas que não pensam na sua vida com Jesus Cristo.  

    Esta imagem tem sentido escatológico, convidando à vigilância para a segunda vinda de Jesus no fim dos tempos.    

     Mas refere-se também ao nosso dia-a-dia. Jesus quer encontrar a Igreja, sua esposa, com as lâmpadas acesas, para O receber. O noivo, Jesus, vem ter connosco, com desejo de nos salvar. Assim diz Jesus no Evangelho de São Mateus: Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus, 28, 16-20); e Jesus, no Apocalipse de São João: “Estou à porta e bato, Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo... (Apocalipse 3, 20).  

     Jesus vem todos os dias ter connosco. Com o seu amor, chama-nos a estar vigilantes para O receber. A Igreja é a esposa de Jesus. A Igreja somos nós. Imagem muito bela.

  1. Estar vigilantes segundo o livro da sabedoria      

     A primeira leitura é do livro da Bíblia, chamado Sabedoria. O que é a sabedoria? É luz, para escolhermos o caminho. Diz o texto: A sabedoria é luminosa; dá-se a conhecer a quem a deseja; meditar sobre ela é sabedoria consumada”.

     É sábio quem orienta a vida segundo o desejo de Deus, com prudência, ponderação, escolhendo o caminho certo. A sabedoria “é luminosa”. Dá-nos luz para caminhar. É bom procurar essa luz.

     Um exemplo de sabedoria e vigilância: Francisco Xavier sonhava com a carreira das letras, e ambicionava a glória, o brilho na vida em sociedade. E nessa busca de grandeza dirigiu-se a Paris. Ali encontrou-se com um homem experiente de Deus, Inácio de Loyola, que lhe fez esta pergunta: “E depois?”. Francisco meditou, e veio a ser São Francisco Xavier, grande missionário na Índia, em Goa, onde se encontra o seu jazigo muito visitado. Francisco viveu a sabedoria, a vigilância.

     3 - Estar vigilante para a vida eterna

     São Paulo encontrou nos cristãos de Tessalónica alguma confusão acerca da vida e da ressurreição. E diz a essa comunidade: “Se acreditamos que Jesus ressuscitou, do mesmo modo Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido”. Paulo faz apelo a acreditarmos em Jesus ressuscitado e a acreditar na nossa ressurreição.

     Talvez os muitos afazeres no mundo do trabalho nos levem a esquecer o que é mais necessário: a vida com Deus, “quando uma só coisa é necessária” (Lucas 10, 42). Isto disse Jesus a Marta, atarefada em receber Jesus, enquanto Maria estava junto do Mestre escutando a sua palavra.

     Claro que precisamos da ação na vida, e não só da contemplação: somos corpo e alma. Mas esta frase de Jesus: “quando uma só coisa é necessária” quer indicar-nos como é importante a nossa vida com Deus. Estar vigilantes, preparados.

     Podemos usar uma imagem familiar: se devo tomar um transporte, olho ara o relógio, para não perder a viagem.  

     Santo Agostinho sentia assim: “Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se (Tu) não estivesses em mim…”. Agostinho viveu muitos anos às escuras, sem vigilância. Depois sentiu a presença de Deus na sua vida, e não mais se afastou d’Ele (Santo Agostinho, Confissões, 1ª parte cap. II).

     Pedimos ao Senhor para estar vigilantes, e assim entrarmos no seu banquete.

Pe. António Gonçalves, SDB

08
Nov23

ORAÇÃO DO OUTONO


Oliveira

Partilho o texto da oração e meditação do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado hoje pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Ensina-nos, Senhor, a arte paciente do amadurecer, que pode ser dolorosa e bela ao mesmo tempo; e que ainda quando vivida em companhia não deixa de nos dar a exacta consciência da nossa incompletude e da nossa solidão.

Ensina-nos a não temer as transformações da travessia: as alterações que cada tempo determina dentro e fora de nós; a surpresa que, por vezes, nos sobrevém de olharmos o nosso rosto no espelho ou de reconhecermos a hesitação do nosso rastro no caminho.

Ensina-nos a aproveitar tudo, avizinhando sempre o nosso coração mais da gratidão que do desânimo e do rancor. A reaproveitar aquilo que ficou apenas esboçado; o que guardamos para depois e nos esquecemos; o que ficou combinado e não se cumpriu; o que por alguma razão consideramos inutilizável, mas do qual não nos desfizemos.

Ensina-nos, Senhor, a alegria que pode haver na celebração não apenas do muito, mas também do pouco; a acender os dias com aquilo que restou, mesmo se nos parece distante do que já foi; a congratular-se com aquilo que é possível; a comover-se com aquilo que os outros podem dar, ainda que não coincida com o havíamos pensado.

Ensina-nos que a fragilidade pode ser uma forma de fulgor como nos segredam as folhas que se desprendem. Elas não se precipitam contra o chão, mas baloiçam desenhando uma entrega; e, quando se entregam, descobrem que afinal se prolongam.

Ensina-nos a acarinhar os frutos, mesmo os que se escondem detrás de uma casca rugosa ou os que cresceram em nós, mas que nós não veremos e caberá a outros colher.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
6.11.2023

06
Nov23

TOMAR O LUGAR DE DEUS


Oliveira

Embora esteja publicado no jornal A VOZ DA VERDADE, é com muita consideração que se disponibiliza no Blogue da COPAAEC, para facultar aos nossos leitores esta peça de reflexão, agradecendo ao Autor do texto.

AGPires

A propósito da exortação apostólica Laudate Deum, parece-me de salientar o que do seu conteúdo representa o contributo específico do magistério doutrinal da Igreja, aquilo que responsáveis e agentes políticos não dirão. Tal contributo está contido no que nela se afirma sobre as motivações espirituais do cuidado da “casa comum”. É significativa, a este respeito, a afirmação com que termina esta exortação apostólica: «Laudate Deum (Louvai a Deus) é o título desta carta, porque um ser humano que pretenda tomar o lugar de Deus torna-se o pior perigo para si mesmo». Expressão desta postura é aquilo a que o Papa Francisco designa como “paradigma tecnocrático”, isto é, a ideia de que não há limites para a utilização da técnica ao serviço da ambição do ser humano: «Tudo o que existe deixa de ser uma dádiva que se deve apreciar, valorizar e cuidar, para se tornar um escravo, uma vítima de todo e qualquer capricho da mente humana e das suas capacidades» (LD, n.º 22). A esta mentalidade, há que substituir outra, que vê na criação uma dádiva e um sinal da bondade e beleza de Deus («Deus, vendo a sua obra, considerou-a muito boa» - Gen 1. 31).

Estas considerações servem para motivar a protecção do ambiente físico, mas não só. São pertinentes também no âmbito daquilo que se vem designando como “ecologia humana”, a ecologia relativa aos âmbitos da vida, da sexualidade e da família. Também neste âmbito se evidencia a pretensão do ser humano se substituir a Deus, negando e destruindo o desígnio da Criação na sua beleza e harmonia. Expressão clara dessa postura é a de, à luz dos pressupostos da ideologia do género, pretender modificar o sexo que se considera “atribuído à nascença” em nome da prevalência do género autopercepcionado, recorrendo para tal a tratamentos com hormonas do sexo oposto, bloqueadores da evolução pubertária e cirurgias de reatribuição do sexo.

Vem a propósito recordar o projecto actualmente em discussão na Assembleia da República relativo à implementação nas escolas do chamado “direito à autodeterminação da identidade e expressão de género” (consagrado na Lei n.º 38/2018, de 7 de agosto). Essa implementação vai sempre no sentido da promoção da “transição social da identidade e expressão de género” (desde logo através da utilização obrigatória dos pronomes correspondentes ao género autopercepcionado), transição que (mesmo que a lei fixe idades mínimas para tal), há de levar à opção no futuro mais ou menos próximo da pretensa “mudança de sexo” nos planos fisiológico e anatómico.

Um documento recente da associação dos médicos católicos norte-americanos (https://www.cathmed.org/resources/the-ideology-of-gender-harms-children)  analisa esses procedimentos relativos à pretensa “mudança de sexo” à luz da doutrina católica e da ética médica, salientando as suas consequências nefastas. Estas compreendem-se precisamente porque está em causa a rutura de um equilíbrio natural e “ecológico”.

Nesse documento salientam-se aspectos da doutrina católica que esses procedimentos contrariam: que os seres humanos são criados por Deus homem e mulher; que a complementaridade dos dois sexos e a sua união como origem da vida fazem parte do desígnio de Deus; que o corpo é uma dimensão intrínseca da pessoa humana; que rejeitar o corpo é rejeitar um dom de Deus e uma forma de rebelião contra a Criação; que o corpo deve, por isso, ser respeitado e cuidado; que esse respeito deve estender-se à diferenciação sexual e sua finalidade; que ninguém tem direitos ilimitados sobre o corpo.

Salienta também esse documento princípios da ética médica que esses procedimentos relativos à pretensa “mudança de sexo” também contrariam: não respeitam o princípio da não maleficência; traduzem-se numa mutilação e não num verdadeiro tratamento, pois estamos perante órgãos saudáveis e funcionais que não causam danos e não ameaçam todo o organismo; não podem ser ignorados e ocultados as consequências irreversíveis, os riscos e os efeitos colaterais em causa (que levaram a um recuo do recurso a esse procedimentos em países como o Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e a França). A perturbação da identidade de género em crianças e adolescentes deverá ser enfrentada a partir de um amor incondicional para com elas e seus pais no respeito da verdade da pessoa humana como unidade de corpo e espírito e com recurso à psicoterapia. 

Todos estes aspectos não estão a ser devidamente considerados pelos nossos deputados, que se preparam para aprovar (numa indiferença quase geral) o referido projecto relativo à implementação nas escolas do chamado “direito à autodeterminação da identidade e expressão de género”. Trata-se de mais um passo no sentido da penetração da ideologia do género no sistema de ensino, que, além do mais, contraria os princípios consignados no artigo 43.º, n.º 2, da Constituição (sobre a neutralidade ideológica desse sistema) e o artigo 26.º, n.º 3, da Declaração Universal dos Direitos Humanos (sobre a prioridade do direito dos pais quanto à educação dos seus filhos).

Pedro Vaz Patto

04
Nov23

31.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A


Oliveira

Sugestão da homilia para o TRIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano A - 2023 

Vida cristã autêntica

Domingo, 5 de Novembro de 2023

    Irmãs e irmãos, quando as pessoas vão ao mercado, procuram ver se o produto é bom para adquirir: fruta de qualidade; tecido autêntico; calçado seguro. Assim também devemos procurar uma vida cristã autêntica, em plenitude.   

  1. Vida cristã na Aliança com Deus

     Na primeira leitura vemos o profeta Malaquias preocupado. Qual o motivo? É que o povo regressado do cativeiro da Babilónia tinha baixado o nível da sua vida moral. Havia corrupção, injustiça, perda da Aliança com Deus. E o mal de tudo onde estava? Nos sacerdotes. Diz assim o profeta: “Sacerdotes…, vós desviastes-vos do caminho, fizestes tropeçar muitos na lei… destruístes a Aliança”. E nós pensamos: os sacerdotes deviam ser os guias espirituais do povo, mas fizeram o contrário: “destruíram a aliança”.

     Nós, irmãos, pela misericórdia de Deus, não estaremos nesse caso? Queremos ser verdadeiros, autênticos cristãos nas palavras e nas obras?

       Temos histórias de famílias exemplares. Vou recordar uma, do século XIX: é a família de Tersa de Lisieux, ou Teresa do Menino Jesus. Os pais, Luís Martin e Zélia Gérin criaram um ambiente cheio de fé e amor na família. São declarados santos. Ambos levaram uma vida espiritual intensa, com missa diária, e algumas das suas filhas ingressaram na Ordem carmelita.

     Também em nossos dias conhecemos famílias de vida cristã autêntica, espelho de fidelidade a Deus. Têm em casa um pequeno lugar de oração, com um crucifixo, uma imagem, uma vela. Procuram viver a religião autêntica (cf.  Teresa Pawer, Em Tua Casa, Paulus 2017). O profeta aconselha-nos a seguir os caminhos do Senhor. É edificante o testemunho de muitas famílias, hoje, fiéis ao seu compromisso cristão.  Graças a Deus.

  1. Vida cristã na caridade e na fé

      Temos o bom exemplo narrado por São Paulo na segunda leitura, carta aos Tessalonicenses: Vós acolhestes a nossa palavra, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus, que permanece activa em vós, os crentes. Paulo tinha bastante consolação nesta comunidade de Tessalónica, que era verdadeira na caridade, na fé: “em vós, os crentes”, diz a leitura. Esta página é muito bela, e Paulo mostra gosto em dizer à comunidade: eu fui para vós um pai e uma mãe. Diz assim: “Eu tive desvelo de mãe” (1 Tessalonicenses 2, 7). Sente-se feliz. Um bom exemplo para os pais, educadores, dirigentes, os que desempenham ministérios na Igreja: catequistas, ministros da comunhão: são como pais espirituais.

      Irmãos, se todos forem bons cristãos, não haverá corrupção, nem terrorismo, nem incendiários; nem desigualdades gritantes quanto aos bens do mundo.

  1. Vida cristã longe da hipocrisia

     Jesus, neste evangelho (Mateus, 23, 1-12), tem palavras contra a vida de maus fariseus, por motivo de um grande defeito que é a hipocrisia. Jesus disse estas duras palavras: “Tudo o que eles fazem é para serem vistos…”.  Ora isto é hipocrisia. São Paulo apresenta-se como humilde trabalhador: “Foi a trabalhar noite e dia …, que vos pregamos o Evangelho de Deus”

     Mas nós sabemos também que alguns fariseus eram bons: ofereciam a refeição a Jesus e aos apóstolos; o fariseu Nicodemos, membro do tribunal, procurava a verdade, foi ter com Jesus de noite, e os dois tiveram um belíssimo diálogo. Também Gamaliel: pertencia ao Sinédrio, foi mestre de Paulo. E quando os magistrados queriam condenar os apóstolos, Gamaliel levantou-se e disse: “Homens, vede bem o que estais a fazer…”. E os apóstolos foram libertados (Atos dos Apóstolos, 5, 33-38); José de Arimateia, membro ilustre do Sinédrio, tornou-se discípulo de Jesus, e quando Jesus morreu deu-lhe uma sepultura nova.    

      Nós queremos ser verdadeiros na prática da vida cristã. Que o Senhor atenda este nosso desejo.

Pe. António Gonçalves, SDB

04
Nov23

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia, o que segue:

(A. G. Pires)

Precisamos de uma teologia

que saiba mais a carne e a povo,

aponta papa Francisco

A tarefa da teologia não pode limitar-se a uma sistematização ordenada de ideias e conceitos. Devemos sempre estar vigilantes contra o fantasma do racionalismo iluminista, que nos conduz a organizar os conteúdos da fé, reduzindo-a, no entanto, a uma teoria distanciada da realidade concreta, da história do povo em que está mergulhada, das perguntas da vida e das feridas dos pobres. Pelo contrário, não se pode esquecer que o cristianismo tem o seu centro vital na incarnação de Deus em Jesus, que para muitos continua a ser um escândalo e que somos sempre tentados a adocicar a favor de uma “fé intelectual” e muitas vezes burguesa.

Saiba mais

 

03
Nov23

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia, o que segue:

(A. G. Pires)

 

«O maior de entre vós será o vosso servo»

 

A Palavra de Deus põe-me entre a espada e a parede: sou, eu também, como escriba e fariseu, alguém que diz mas não faz? Cristão de substância ou de fachada? Uma “pergunta do coração”, daquelas que fazem viver: sou um falso que não é aquilo que diz e não diz aquilo que é, ou pessoa verdadeira, realizada, em quem coincidem anúncio e anunciador? Há golpes duros nas palavras de Jesus; mas de cada vez que isso acontece, o propósito não é ferir, mas quebrar a concha para que apareça a pérola. A concha não é a fragilidade, mas a hipocrisia.

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Os dias do tempo (3.11.2023) [Imagem Áudio]

 

«Faz, Senhor, que eu aprenda a sabedoria como quem constrói uma ponte, quando seria mais fácil a interrupção e a distância.» Palavras, imagens e música para dar sentido às horas deste dia.

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