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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

08
Jan22

O NATAL NÃO EXCLUI NINGUÉM


Oliveira

Embora publicado no último número do jornal "Voz da Verdade", vale a pena reproduzir mais este artigo do Dr. Pedro Vaz Patto no Blog da Copaaec. Oferecemos, assim, aos nossos associados e leitores amigos, assunto de reflexão.

(A. G. Pires)

            Grande clamor e indignação suscitou a proposta (entretanto retirada) da Comissão Europeia de aconselhar/proibir aos seus funcionários a menção do Natal nos tradicionais votos próprios desta quadra, para desse modo respeitar quem, nas agora multiculturais sociedades europeias, não se reconhece no cristianismo. Uma proposta que nem chegou a ver a luz do dia, mas que foi suficiente para criar em muitos ainda mais desconfiança sobre o rumo que está a tomar o projeto de unidade europeia.

            Não muito tempo depois de ter surgido a notícia dessa proposta, numa comissão de que faço parte e onde estão representadas as principais confissões religiosas não cristãs presentes em Portugal, foi espontânea a habitual troca de sudações de “Feliz Natal”, sem que ninguém se tenha sentido ofendido ou desrespeitado, ou sequer a alguém tenha passado pela cabeça substituir a referência ao Natal por uma suposta “festa de inverno”.

            É claro que quem hoje vive em Portugal e adere a religiões não cristãs, ou a nenhuma, vive o Natal à sua maneira. Nele não festeja o Deus que, por supremo amor, Se fez menino (um de nós) para nos salvar. Um dirigente muçulmano disse em tempos numa entrevista, para atestar a plena integração da sua comunidade na sociedade portuguesa, que no Natal não festejam o nascimento de Jesus, mas não deixam de comer bacalhau… Mas mais do que essa tradição, os portugueses de todas as religiões celebrarão o Natal como festa da família e a ele associarão uma mensagem de paz e amor. Não ignoram ou esquecem que está no cristianismo a origem dessa mensagem, por muito diluída que essa origem por vezes apareça. Nem deverão ignorar ou esquecer essa origem se verdadeiramente quiserem compreender a sociedade e cultura portuguesas onde pretendem integrar-se, mesmo que ninguém possa pretender que com essa integração abandonem a sua cultura e a sua religião.

Pretender que a harmonia das sociedades europeias onde hoje convivem pessoas de múltiplas culturas e religiões implique o cancelamento das raízes culturais cristãs dessas sociedades, ou seu confinamento à esfera privada, seria dar razão a quem recusa o acolhimento dessas pessoas para preservar tais raízes (se essa convivência exige que cancelemos o Natal, então não queremos essa convivência…). Mas essa pretensão não tem razão de ser.

Pelo contrário, o Papa Francisco, na encíclica Fratelli tutti e em várias ocasiões, tem salientado que as culturas se enriquecem (não que se perdem ou desaparecem) com contributos de outras, porque elas não são estáticas, e é esse o desafio com que se confronta hoje a cultura cristã da Europa. A convivência e o diálogo dos cristãos com pessoas de outras religiões ou convicções também os enriquece, além do mais porque é uma ocasião de darem testemunho da sua fé, sem qualquer pretensão de a impor.

A convivência de pessoas de culturas e religiões diferentes nas sociedades europeias não pode significar o apagamento das tradições que provêm das suas raízes cristãs, porque tal significaria um completo esvaziamento e empobrecimento cultural e espiritual, de que ninguém beneficiaria. Pode, antes, levar a que todos passem a conhecer, respeitar e de algum modo apreciar festividades de outras religiões (aconteceu comigo há pouco tempo, quanto a uma festa judaica para que fui convidado no âmbito da comissão a que acima me referi). E também reconhecer, segundo critérios de razoabilidade, como pretende a Lei da Liberdade Religiosa que nos rege, a possibilidade de dispensa de trabalho em dias dessas festividades quando tal for exigido pelos preceitos da religião em causa. Só assim estaremos perante sociedades verdadeiramente inclusivas. Seria absurdo apagar a presença do cristianismo do espaço público (a sua exclusão) em nome da inclusão de religiões minoritárias.

Quanto ao Natal, poderemos também dizer que a sua mensagem não exclui ninguém. Por algum motivo, passámos a contar o tempo desde o nascimento de Jesus Cristo. Ele marcou, e continuará a marcar, a história da Humanidade. Mesmo quem não reconheça que nesse acontecimento está a incarnação de Deus, nele pode reconhecer uma mensagem de promoção da dignidade humana, de solidariedade com os mais pobres, de valorização da família, de paz, de fraternidade e de esperança (tudo em contraste com o paganismo pré-cristão). Essa é uma mensagem inclusiva que ninguém de bom senso quererá apagar.

Pedro Vaz Patto

08
Jan22

Festa do Baptismo do Senhor


Oliveira

Proposta de Homilia para a Festa do baptismo do Senhor – ANO C - 2022

Os céus abrem-se de par em par

Domingo, 9 de Janeirro de 2022

      Irmãs e Irmãos, ficamos admirados ao ver Jesus a ser baptizado por João Baptista? Qual será o motivo de Jesus proceder assim?

  1. Baptismo do Senhor na figura de “Servo” eleito

    Primeira leitura

   O profeta Isaías apresenta-nos uma personagem como “Servo de Jahwéh”. É uma personagem escolhida por Deus, para levar a salvação às pessoas. Deus chama-o “o meu eleito, enlevo, escolhido por Deus para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas”. Estas palavras indicam o “Servo” como libertador do povo que estava exilado na Babilónia.  

     Mas quem é o verdadeiro “Servo de Jahwéh”, eleito de Deus? Os cristãos vêem nele o próprio Messias. Ele é o “Eleito de Deus”, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça, a paz e o amor: a salvação. Jesus, como “Servo”, será o libertador da humanidade.

  1. Baptismo de Jesus para sermos filhos de Deus.

       Evangelho

     No evangelho temos diante de nós o profeta João Baptista, nas margens do rio Jordão, com uma fila de pessoas, a dirigirem-se para ele a fim de serem baptizadas. Essas pessoas entram na água, arrependem-se dos pecados, recebem o baptismo e sentem-se perdoadas.

     Jesus quis entrar nessas águas e ser baptizado em nosso nome. Diz-nos São Lucas: “E do céu fez-se ouvir uma voz: Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.

     E João Baptista anuncia um baptismo superior ao que ele administra: ”Vai chegar quem é mais forte do que eu. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. O baptismo dado por Jesus, o nosso baptismo, faz-nos entrar na Santíssima Trindade, que é “fogo” de amor”.

     Jesus, o Filho amantíssimo do Pai, eleva-nos a ser também com Ele, filhos de Deus Pai. Assim meditou São Gregório de Nazianzo: “Mas depois Jesus sobe das águas, elevando consigo o mundo inteiro, e vê abrirem-se os céus de par em par…” [1]

     Esta expressão mostra que a separação entre os Céu e a Terra acabou… E em Jesus… os céus estão abertos porque a sua humanidade é a nossa… e por Ele, os céus estão abertos[2]. Tudo isto mostra a grandeza do nosso Baptismo.

     Uma pequena história das missões: perguntaram a um velho: - “que idade tem”. E ele respondeu: - “tenho dois anos”. Dois anos, com rugas na face? Ele explicou: - “só comecei a viver com o meu baptismo, há dois anos”.

  1. Baptismo do Senhor para libertar a humanidade.

     Segunda leitura

     Os Actos dos Apóstolos mostram-nos São Pedro a fazer um discurso na Casa de Cornélio, que era um centurião romano bom e piedoso, e ajudava os Judeus. São Pedro resolveu baptizá-lo e baptizar as pessoas que estavam com ele. 

     Nesse discurso transparece a pessoa de Jesus como Filho de Deus que veio ao mundo fazer a vontade do Pai. E Jesus passou “pelo mundo fazendo o bem… e libertando todos os oprimidos” (Act 10,38): Jesus, amado do Pai, veio libertar e salvar a humanidade.

     Qual é então o nosso desejo? É acolher com fé este dom de Deus, para sermos “Testemunhas da Esperança”. Dizia alguém: a minha melhor Fé é a Esperança. Amemos o nosso baptismo, que nos torna Irmão de Jesus, filhos de Deu Pai, membros da Igreja, herdeiros do paraíso.

P. António Gonçalves, SDB

[1] Liturgia das Horas,  vol 1, Baptismo do Senhor, 2ª leitura.

[2]  Cf. Manuel Clemente, O Evangelho e a Vida, ano B, p. 50). 

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