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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

31
Jul21

O LÍDER da "REVOLUÇÃO DOS CRAVOS" MORREU


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Otelo Saraiva de Carvalho, o mais controverso cabeça do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, morreu no domingo passado (25.07.2021) na idade de 84 anos.

"A revolta quase sem sangue deve o seu nome às flores que a multidão animada pôs nos canos das espingardas dos soldados da revolução” (HNA).

Na altura da morte manda o respeito que se poupe o defunto!

António C.D. Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6683

 

31
Jul21

JÁ 3.462 CRISTÃOS ASSASSINADOS ESTE ANO NA NIGÉRIA


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

A Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito relata (24.07.2021) que, nos últimos seis meses, um total de 3.461 cristãos nigerianos foram mortos por muçulmanos radicais. Já em 2020 tinham sido mortos 3.530 cristãos na Nigéria em nome do Islão. Até agora o maior número de cristãos assassinados foi acima de 5.000 em 2014 sob ataques do Boko Haram e vários grupos jihadistas.

É também preocupante o número crescente de igrejas que estão sendo ameaçadas, destruídas e queimadas (cerca de 300 até agora neste ano) e 10 padres e pastores foram vítimas de sequestro ou assassinato.

Os mesmos jornais, autoridades e políticos europeus que se preocupam para que não se mencione nos jornais a nacionalidade e a religião de criminosos muçulmanos na Europa, calam o genocídio que está a ser feito por muçulmanos aos Cristãos na Nigéria e ignoram também a discriminação e opressão dos cristãos em Estados de proveniência dos muçulmanos emigrados para o ocidente. .

De acordo com o The World Factbook, na Nigéria os cristãos representam 40 a 45% da população e os muçulmanos 50%. Os cristãos vivem mais no sul e os muçulmanos mais a norte.

Os muitos ataques efectuados pelo grupo terrorista islâmico Boko Haram são particularmente graves. Acredita-se que o grupo já sequestrou mais de 2.000 meninas e mulheres.

Nenhuma religião é perseguida tão fortemente no mundo como o Cristianismo.

Sob a cumplicidade do Ocidente e das ideologias afins ao islão assiste-se na modernidade a uma conquista subcutânea do Ocidente, apenas interessado no desenvolvimento económico e na compensação da diminuição europeia da natalidade, através da imigração.

António CD Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6671

 

31
Jul21

ANTISSEMITISMO E EXTREMISMO EM VOGA


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Jean-Paul Sartre, no Retrato do antissemita (1945) dizia: “Antissemitismo não é só a alegria do ódio; ele também consegue disposição positiva: na medida em que trato os judeus como seres inferiores e prejudiciais, afirmo, ao mesmo tempo, pertencer a uma elite”(1).

Lamentavelmente, por toda a Europa, assiste-se, atualmente, ao crescimento do antissemitismo, da xenofobia e da intolerância em relação ao outro, ao diferente! O mesmo se poderia dizer em muitos casos de posições de um adepto de um partido em relação ao partido adversário ou em relação a mundivisões diferentes.

Em tempos de crise e de eleições não é fácil argumentar sem generalizar nem demonizar o adversário. Cada um aponta para a parte suja do rosto do outro para com ela distrair e encobrir a parte suja do próprio rosto.

Se cada um reconhecesse esta prática então ninguém seria tão categórico na sua opinião. Então a discussão passaria a ser em torno da resolução dos problemas concretos e não no ataque do adversário de que se usa em proveito da própria identificação!  

Nestas coisas, os intelectuais ou multiplicadores sociais, têm muita responsabilidade, especialmente no nosso tempo em que em vez da moderação se espalha a radicalização. Cada qual se encontra absorto nas próprias preocupações, o que nos dificulta ver o que acontece realmente à nossa roda.

Todos trazemos em nós o judeu e a sua sombra; Judeu és tu, judeu sou eu!

António CD Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6674

  1. A citação de Sartre em alemão que vi ao visitar um museu em Kassel: „Der Antisemitismus ist nicht nur die Freude am Hass; er verschafft auch positive Lust: indem ich den Juden als ein niederes und schädliches Wesen behandle, behaupte ich zugleich, einer Elite anzugehören.“ Jean-Paul Sartre, Portrait des Antisemiten (1945)
31
Jul21

BENTO XVI CRITICA OS REPRESENTANTES DA IGREJA ALEMÃ


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Além de Funcionários, Pessoas de Fé

Por António Justo

As palavras do Papa emérito, proferidas numa entrevista ("Últimas Conversas"), com o jornalista Tobias Winstel, publicada no " Herder Korrespondenz”, causaram um certo desconforto e irritação nos meios alemães e polémica na igreja católica. 

Bento XVI assumiu um tom surpreendentemente crítico em relação à "igreja oficial" da Alemanha e advertiu para o perigo de uma igreja e doutrina sem fé. "A doutrina deve desenvolver-se na e da fé, não ficar ao lado dela".

Bento XVI responsabiliza os representantes da Igreja na Alemanha pelo “êxodo do mundo da fé” (abandono da igreja) e lamenta que nos textos oficiais da Igreja só fale o cargo - não o coração e o espírito:  "Enquanto apenas a repartição, mas não o coração e o espírito, falar em textos oficiais da igreja, o êxodo do mundo da fé continuará". Ele espera "um verdadeiro testemunho pessoal de fé por parte dos porta-vozes da igreja". Também constata: "Nas instituições eclesiásticas - hospitais, escolas, Caritas - muitas pessoas estão envolvidas em posições decisivas, mas não partilham a missão interior da igreja e assim muitas vezes obscurecem o testemunho desta instituição (1).”

Ao fazer isso, ele critica, indiretamente, também o conflito entre as forças orientadas para a reforma (liberais) e as forças conservadoras. As divergências manifestam-se e são cada vez mais latentes no episcopado e em diferentes grupos de leigos.

Conservadores e Reformadores encontram-se organizados sobretudo nas organizações "Nós somos Igreja" e no “Fórum dos Católicos Alemães”.

"Nós somos Igreja" é uma organização liberal de católicos reformadores, resultante de uma petição (de 2,3 milhões de católicos na Áustria e na Alemanha) para reformas na Igreja e que se formou em 1995; os conservadores, cinco anos depois, organizaram-se no “Fórum dos Católicos Alemães” (2). Além destas sobressai na opinião pública o grupo reformista de mulheres “Maria 2” e o grupo “O Caminho”.

Já numa entrevista anterior Bento XVI tinha também questionado o sistema do imposto para a Igreja (3).

Neste contexto, também se distancia da escolha das palavras do seu famoso “discurso de Friburgo”, no qual tinha apelado à “retirada da Igreja católica do mundo” (4).

Há um receio fundado de os conservadores na Igreja se servirem disto para resistirem à renovação iniciada pelo Papa Francisco.

Enfim, uma questão contenciosa, dado Bento XVI se pronunciar sobre política da igreja. De facto, na Alemanha grupos de católicos conservadores e liberais e bispos conservadores (em torno do Cardeal Woilki) e bispos reformistas (em torno do Cardeal Marx) não são moderados nas suas posições, o que pode não ser benéfico para a Igreja Católica global, devido à influência que a igreja alemã tem.

O Papa emérito, que tinha prometido viver "escondido do mundo", talvez, como alemão e devido à excitação na igreja alemã, se sentisse agora necessitado a proporcionar, aos representantes da igreja alemã e aos organizadores das alas católicas, mais reflexão e a serem "verdadeiro testemunho pessoal de fé".

No meio de tudo isto, o apóstolo Paulo continua a advertir: «Se um membro sofre, todos sofrem com ele; e se um membro é homenageado, todos se alegram com ele. Vós sois o corpo de Cristo e cada um no seu lugar faz parte dele» (1Cor 12,26-27).

António CD Justo

Notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6690

  • (1) Pelo que me foi dado observar em instituições da Igreja na Alemanha, admirou-me o facto de a própria Igreja ser tão livre que empregava pessoal  (Caritas) que promovia, a partir dela, organizações políticas contra ela mesma.
  • (2)  Resumindo, Reformadores e conservadores : um e outro movimento são independentes e movem-se, a nível de organização, à margem da Igreja estabelecida na Alemanha. Não pertencem ao Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK), que é o órgão representativo dos católicos reconhecidos pelos bispos (https://www.katholisch.de/artikel/27003-konservative-reformer-ein-blick-auf-die-fluegel-der-deutschen-kirche).

O “Fórum dos Católicos Alemães” quer reformas, mas sente-se como porta-voz de católicos conscientes da tradição. No seu Congresso “Alegria de Fé” de 2019, foi aprovada uma resolução que criticava um “cudgel de ‘politicamente correcto'” em negociações públicas, a “rádio estatal financiada coercivamente” e alegadas sanções para os críticos do governo. O Fórum tem o seu próprio portal kath.net na Áustria, por exemplo, ou o semanário “Die Tagespost” em Würzburg .

O agrupamento „Somos Igreja” sente-se como a ponta de lança daqueles que exigem o pleno acesso das mulheres a todos os cargos, a abolição do celibato obrigatório para os padres, uma moral sexual mais liberal e mais digna dos fiéis. São críticos relativamente aos papas Bento XVI e João Paulo II e vêm agora no Papa Francisco um farol de esperança. No primeiro Congresso da Igreja Ecuménica em Berlim, em 2003, organizaram uma missa católica numa igreja protestante onde os não-católicos foram explicitamente convidados a comungar, o que é oficialmente proibido. Os sacerdotes envolvidos foram posteriormente suspensos.

Com a eleição de Bätzing, para presidente da Conferência episcopal alemã, os bispos confiam na continuidade do curso do Cardeal Marx, bastante liberal que apoia o “caminho sinodal” com o qual a Igreja Católica na Alemanha quer aceitar o seu escândalo de abusos. Os bispos conservadores em torno do Cardeal Rainer Maria Woelki de Colónia criticam duramente este fórum. Baetzing também se pronunciou a favor da reconsideração do celibato obrigatório para sacerdotes.

  • (3)  “Tenho de facto grandes dúvidas se o sistema fiscal da Igreja está correcto como está” (https://www.deutschlandfunkkultur.de/benedikt-xvi-kritisiert-deutsche-kirche-erstaunlich-dass.2165.de.html?dram:article_id=365396).
  • (4)  A palavra “desmundanização” (libertação da Igreja das formas mundanas) indica a parte negativa do processo que me preocupa”, refere o papa e acrescenta que “a parte positiva não é suficientemente expressa por ela”. Trata-se mais de sair das limitações de uma época “em direção à liberdade de fé“. „Não sei se a palavra ” desmundanização”, que vem do vocabulário formado por Heidelberger, foi sabiamente escolhida por mim como palavra de ordem final em Friburgo”, refere ele.
31
Jul21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia o que segue:

(A. G. Pires)

Os dias do tempo : 30.7.2021 [Imagem+Áudio+Vídeo]

«"Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa". E por causa da falta de fé daquela gente, Jesus não fez ali muitos milagres»: Palavras, imagens e música para dar sentido às horas desta sexta-feira.

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Em memória de Pedro Tamen (1934-2021): «Toda a poesia verdadeira é religiosa» [Vídeos]

A poesia e a mística têm a visão de outro mundo misterioso, e ambas redundam no silêncio; o que, para o poeta, que trabalha com as palavras, é uma contradição. Se o místico contempla o insondável e indizível mistério da divindade, o poeta, por seu lado, tem a visão do mistério radical do mundo. «A minha aproximação ao catolicismo passou diversas fases, sem que se possa dizer que o que escrevi deixou de ser religioso.» Reproduzimos excertos da intervenção de Pedro Tamen em novembro de 2010, no contexto do ciclo de conferências organizado pelas Monjas Dominicanas do Mosteiro do Lumiar, em Lisboa, dedicado ao tema “Na fronteira de Deus e do mundo”.

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«A Tua paz, Senhor./ Não sabemos falar. Nunca Te escondes»: Três poemas de Pedro Tamen

«Silêncio/ na grande luz que não dizemos,/ silêncio maduro, enfim, depois de agora/ nós tantas vezes termos perdido o ar,/ silêncio grave ou não, última/ partida, eterna, a Tua paz. (...) Senhor,/ longe, longe, longe,/ Te esperamos,/ queremos,/ ir longe, longe, longe,/ ao abrir dos selos, ao silêncio sem gumes,/ ao sossego em que o destino se vence,/ à Tua paz.»

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O pão da terra e o absoluto da recompensa

Na sua obra sobre a perene essência da oligarquia portuguesa, "O Conde de Abranhos", Eça de Queirós, a certa altura, põe o herói político da obra a dizer o seguinte: «Não podemos dar ao operário o pão na terra, mas obrigando-o a cultivar a fé, preparamos-lhe no Céu banquetes de Luz e de Bem-aventurança!». Logo depois, enuncia-se a magnífica conclusão: «E quem negará aí que não seja esta a verdadeira maneira de promover a felicidade das classes trabalhadoras?». Acima de toda e qualquer consideração ideológica, coeva ou puramente teórica, o simpático escritor burguês põe a claro o falso princípio político-económico sobre o qual se funda, desde sempre, isso que constitui a ação que condena os seres humanos que criam os bens a uma pobreza ou mesmo miséria que nunca lhes competiria não fora a aplicação de tal mesmo falso princípio político-económico.

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O tráfico de seres humanos só deixa de sangrar com empenho total e sem hipocrisias

Hoje no mundo evocam-se as vítimas do tráfico de seres humanos. Quem acaba na trituradora da exploração? As indefesas e os indefesos. Assiste-se hoje a uma crise mais grave do que a económica: o défice educativo. Sem formar as consciências para a noção de que o amor não se compra, sofreremos as consequências de uma degeneração da mentalidade que considera adquirível até a mais inviolável intimidade. Jesus perdoa a adúltera e o ladrão que subiu ao Calvário com Ele, mas as «estruturas de pecado» têm de ser neutralizadas por uma comunidade que saiba colocar no centro da sua vida os mais frágeis.

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Anna e o papa-papá

O encontro com João Paulo II marcou profundamente e para sempre a sua vida. Admirava-se por Deus lhe ter concedido esse dom para ela inimaginável. Viu no papa o papá: por ele foi consolada, acariciada nos cabelos e no rosto como uma filha, e, chorando, disse-lhe: «Papá, liberta as jovens de rua como eu... Fiquei doente... Papá, a vida na rua é dura, é má... Papá, na rua há muitas jovens, mas também muitas crianças... Papá, liberta as crianças da rua». É necessário lembrar os cristãos da sua responsabilidade individual e coletiva em relação às pessoas escravas, convertendo atitudes em ações.

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“Nota sobre a supressão geral dos partidos políticos”: Compreender Simone Weil para além do título

O equívoco consiste em acreditar que abolir os partidos políticos equivaleria a suprimir a liberdade de pensamento, de escolha e de alinhamento político; ou até, pior ainda, que sem partidos políticos haveria apenas um totalitarismo do “partido único”. Por isso o ensaio de Simone Weil não é sequer lido: é recusado pelo seu próprio título. As observações de Simone Weil têm uma valia mais geral, dizendo sobretudo respeito à defesa da liberdade do pensamento das pessoas, liberdade que o espírito de pertença política inibe e reduz drasticamente. Não podendo resumir todo o ensaio, obra-prima de lucidez quer política quer moral e psicológica, isolo algumas ideais essenciais.

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29
Jul21

18.º DOMINGO do TEMPO COMUM - Ano B


Oliveira

Proposta de Homilia para o 18.º Domingo do Tempo Comum – ANO B - 2021

Jesus

Pão que alimenta para a vida eterna

Domingo, 01 de Agosto de 2021

  1. Pão, dado por Deus

     Primeira leitura

    Irmãs e irmãos, ainda há fome no mundo, e Deus mostra desejo de que isso não aconteça. O livro do Êxodo narra como o povo a caminho da Terra prometida se queixou a Moisés por falta de alimento: “Trouxeste-nos a este deserto para deixar morrer à fome toda esta multidão”. Deus intervém prometendo a Moisés carne e pão para o povo. Apareceram então codornizes e o maná em abundância. O maná, substância granulosa, foi o pão descido do céu durante toda a viagem do povo para a Terra Prometida.

     Que significa esta manifestação de Deus? Que Deus é Providência. Moisés reconheceu, dizendo: “É o pão que o Senhor vos deu em alimento”. Chama-nos a ter um olhar de fé, a ver Deus nos sinais que Ele dá. A nossa vida de fé faz-nos pessoas de vida nova.

  1. Pão para a vida eterna

     Evangelho

    São João, no capítulo sexto, narra a multiplicação dos pães. Em seguida, aparece a página deste domingo, mostrando as pessoas à procura do Messias. Foi então que Jesus aproveitou para uma catequese sobre o verdadeiro Pão. Ele mesmo disse: “comestes dos pães, e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida (do corpo), mas pelo alimento que dura até à vida eterna”. Jesus explica aos seus ouvintes o verdadeiro Pão espiritual: “O Pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo”.  

    Foi isto que S. João nos quis transmitir. Deixou no seu Evangelho sete sinais a indicar ser Ele o Filho de Deus, o Messias. Esses sinais, chamados milagres pelos outros evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, abrem o nosso olhar para o sobrenatural: O primeiro sinal foi a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, com esta conclusão: “E os discípulos acreditaram n’Ele”.

    Voltemos ao encontro de Jesus com a multidão: o povo perguntou: «Que devemos fazer?» Jesus respondeu: acreditai em Mim, e tereis a vida eterna. O que nos é pedido? Acreditar em Jesus. «Ao acolher o Absoluto, encontramos a vida eterna»[1] . Este evangelho chama-nos à fé. O mundo não pode olhar só para o alcatrão da estrada; deve olhar mais para o Alto.

  1. Pão para o homem novo

     Segunda leitura

    A Carta de São Paulo aos Efésios é uma maravilha, ao dizer-nos. “Renovai-vos… e revesti-vos do homem novo”. De que modo?  Conhecendo Cristo. Vivendo segundo Cristo, o Homem novo.

      Lembramos os três pastorinhos de Fátima. Na terceira aparição do Anjo, na Loca do Cabeço, em 1916, eles viram o anjo com a hóstia e o cálice na mão. O Anjo ensinou-lhes a oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo”, Depois, deu a hóstia à Lúcia, e o cálice ao Francisco e à Jacinta. A Eucaristia foi o alimento para a santidade dos pastorinhos. É o alimento para a vida do mundo.   

P. António Gonçalves, SDB

[1] Manuel Clemente, “O Evangelho e a Vida”, Ano B. p. 233.

29
Jul21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Mais sugestões de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia o que segue:

(A. G. Pires)

Os dias do tempo : 28.7.2021 [Imagem+Áudio+Vídeo]

«O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo»: Palavras, imagens e música para dar sentido às horas desta quarta-feira.

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Escola das Artes: Igreja católica na vanguarda do ensino e investigação da cultura contemporânea

Cinema, Som e imagem, Fotografia, Ensino de Música, Design de Som, Gestão de Indústrias Criativas, New Media Art, Animação: estes são alguns dos cursos propostos pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa para o ano letivo de 2021/22, que colocam esta instituição da Igreja na vanguarda do ensino e da investigação no domínio da cultura contemporânea. É comum a ideia de que a Igreja católica “congelou” nos séculos passados os seus horizontes em relação à arte e à criação artística, mas a oferta formativa da Escola sediada no Porto, e o investimento que implica, sugerem outra perspetiva, reforçada com as distinções atribuídas aos antigos alunos, como foi o caso recente de Mário Macedo, vencedor do Prémio de Melhor Realizador da Competição Nacional do Festival de Curtas de Vila do Conde.

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P. Jacques Hamel: Memória e justiça, remissão e martírio, denúncia e fermento

«A minha oração tenta unir-se à justiça de Deus, que, sem possibilidade de erro, sabe o que é bem, o que é mal. Mas a justiça de Deus não se resume a declarar o bem e o mal, ela esforça-se por tornar justo aquele que o não é. Isto é verdade para mim, e é o que me ajuda a reconhecer as minhas faltas. É verdade para a nossa Igreja, e é o que nos ajuda a reconhecer as nossas faltas, que são por vezes grandes faltas. É a minha esperança, é a esperança dos cristãos: pela graça de Deus, todos podem tornar-se melhores, incluindo os cúmplices de assassinato.» Evocação no quinto aniversário da morte.

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O amor continua vivo mesmo quando parece que ela não está

É belo ser-se convidado para uma festa para os cinquenta anos de casamento, mais não seja porque é um acontecimento cada vez mais raro. Aconteceu num terraço, numa quente noite de lua cheia, com poucas pessoas: eles – que chamaremos Pedro e Maria –, os quatro filhos os netos e poucos amigos. Uma coisa simples: cada um cozinhou alguma coisa, cada um ofereceu uma memória que se entrelaçou com as outras. Todavia não estão à vontade. Porque, apesar de ser a festa das suas bodas de ouro, ela não está.

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Nunca será demais repetir: No coração da vida do cristão está a fé, não a lei

«Que devemos fazer para realizar a vontade de Deus?» Jesus, em resposta, revela a obra, o agir por excelência, que apesar de parecer uma não ação, algo a que segundo o sentir humano falta concretude: a ação das ações, a ação por excelência que Deus quer e pede é acreditar, aderir àquilo que Ele mandou. A única obra é a fé, diz Jesus. É obra de Deus porque permite a Deus trabalhar no ser humano, na História, na vida daquele que acredita.

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Mais Cultura

Síntese da atualidade no universo das artes. Os criadores e as suas obras. Animação, arquitetura, cinema, circo, dança, desenho, ilustração e pintura, escultura, expressão plástica e digital, fotografia, literatura, moda, multimédia, música, ópera, tapeçaria, teatro e muito mais. Património e contemporaneidade em Portugal e no mundo.

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28
Jul21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia o que segue:

(A. G. Pires)

Os dias do tempo : 27.7.2021 [Imagem+Áudio+Vídeo]

«Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança»: Palavras, imagens e música para dar sentido às horas desta terça-feira.

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Leitura: A imperecível luz da “Noite escura” de S. João da Cruz

«Breve e inacabada como está, transmite tal força doutrinal e literária, que se tornou insubstituível. João da Cruz teve a experiência e analisou-a, revelando o seu sentido e a sua estrutura. É uma obra que contém algo de enigmático e atraente. Os crentes acolhem-na com emoção, porque, sendo uma obra fundamentalmente mística, sentem uma rara afinidade espiritual com a experiência nela relatada.» É nestes termos que as Edições Carmelo apresentam a “Noite escura”, de S. João da Cruz, «obra clássica» que vai ser publicada nos próximos dias, na qual se narra e aponta para «uma experiência humana primordial»: o ser humano caminha «à base de conquistas e renúncias permanentes, e a sua fidelidade a uma vocação obriga-o a dar continuamente passos no desconhecido».

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«Dai-lhes vós mesmos de comer»: Bispo de Coimbra pede a finalistas que sejam para os outros [Vídeo]

«Levem essa frase para a vossa vida com o seu sentido mais alargado, sublinhou D. Virgílio Antunes, ao referir-se aos múltiplos domínios da existência em que se aplica, do vestuário à habitação, passando pela saúde, cultura, justiça, paz, ambiente. «Vais ser médico – pois sê médico para os outros; és economista – sê economista para os outros», declarou, para a seguir aprofundar: «Ser para os outros: essa é a razão de ser da tua vida, a forma de seres mais realizado, mais feliz», tornando o mundo lugar «de salvação para todos».

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Elogio da sesta (ou das alternativas que também fazem bem ao espírito e ao corpo)

A sesta é uma atividade meridional por natureza, plenamente respeitosa de si e do ambiente, que se adapta ao clima com uma economia de meios raramente igualada. Mas é também um meio para praticar uma saudável atenção ao corpo e à carga de trabalho, que nos invade e devora o tempo. A sesta providencia um recuo prudente face ao frenesim das atividades que tentamos encaixar nas 24 horas do dia. E pode ser a respiração da nossa jornada como o domingo é a respiração da nossa semana: uma aragem nova que vivifica ou serena e varre o pó do quotidiano.

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27
Jul21

CAMINHAR ENTRE PROTECÇÃO DA SAÚDE E DA LIBERDADE


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Na Tunísia e no Brasil há manifestações contra os governos porque não protegem suficientemente o povo contra o Corona-19.

Na França, Espanha e Itália há manifestações porque os governos se preocupam demasiado com a saúde do povo e abusam com as medidas tomadas.

O problema, por vezes, mais que nas medidas situa-se na arbitrariedade das mesmas!

Uma obrigação de vacinação seria uma intervenção na liberdade garantida pela Constituição.

Mácron, na França quer a obrigatoriedade de vacinação para equipes de enfermagem (pessoal que trabalha em cuidados de hospital, lar de idosos ou similar) .

Um exemplo de medidas que não contribuem para uma boa convivência entre os diferentes grupos sociais: Enquanto o tribunal proibiu uma manifestação de "pensadores laterais" ("Querdenker") em Kassel, o Christopher Street Day (CSD) com mais de 65.000, é autorizado a manifestar-se em Berlim.

O Estado deveria garantir igualdade de direitos para todos, caso contrário o Estado vê-se confrontado com problemas que ele próprio cria.

Será preciso apostar mais na compreensão das pessoas.

O caminho do meio, cria menos danos.

António CD Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6685

27
Jul21

EU SOU O QUE SOU MAIS AQUILO QUE FAZEM DE MIM


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

(A. G. Pires)

Da Relação e do Relacionamento à Fórmula trinitária como Modelo da Vida

Por António Justo

Hoje gostaria de reflectir convosco a um nível mais profundo de imagens para lá dos bastidores dos preconceitos que nos asseiam e rodeiam. 

Paremos um pouco para mastigarmos as nossas palavras e ideias e assim nos deixarmos envolver num mundo de imagens, sensações e analogias que nos levem a intuir algo para lá do discurso do dia a dia e podermos, assim, entrar numa dimensão, que não se limite à linearidade causal do discurso. Para isso não tropecemos em palavras e deixemo-nos guiar pelas imagens e sensações que em nós surjam (Donde vêm as imagens e os estímulos não será relevante, doutro modo tropeçaríamos no preconceito comum de as materializar e qualificar de diabólicas ou divinas, antes de elas assumirem a propriedade de “pré-conceitos”!) Não se trata aqui de alinhar num sentido ou noutro, mas apenas de sentir a satisfação da ressonância e do eco das palavras e ideias ao serem escritas ou lidas (1). Relevante será descobrir o eco individual e reconhecer, nele, a própria palavra criadora a repercutir-se em novos ecos!

Somos feitos de palavra/informação genética biológico-cultural em processo de contínuas formatações. “No princípio era a Palavra, a Informação” e a Palavra que é autêntica encarna, é fecundante, gera vida, como podemos ver no prólogo do evangelho de João. Através da Palavra, Deus iniciou a criação e através da palavra o humano recria-se a si mesmo e cria o mundo que o envolve, entrando em relação e diálogo com “o outro” na qualidade de pessoa ou de coisa.

Por isso amarro a corda de circo existencial, onde me balanceio, aos extremos do saber e da ignorância.

Urge pensar de maneira pessoal e diferente o que a opinião publicada diz e o que a maioria da gente pensa. O pensar normal ou da normalidade serve propriamente os que habitam nos “andares” superiores e ajuda o resto a manter-se na menoridade. Para sairmos do marasmo histórico repetitivo de geração em geração, com as mesmas esperanças e os mesmos repetitivos desenganos, seria de nos pormos a caminho de Deus (um Deus fora do conceito e do preconceito, mas que possibilite o pré-conceito) porque ele é a matriz universal de toda a diferença (e seu sustento no Amor).

Neste contexto seria oportuno fazermos um exercício de limpezas em que nos lavássemos do pó da ignorância, do medo e da culpa. Neste sentido, Jesus diria: desculpo-te, não para olhares para mim, mas para poderes tornar-te realmente tu, para poderes ser livre, como pretende o mistério da salvação.

A palavra pode ser geradora, à imagem do Espírito Santo (manifestação da reciprocidade) que dá forma à relação verdadeira (do “Pai” e do “Filho”). Na palavra vital brilha a luz da existência que leva o humano a um contacto que se expressa em diálogo/encontro (este poderia ser resumido na imagem de uma só chama resultante do encontro de duas velas). 

Todos andamos à procura de sermos nós mesmos mas constatamos que a identidade perfeita não pode ser reduzida ao mero eu (ego) porque este não tem consistência em si mesmo, dado a sua essência ser de natureza comunitária (Eu ao dizer eu, trago a comunidade comigo (“Uno e trino”) e preciso de um tu, para me reconhecer como eu: não posso ser reduzido a uma identidade pensante, mesmo que de natureza espiritual como propunha o grande filósofo Descartes). A palavra (o pensamento) cria a realidade, mas o ser humano é mais do que a realidade que a consciência lhe propõe. Quando digo eu, estou apenas a distanciar-me de um tu ou de um aquilo/isso neutro, de que também necessito para poder subsistir ao tentar de-finir-me. De facto, sem um Tu não pode haver eu (sem Filho não há Pai nem vice-versa). O verdadeiro “lugar do encontro” é a graça, o amor. Na trindade, o nós  seria a divindade comum que se expressa no Paráclito (Amor). O amor é a interacção de corpo e alma e não algo de abstracto como queria Platão; amor encarnado realiza-se no protótipo Jesus Cristo que acaba com a dicotomia corpo e alma querida por Platão. Isso implica a iniciação de uma economia do amor que se torna e possibilita uma matriz amorosa de toda a diferença. Neste sentido será óbvio criar um pensar próprio e de maneira diferente ao que a grande maioria da gente pensa e ao que o sistema vigente recomenda.

A palavra do outro por muito deformada que seja (quando me reduz a coisa, a um isso ou a um aquilo) pode servir como activante, à maneira de fósforo que abre, no eu, um acesso ao fogo do mistério que repousa no mais íntimo do nosso ser. O Pai ao dizer tu, no Filho, não o possui, mas permanece numa relação tão profunda e tão livre que se expressa na terceira pessoa que é o Amor.   A relação de Jesus com o Pai (relação eu-tu) e a relação de Jesus-Cristo com a humanidade (relação eu-mundo) expressam a “existência” de tudo num mistério de relação (produtora de individuação pessoal).

Nas duas relações expressa-se o ser de toda a realidade espiritual e material. O ser e o estar da pessoa no mundo (como no mistério da Trindade, uma pessoa não existe sem a outra e, como tal, para ser verdadeira, terá de ser trinitária, isto é, para ser autêntica terá de acontecer em comunidade; a identidade do “Pai” é impossível sem o “Filho” e os dois subsistem na terceira Espírito Santo). O pai confirma o Filho na sua unicidade e nesta confirmação surge o lugar do encontro dos dois que é o Amor; a Realidade expressa-se como ser em relação (identidade em relação trinitária, revela-se como protótipo da nossa identidade de ser em comunidade). Em Jesus Cristo a realidade abre-se ao vivencial.

Neste contexto penso que o Livro do filósofo Martin Buber, “O Princípio de diálogo Eu e Tu” (Das Dialogische Prinzip Ich und Du) tem muito a ver com a fórmula trinitária (eu-tu-nós) de toda a Realidade, manifestada, de maneira teológica, no mistério da santíssima Trindade.

Quando li este livro, nos meus tempos de estudante, tive a impressão (no eco da minha imaginação) de estar a ler uma abordagem filosófica mas essencial sobre o mistério do Um em três e três em Um, aquele segredo místico que intuía no mistério da relação divina (a trindade que pensava como a fórmula viva de toda a vida e de todo o ser – resumida na relação a acontecer); ela ultrapassa também o dualismo na pessoa de Jesus Cristo, numa relação humano-divina (matéria e espírito) aberta e expandida até ao Cristo Cósmico (termo de Teilhard de Chardin)!

De facto, o que verdadeiramente existe é relação, relação pessoal ou personalizada, o resto é a crosta de que também precisamos para nos expressarmos no estar aqui e experimentarmos sentido na realização do ser. Somos feitos de céu e terra e negar um destes constituintes corresponderia a excluir o outro e na consequência significaria negar-nos a nós próprios (Dito doutra maneira: No texto, que seria do conteúdo sem os signos, as letras-texto? Por mais materiais e inertes que as letras sejam, elas não negam o espírito que encobrem; pelo contrário, possibilitam-no!). Fixar-se apenas numa visão factual seria deixar-se reduzir a texto sem ter consciência do conteúdo ou ideia que ele encobre ou pretende revelar! Aqui nem o preconceito espiritualista nem o preconceito materialista nos leva à frente porque um e outro, na sua unilateralidade, se deixam reduzir a texto (objecto sem conteúdo!)!

Na sua obra (O Princípio dialógico Eu e Tu), donde vou dar relevância a alguns aspectos para entrar numa de meditação, Buber explica que existem basicamente 2 tipos de relações que o ser humano pode ter em si, com o outro e com o seu ambiente. São duas maneiras de ser ou de estar no mundo que podem ser resumidas e expressas pelas palavras básicas “Eu-Tu” (Ich-Du) e “Eu-Isso” (Ich-Es).

Nesse diálogo há a palavra base “Eu-Tu” que estabelece o mundo da relação-encontro e só pode ser usada em relação ao todo (eu e o outro, num certo sentido, um ser em osmose, uma relação apenas para os seres humanos): a verdadeira relação acontece na reciprocidade com o outro. Aí deixa de haver intermediários e interesses, como se depreende da sua afirmação: “Todo o meio é obstáculo. Somente onde todo o meio se desintegrou é que o encontro acontece. Toda a vida real (verdadeira) é encontro". Sim, porque na realidade, como aprendíamos em teologia, o presente é o que está em acto (kairós): já não espera, só continua…

A outra palavra básica é o par “Eu- Isso” que cria o relacionamento com o mundo da experiência (Eu-Aquilo, quer dizer: Eu e o mundo da experiência; quando digo isso, aquilo, ele, ela, a gente, a relação é indirecta e como tal referida a objectos ou pessoas objectivadas numa “acumulação de informação”). 

De facto, por muito grande que a acumulação da informação possa ser, ela é apenas a parte petrificada (forma) do acontecer em relação (relação eu-coisa, eu-objecto). Todo o mundo experimentado ou explicado passa a acontecer numa relação pessoa-objecto e como tal a ser coisificado (por pensamentos, palavras e obras) e a ganhar sentido a partir do eu. Por outro lado, a verdadeira relação é pessoal e personalizadora, é o universo da relação em acto, em presença (Eu-Tu). Esta seria uma atitude de relação sujeito-sujeito, a outra seria uma relação sujeito objecto; o sujeito ao objectivar passa também a ser objecto, porque se encontra já fora de uma relação integral. Na tentativa de uma compreensão analógica poderíamos ver a relação verdadeira (divina) eu-tu, na concretização existencial humana da relação sexual entre homem e mulher que na sua extravasação amorosa se define a si próprio no reconhecer (encontrar-se como parte do outro num todo) o outro e se recriam de maneira individual pessoal no autodistanciamento que acontece na realização do filho gerado que concretiza a relação integral (eu-tu-nós).

O relacionamento a partir do eu é determinante na medida em que é real, mesmo que o Tu não tenha consciência disso. O meu eu não se deixa reduzir à ideia que um tu faça dele. Daí a intocabilidade da dignidade humana! (Naturalmente esse eu também poderia fatalmente ser constituído sobretudo de texto-pretexto-contexto!)

Deste modo também a palavra Eu passa a ser dupla porque a palavra básica Eu-Tu é diferente da palavra básica Eu-Isso (Aquilo).

A palavra básica Eu-Tu só pode ser falada de maneira integral, com todo o ser (numa relação comunitária) e, como tal, não só com o intelecto; ela é processo relacional (é kairós,  a presença, o momento da relação a acontecer) e como tal não pode ser falada como o é a palavra básica Eu-Isso (Aquilo, Ele, Ela) porque esta não é relacionada ou falada com todo o ser, nem a partir do dentro (ipseidade) do ser e como tal é de caracter narrativo, objectivante.

Na sociedade acontecem diferentes atitudes que se complementam sem se identificarem, e assim andam à volta da relação “eu-isso” (ich-Es) e da relação “eu-tu” (Ich-Du). Aqui vale a pena respirar fundo para intuir o que Buber explica na frase: “com toda serenidade da verdade, ouça: o homem não pode viver sem o Isso, mas aquele que vive somente com o Isso não é homem”.

Em política há uma relação de interdependência de interesses (um viver no isso/aquilo e com o isso/aquilo) que não expressam uma relação eu-tu (esta é deixada para as relações pessoais (Eu-Tu) e, mesmo aqui, toda a pessoas está condicionada a viver também numa relação “eu-isso”). Neste sentido, Buber fala também da relação da evidência linguística que diz respeito à vida com as pessoas onde se pode dar e receber o Tu.

Há também uma via espiritual de relação que em Buber poderia ser descrita como uma vida com seres espirituais. Aqui “a relação/relacionamento está envolta em nuvens, mas revelando-se, sem palavras, mas gerando linguagem (fala)”. Não percebemos, mas “sentimo-nos chamados a responder, formando, pensando, agindo; falamos a palavra (sagrada) básica com o nosso ser sem poder dizer Tu com a nossa boca”. Com esta expressão poderíamos ser levados a intuir a relação trialógica (Trindade) que acima referi porque ao chegarmos a este nível de relação somos já envolvidos no fundo da própria ipseidade, diria, na tela espiritual base de toda a realidade onde tudo se cruza e encontra em reciprocidade (a culminar numa expressão pessoal em comunidade).

Esta é, certamente, a experiência da sarça ardente tida por Moisés no Sinai; Moisés que na incapacidade de transmitir ao povo, por palavras, a experiência (Eu-Tu) tida com Deus, pediu a Deus para gravar as palavras com fogo nas pedras do decálogo (Aqui dá-se a relação eu-isso que o povo poderia então entender). Aquele fogo da sarça ardente, agora a vibrar nas pedras dos mandamentos já não queimava o olhar do povo mas, por outro lado, levava-o a confundir a experiência interior do fogo com as letras da lei, deixando-lhe ao mesmo tempo a possibilidade de, no âmbito individual, poder fazer a sua a leitura própria, porque, de uma certa maneira, transmitida por Deus e não por uma simples interpretação de Moisés. Aqui, a linguagem procura moldar o pensamento de cada pessoa e a realidade do povo como escolhido. Através da palavra e do diálogo, as pessoas percebem o seu mundo de vida e as contradições a ele associadas.    Santos e os profetas procuram através da fala mudar a realidade do mundo, porque à ideia segue-se a acção.   Também a ciência moderna (pesquisadores do Instituto Max Planck) confirma que a língua e o entendimento estão especialmente interligados. A relação eu-tu, eu-isso são a porta de entrada na Realidade e no mundo que nos circunda.

Nesta ambivalência vai vivendo a fé viva e a fé acreditada. Somos chamados a viver a relação íntima eu-tu (Pai-Filho: Relação na reciprocidade) mas sem menosprezar a relação mais superficial eu-coisa (percepção coisificante e também racionalizante a nível de abstração nas ideias), tendo em conta que na nossa existência (nosso estar aqui) a relação eu-coisa são imprescindivelmente necessárias devido ao condicionamento da nossa natureza humana. A relação eu-tu, diria, eu-Deus, é a relação autêntica que nos possibilita um viver nas e para lá das coisas, um viver que parte do ser-se espiritual a passar-se pelos condicionalismos de sermos também matéria a caminho da sua sublimação/realização no âmbito espiritual, como demonstra o protótipo Jesus Cristo. Se não fosse este condicionamento de estarmos a caminho, teríamos ficado no estado primitivo da animalidade antes da metáfora de Adão e Eva, aquele estado em que vivem o chimpanzé e o golfinho!...

Numa relação eu-coisa (isso) pretende-se saber algo sobre o outro e ao saber estamos a coisificá-lo enquanto que numa relação eu-tu, já não há saber sobre algo ou alguém, é tudo a acontecer não sobre, mas com. A vida Real passa a ser encontro: “Entre Eu e Tu não existe conceitualidade, nem presciência, nem imaginação “, como diz Martin Buber.

Uma coisa é o amor e outra são os sentimentos. Diria que estes são como que a vestimenta daquele; são diferentes vestimentas de um só amor, tal como constatamos nas diferentes cores que revestem o arco-íris! O amor é o fogo ardente a acontecer na sarça. Neste processo o sentimento é como que o calor que se tem do fogo, mas o real é o fogo que existe no fundo da nossa ipseidade e é a sua parte essencial: um eterno amor a acontecer, à imagem de um Sol eterno que tudo ilumina e sustenta, também na nossa crusta a ser cultivada.

António CD Justo

Teólogo e Pedagogo

© Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6687

  1. O importante é o eco que produz o texto para gerar novos ecos já eles distanciados do texto, lembrando um rio que deixa propriamente de o ser ao transformar-se num delta feito de muitos rios individualizados (por diferentes leitores) que com o seu eco próprio provocam a mudança do leito e da geografia!  Leia o texto todo sem se preocupar com alguma imperfeição ou incompreensão que encontre a caminho.

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