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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

10
Mai21

“MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO” NA CHINA


Oliveira

Artigo de Pedro Vaz Patto, com a devida vénia, transcrito do Jornal digital «SETE MARGENS»

No último encontro da plataforma das Comissões Justiça e Paz europeias, entre outras situações relativas a violações de direitos humanos em várias partes do mundo, foi dado particular destaque à situação da China em geral e de Hong-Kong em particular.

O Pe. Gianni Criveller, missionário do instituto italiano P.I.M.E., especialista em questão relativas à China e residente por longos anos em Hong-Kong, sublinhou o seu profundo desencanto com a situação que se vive atualmente nessa região. Disse já não reconhecer essa cidade, onde até há pouco se respirava liberdade, apesar das limitações do seu regime democrático: hoje é uma cidade que não é democrática, nem livre. Relatou, dizendo que o fazia de forma emocionada por conhecer bem os protagonistas, a recente condenação judicial (por aplicação da “lei de segurança interna” hoje em vigor) de vários activistas em prol da democracia, por factos que num qualquer Estado de Direito não seriam crime, mas simples “opinião”. Todos esses activistas professam a fé cristã (a maioria deles são católicos) e nela encontram a motivação do seu combate pela liberdade. Um deles, Martin Lee, condenado em pena suspensa (provavelmente, em atenção à sua idade avançada) tem sido considerado “pai” do movimento pró-democrático em Hong-Kong e tem sido regularmente consultado pelos bispos católicos.

O jornalista inglês Benedict Rodgers, da organização de defesa dos direitos humanos Hong-KongWatch, que tem acompanhado a situação da China, e também de Mianmar (onde viveu vários anos e se converteu ao catolicismo, para o que contribui o testemunho do cardeal Charles Bo), realçou também o impacto que tem tido em Hong-Kong a “lei de segurança interna” nos âmbitos da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa (ele próprio foi o primeiro de vários jornalistas estrangeiros expulsos do território) , do ensino (cada vez mais instrumento de imposição ideológica) e da liberdade religiosa. Esses ataques estão ainda longe do que se verifica nas outras partes da China, mas parece ser nesse sentido que também caminha esse território, cujo estatuto especial vem sendo violado na prática, contra os compromissos internacionalmente assumidos. Sobre a situação dos direitos humanos na China continental, aludiu à tragédia dos uigures, que a Câmara dos Comuns do Reino Unido já qualificou como “genocídio”, numa declaração aprovada por unanimidade.

Também sobre as violações dos direitos humanos na China, a eurodeputada eslovaca Miriam Lexman (do Partido Popular Europeu) afirmou que aquilo a que hoje assistimos representa o preço da ilusão em que caíram políticos e académicos confiando que a abertura económica, a intensificação das relações comerciais e o crescimento económico conduziriam a uma progressiva abertura política, com reformas em sentido democrático e de maior respeito por tais direitos. Não foi isso que se verificou. O crescimento económico tem provocado um reforço do poder político chinês nos planos interno e externo, e o pendor desse poder vai cada vez mais num sentido autoritário e até totalitário. Tal contrasta com o que sucedeu na União Soviética e na Europa de Leste, onde a ausência de laços de interdependência económica com o Ocidente facilitou a queda dos regimes comunistas – salientou esta eurodeputada de um dos países que se libertou desses regimes. Pugnou pela coerência entre as políticas comercial e de defesa dos direitos humanos da União Europeia. Nesse sentido, criticou o acordo geral de investimentos entre a União Europeia e a China, que ignora até as exigências de respeito pelas normas de direito laboral decorrentes das convenções da Organização Internacional do Trabalho. Defendeu também a responsabilização de empresas vendedoras de produtos com origem na China quando não cumpram deveres de vigilância relativa ao respeito pelos direitos humanos em todas as fases (e não apenas na última) da cadeia de valor desses produtos. 

A estas informações e opiniões associei o que se diz sobre a China no Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo recentemente publicado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Aí se afirma: «Nenhum regime na história teve mais sucesso em tornar realidade o romance distópico de George Orwell Mil Novecentos e Oitenta e Quatro do que o da República Popular da China. De facto, o aparelho de repressão construído pelo Partido Comunista Chinês nos últimos anos é de tal forma aperfeiçoado, difundido e tecnologicamente sofisticado que faz com que o “Big Brother” pareça amador». Essa repressão atinge a liberdade religiosa. Esse aparelho inclui a difusão cada vez maior de câmaras de vigilância com reconhecimento facial (também em igrejas e templos), plataformas de recolha sistemática de dados de smartphones sem conhecimento dos visados e um sistema de “crédito social” por pontos em que baixas pontuações (que podem derivar da participação em actos de culto religioso não autorizado ou da falta de cooperação com a polícia na detecção desses actos) podem impedir a inscrição de crianças e jovens em escolas, ou a utilização de transportes públicos. Expoente máximo desse aparelho de repressão é a prisão de centenas de milhar de muçulmanos uigures em “campos de reeducação”.

Diante deste cenário, choca a passividade e indiferença de governos ocidentais que nos seus relacionamentos económicos com a China ignoram violações de direitos humanos tão graves e acentuadas como estas, que dificilmente encontram paralelo noutras latitudes. Esses relacionamentos intensificaram-se, empresas chinesas ocupam hoje posições de grande relevo nas economias de muitos países e a China tornou-se uma grande potência. Estes relacionamentos não são de rejeitar em si mesmos, além do mais porque têm contribuído para a redução da pobreza no mundo. Mas não contribuíram, como ilusoriamente muitos pensaram (também aqui seguindo pressupostos exagerados sobre as virtudes do mercado) para qualquer abertura política (há até quem considere que só nos tempos do maoismo se assistiu a tão graves violações dos direitos humanos como as que agora se verificam).  Importa, na verdade, não desligar a política comercial das políticas de defesa dos direitos humanos, condicionando os relacionamentos económicos ao respeito desses direitos (incluindo os dos trabalhadores). Isso já tem sucedido com países económica e politicamente mais fracos. Também aqui, não é justo e coerente ser «forte com os fracos e fraco com os fortes».

Pedro Vaz Patto

07
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

Se amas, a tua vida será sempre conseguida

O amor é sempre maravilhosamente complicado, e sempre imperfeito, isto é, incompleto. Sempre artesanal, e como todo o trabalho artesanal pede mãos, tempo, cuidado, regras: se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Mas como é que Tu, Senhor, enclausuras dentro dos mandamentos a única coisa que não se pode mandar? Desencorajo-me: o mandamento é regra, constrangimento, sanção. Uma trela que me puxa. O amor, pelo contrário, é liberdade, criatividade, divina loucura… Mas Jesus, o curador do desamor, oferece a sua pedagogia segura em dois tempos.

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O valor do fracasso

«É necessário educar as novas gerações para o valor da derrota. Para a sua gestão. Para a humanidade que dela brota. Para construir uma identidade capaz de percecionar uma comunhão de destino, onde se pode falhar e recomeçar sem que o valor e a dignidade sejam atacados. Para que não se tornem conquistadores sociais, para que não passem sobre o corpo dos outros para chegar primeiro.» Também os cristãos perseguem uma espécie de êxito, de sucesso no mundo, e portanto tornaram-se incapazes de entrever a possibilidade da fraqueza e do consequente fracasso.

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O melhor ainda está para vir

Julgo que não damos o devido valor à lição dos “quarenta dias” do Ressuscitado para a nossa aprendizagem da ressurreição da vida. Se deixamos à morte a última palavra, esta vida está perdida para sempre. A vida – a vida que temos, a vida que somos, a vida pela qual acreditamos, esperamos e amamos – acabou desta maneira por ser dividida em duas. A vida antes da morte e após a morte. A vida eterna prometida com a ressurreição não é pós-humana. Permanece humana. E para a fé, esta vida é a semente, não a floração.

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Agradecimentos:

https://www.snpcultura.org

 

06
Mai21

O amor de Deus para com todos


Oliveira

Proposta de Homilia para o 6.º domingo de Páscoa 2021 – ANO B

Domingo, 9 de Maio de 2021

Irmãs e irmãos, encontramos no Evangelho de hoje palavras de Jesus sobre o seu amor a Deus seu Pai. Vamos entrar nesse mundo do amor.

  1. O amor do Pai para com Jesus

     Evangelho

     Como o Pai me tem amor, disse Jesus, que sentiu o amor do Pai. Quando Jesus foi baptizado por João Baptista, no rio Jordão, ouviu-se do céu uma voz: “Este é o meu Filho muito amado” (Mt 3, 17). Também quando Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, deixando os três apóstolos extasiados pela sua beleza e encanto, o céu abriu-se e fez-se ouvir uma voz semelhante à do baptismo: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo, ouvi-o” (Mt 17,5). Jesus sentiu o amor do Pai, e disse: “como o Pai me tem amor”. Interessa-nos saber isto? Sim, porque o amor é o coração da nossa vida. E ser amado é indispensável a cada pessoa. 

      “Assim Eu vos amei”. Descobrimos que Jesus também nos ama, dizendo: “Assim Eu vos amei”. E esse amor entra pelos nossos olhos, quando vemos Jesus a partilhar a sua vida com a nossa vida pobre. E vemos Jesus a lavar os pés aos apóstolos, na última Ceia.

     Refiro aqui um pensamento de Teresa do Menino Jesus sobre o amor que ela sentiu da parte de Jesus. Esta santa viveu apenas 24 anos, no final do século XIX, e “iluminou toda a Igreja com a sua profunda doutrina espiritual”. Acerca dela disse o Papa Francisco numa catequese: “A História de uma Alma” é uma maravilhosa história de amor… No entanto, qual é o amor que preenche a vida de Teresa? Este amor tem um rosto, tem um nome, é Jesus!”. Disse Teresa: “Um só olhar no Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr (para Ele). Sinto-o, mesmo se tivesse na consciência todos os pecados…iria lançar-me nos braços de Jesus”.[1]  

  1. O amor de Deus para os pagãos

     Primeira leitura

     Com a entrada de Pedro na casa de Cornélio, a Igreja dá um passo em direção aos pagãos. Cornélio era um centurião romano, chefe de cem soldados; ele era muito piedoso, bem como toda a sua casa, e dava esmola aos pobres. Pedro sentiu-se chamado a ir ter com ele, e fez um discurso, para muitas pessoas nessa casa.

     Este acontecimento abre uma porta importante: a Igreja deve dirigir-se ao povo que não era o Povo de Deus. Assim se manifesta o amor universal. O amor de Deus destina-se a todas as pessoas.

  1. O amor de Deus entre nós.

Segunda leitura

São João sente que devemos amar-nos uns outros, “porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus”. E apresenta um motivo importante: “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós”. Com amor gratuito, sem interesse por nós mesmos. Um crente não pode passar junto do ferido deixando-o no caminho, passando adiante sem cuidar do irmão, como aconteceu na parábola do samaritano: o sacerdote e o levita fizeram-se cegos diante de um ferido.

Eu julgo que temos exemplos bonitos de ajuda humanitária quando há uma catástrofe. O povo acode com ofertas generosas. O bem que se faz no mundo, tem inspiração no Evangelho; os direitos humanos e as bem-aventuranças nascem do Coração de Cristo, influenciando para bem, os critérios do mundo.  

     Este amor entre nós é o caminho aberto para o homem novo que nasceu da Páscoa. Com Cristo ressuscitado.

P. António Gonçalves, SDB

 

[1] Cf. Internet: Catequese do Papa: “Teresa do Menino Jesus e a Ciência do amor”.

05
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

Videira: Em memória de José Augusto Mourão

«A Igreja é um corpo a caminho, uma construção. Como um organismo vivo. Como palavra, que é um vivo. A palavra não é informação, mas transformação. Na floresta da linguagem, quando o vento da fala deixa de agitar a folhagem das palavras, abafamo-lo. A palavra deve formar comunidade. O garante desse crescimento é o Espírito que não é o gestor das obras, mas a Vida que move o mundo.»

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Canonização de Charles de Foucauld confirma a Igreja como presença de encontro com todos

«A espiritualidade de Nazaré sobre a qual se fundava o carisma de Charles de Foucauld marcou profundamente a nossa presença nesta terra, uma presença amiga e fraterna, onde o encontro humano é essencial. Por isso, o facto de Charles de Foucauld ser canonizado é para nós muito importante porque nos confirma na nossa vocação: ser uma presença fraterna de encontro, de humanidade e espiritualidade com todos.» Ele foi também e sobretudo um pioneiro do diálogo com as outras culturas e religiões, em particular com o islão: «Insistiu sempre muito sobre a bondade. O seu apostolado era do da bondade».

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Livro revê atentado a S. João Paulo II a 13 de maio de há 40 anos e revela factos pouco conhecidos

Dois, talvez três disparos de pistola: João Paulo II cai na praça de S. Pedro, em pleno Vaticano. Eram as 17h17 de 13 de maio de 1981. Um momento que ficará na história, para Karol Wojtyla, para a Igreja, para a Europa e para o mundo. O papa sobrevive, talvez milagrosamente, e o autor do atentado, Ali Agca, não sabe como: «Disparei a quatro metros, não podia errar.» As etapas agitadas do socorro na praça, a corrida para o hospital com uma ambulância sem sirene, que se tinha avariado, a angústia do mundo e a oração nas horas da operação: estes são os primeiros factos escritos na história daquele dia.

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Papa pede orações por uma economia «que não deixe ninguém para trás» [Vídeo]

«Enquanto a economia real, a que cria emprego, está em crise, com tanta gente sem trabalho, os mercados financeiros nunca estiveram tão inflacionados como agora»; trata-se de uma situação «insustentável» e «perigosa». É nestes termos que o papa apresenta, em vídeo, a intenção de oração para maio, dedicada ao «mundo das finanças», na qual faz questão de «sublinhar» uma palavra: «Especulação». «Para evitar que os pobres voltem a pagar as consequências, a especulação financeira deve ser estritamente regulamentada», assinala Francisco, que pede orações para que «as finanças sejam instrumentos de serviço, instrumentos para servir as pessoas e cuidar da casa comum».

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Rosário: Dos santos aos papas, de Mozart a Fátima

No mês de maio, o povo cristão, armado de “grinaldas”, redescobre o rosto de Jesus na escola da Virgem Maria, a Rainha do Santo Rosário. Rosário é o substantivo proveniente do latim “rosarium”, roseiral, jardim de rosas, que a partir do contexto do monaquismo do século XII, com os Cartuxos e os Cistercienses, e ainda antes no século IX nos mosteiros da Irlanda, assume a conotação religiosa, marcada em especial pelo uso de colocar uma coroa ou grinalda de rosas nas imagens de Nossa Senhora, simbolizando as muitas orações perfumadas oferecidas a Maria, a que se seguiu a utilização do cordão de contas como instrumento para a recitação.

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Oração dos simples, valor inestimável

Nos santuários há muitas vezes um lugar destinado aos denominados ex-votos, geralmente objetos ou desenhos ou escritos que falam de uma graça recebida. Muitas vezes aconteceu-me ver outros visitantes, como eu, percorrer apressadamente, frequentemente com um sorrisinho na boca, aqueles espaços. Quase como se fossem retalhos de outros tempos, de um passado que hoje já não existe, quando, pelo contrário, aqueles objetos, aqueles desenhos, aqueles escritos são e permanecem para sempre as testemunhas de uma fé simples, espontânea, sem muitas superestruturas, sempre iguais há séculos. O mesmo acontece com a chamada oração “vocal”.

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Agradecimentos:

https://snpcultura.org

 

04
Mai21

REZAR O QUOTIDIANO


Oliveira

Partilho o texto da meditação de ontem para a oração do terço do C. Tolentino, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Por vezes caímos no erro de julgar o quotidiano, e a sua humilde arquitetura ordinária, como um lugar irrisório, repetitivo ou dececpionante, do qual não há grande coisa a esperar. Com Maria aprendemos a não pensar assim.

Pelo contrário, aprendemos com Maria que o quotidiano é o lugar para acolher o anjo e as surpresas do anúncio de Deus.

Com Maria compreendemos que o quotidiano é o espaço da visitação, e que quando esta acontece o divino estremece em nós.

Com Maria sentimos que as mil tarefas de um quotidiano exigente são mil oportunidades para dizer, diante do olhar de Deus, o nosso “sim”.

Com Maria experimentamos que o quotidiano nos permite não um alheamento, mas uma intimidade concreta e dia-a-dia renovada com Jesus.

Com Maria descobrimos o valor dos pequenos gestos, dos rituais repetidos, dos olhares que não se temem, do dom que é a presença sem mais.

Com Maria sabemos que um sorriso é uma história partilhada.

Com Maria damo-nos conta que o quotidiano é sim feito de migalhas, mas que misteriosamente elas contêm o infinito de Deus.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
3.05.21

03
Mai21

JUSTIÇA CONTRIBUTIVA


Oliveira

Com a devida autorização do Autor, transcrevemos o artigo que segue, já publicado no jornal Voz da Verdade.

A comissão e assuntos sociais da COMECE (Comissão dos Episcopados da União Europeia) publicou recentemente uma declaração (acessível em www.comece.eu) sobre o Plano de Recuperação e Resiliência da União Europeia, onde se acentua a importância do lugar que nesse plano devem ocupar a justiça social, a justiça ecológica e a justiça contributiva. A respeito da justiça contributiva, é aí citado um discurso da Papa Francisco, de fevereiro do ano passado, sobre a injustiça gerada pelos chamados “paraísos fiscais”, que levam a que quantias astronómicas de impostos não pagos nos países onde são gerados os rendimentos correspondentes (muitos deles países pobres) deixem de servir para custear serviços públicos essenciais.

Na verdade, os “paraísos fiscais” contribuem para uma completa distorção das finalidades dos sistemas fiscais como instrumentos de promoção da justiça social e de correção de desigualdades excessivas. Levam, até, a que as mais lucrativas empresas do mundo paguem menos impostos do que as de pequena e média dimensão.

Essa distorção também se verifica quando vários países, sem alcançarem a qualificação de “paraíso fiscal”, mas numa lógica que se aproxima da que está na base desses regimes, pretendem atrair capitais e investimentos através de taxas de imposto cada vez mais reduzidas. Já se tem designado esta política como de “corrida para o fundo” (“race to the bottom), porque tende a um nivelamento por baixo das taxas de imposto, com consequências que podem aproximar-se, numa outra escala, das que derivam dos “paraísos fiscais”.

A O.C.D.E. vem propondo forma de regulação internacional que evitem este tipo de distorções, garantido que a tributação ocorra nos países onde é justo que ocorra, porque é neles que são gerados os rendimentos correspondentes (e não em sedes ou filiais criadas artificialmente), e estabelecendo taxas mínimas. Recentemente a atual administração norte-americana também lançou propostas neste sentido.

Em Portugal, temos assistido a uma situação algo equiparável às acima referidas, decorrente do estatuto fiscal privilegiado de residentes não habituais (estrangeiros), a que têm recorrido pensionistas de países como a França, a Itália ou a Suécia. É verdade que tal estatuto tem beneficiado a nossa economia (mas também tem contribuído para a subida acentuada dos preços da habitação que nalguns locais se vão tornando incomportáveis para os portugueses), através do incremento do consumo (com o consequente aumentos das receitas de impostos indiretos).

Mas importa salientar um princípio que não deve ser esquecido quando se abordam todas estas questões. O pragmatismo utilitarista não pode levar-nos a sacrificar critérios de justiça. O tratamento fiscal privilegiado de residentes estrangeiros pode trazer vantagens, mas não é justo que cidadãos estrangeiros tenham um tratamento fiscalmente mais favorável do que cidadãos portugueses, e, sob certo aspeto, os mais ricos tenham um tratamento fiscalmente mais favorável do que os mais pobres.

Já dizia Kant que uma atitude moralmente correta deverá poder ser generalizada. É claro que todos estes sistemas de concorrência fiscal no sentido da “corrida para o fundo” não poderiam generalizar-se: os países nunca poderiam transformar-se todos em “paraísos fiscais” É compreensível que os países prejudicados com estas formas de concorrência (como tem sucedido com a Suécia em relação ao estatuto fiscal dos seus residentes em Portugal) reajam e não as aceitem. A opção utilitarista que prescinde de critérios de justiça pode ter vantagens no curto prazo, mas essas vantagens não serão sustentáveis numa perspetiva temporal mais ampla.

Pedro Vaz Patto

02
Mai21

PROGRAMA PARA A PRÓXIMA SEMANA: Semana Mundo Unido (SMU) , Run4Unity e muito mais


Oliveira

Salve, 1.º de maio 2021 !

CONSEGUI informação acerca das várias atividades que irão ocorrer no mês de maio que começa com a Semana Mundo Unido (SMU) http://www.unitedworldproject.org/pt-br/workshop/semana-mundo-unido-2021/, queremos dar VISIBILIDADE AO POSITIVO a tudo o que se faz para a construção da Unidade e da Fraternidade Universal. 

Para além de eventuais acções locais que podem ser feitas (e comunicadas à comissão #DareToCare), haverá também eventos online, abertos a todos os interessados:

- Dia 1 de maio: encontro “Ponto a Ponto” (16h00), online, via Zoom. https://us02web.zoom.us/j/89185930858?pwd=UXZuREhtcGVnbWJYK0trTGJ2YzBSdz09

um momento para aprofundar a Espiritualidade da Unidade, promovido pela Cidadela Arco-Íris. Este é o terceiro, desta série de encontros. O tema será o “Amor ao próximo”. Estão todos convidados!

- Dia 1 de maio: Concerto do GenVerde "A time for change" (20h00) para todos -  http://www.unitedworldproject.org/pt-br/workshop/a-time-for-change-o-gen-verde-da-a-largada-a-smu/

- Dia 2 de maioRun4Unity (11h00 às 12h00 em cada fuso horário) para adolescentes - http://www.run4unity.net/2021/pt-pt/ Uma estafeta mundial, com jogos, desafios, partilha de experiências e de empenhos, para estender ao mundo inteiro um arco-íris de unidade e de paz. Relativamente ao Run4Unity, segue em anexo uma carta que nos diz como podemos participar nesta "corrida" online. 

-  Também a 2 de maio: Celebração dos 25 anos do Movimento Político para a Unidade, com políticos de vários países, em que será lançado um “Apelo para uma nova qualidade da Política” - para adultos

- Dia 8 de maio: Concerto do GenRosso "2gether we care" (20h00) - para todos - http://www.unitedworldproject.org/pt-br/workshop/gen-rosso-um-concerto-daretocare/

- Dia 8 de maioPeace Got Talent (14h00) - 

Living Peace International - 

Um evento musical internacional com a participação de jovens de vários países dos 5 continentes. Música, danças e canções testemunharão o empenho de #DareToCare no seu contexto - adolescentes e jovens - https://www.youtube.com/watch?v=blPWXK3TsbA

-  Também a 8 de maio: Celebração do Juntos pela Europa 2021 (21h00) - para adultos - https://www.youtube.com/watch?v=PTu2tUucYCE (folheto em anexo)

- Dias 7 a 9 de maio: Eventos online da conclusão da 3ª etapa dos Pathways (Cidadania ativa e política pela Unidade) e lançamento da nova etapa (Dignidade humana, cultura da vida e proteção ambiental) - para todos -  http://www.unitedworldproject.org/pt-br/uww2021/

- A conclusão, no dia 9, será a partir de Bruxelas, integrada na celebração do Dia da Europa - para todos -  http://www.unitedworldproject.org/pt-br/eventi/dare-to-care-international-convention-2021/

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