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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

21
Mai21

Domingo de PENTECOSTES


Oliveira

Proposta de Homilia para a Solenidade do Pentecostes – ANO B - 2021

Domingo, 23 de Maio de 2021

Espírito Santo enviado para vida da Igreja    

     Irmãs e Irmãos, quem é o Espírito Santo, enviado aos apóstolos e a Nossa Senhora? Uma pergunta existencial, que tem a ver com todos nós.

  1. O Espírito Santo enviado por Jesus.

      Evangelho

  Irmãs e Irmãos, neste dia de Pentecostes, rezamos com toda a confiança: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, e acendei neles o fogo do vosso amor”. Quem é o Espírito Santo?  

O Evangelho de São João mostra-nos Jesus no dia de Páscoa. Apareceu aos Apóstolos: “soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo”. Deu-lhes o poder de perdoar os pecados: “A quem perdoardes…ficarão perdoados”; e enviou-os em missão: “Como o Pai me enviou, também Eu vos envio”.  Jesus, com os Apóstolos, forma uma comunidade viva, nova, animada pelo Espírito Santo, pronta para a missão: o começo da Igreja.

2.  Espírito Santo manifestado no vento e no fogo.

Primeira Leitura

     Como se manifestou o Espírito Santo no dia de Pentecostes? São Lucas indicou-nos os sinais: “fez-se ouvir uma forte rajada de vento; e viram aparecer uma espécie de línguas de fogo sobre cada um dos apóstolos e Nossa Senhora. E “Todos ficaram cheios do Espírito Santo”.

     O vento, sinal de respiração e de vida; e línguas de fogo, sinal de luz e calor para a evangelização. Esta graça acontece na Igreja de modo particular no Sagrado Crisma. Diz o bispo, aplicando o crisma consagrado: “Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus”. Vida nova; Lei nova; comunidade nova.

  1.  Espírito Santo, unidade e amor.

      Segunda leitura

      Quando nós rezamos a doxologia “Glória ao pai e ao Filho e ao Espírito Santo”, adoramos as três pessoas da Santíssima Trindade. Quem é o Espírito Santo? É o Amor do Pai e do Filho. Deus é Trindade. “Ó Deus, Tu és três”, assim rezavam uns cristãos simples e sábios[1]. O Espírito Santo é o Amor na Santíssima Trindade.

     Um fruto do Espírito Santo é a união: todos entendiam a linguagem dos apóstolos. O contrário é o pecado, que provoca a desunião: caso da torre de Babel, com a confusão das línguas. Acontece hoje nos conflitos.  

     São Paulo explica-nos: “Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros… constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo… Todos nós fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só corpo”. O que une os esposos? O Amor. Um professor perguntou a um estudante do 6º ano, no seu aniversário natalício: - “Que te vai oferecer a tua mamã?” -  “Amor”, respondeu ele.   

     Os apóstolos receberam o Espírito Santo, sentiram o amor de Deus, e inflamados por esse amor, entraram no caminho da evangelização: de Jerusalém à Judeia, à Samaria, à Grécia,  a Roma,  ao mundo…. O Espírito Santo faz de nós profetas, homens novos, mundo novo.

     A presença de Maria

     São Lucas (1,12-14), narra: “todos estes (Apóstolos), unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais, Maria, a Mãe de Jesus” (AT. 1, 12-14). Maria pertence, desde o início, à vida da igreja. Viveu a experiência do Espírito Santo, que tinha realizado nela o milagre da Encarnação de Jesus.

    O Papa Francisco recorda-nos: “No tesouro do coração de Maria estão também todos os acontecimentos de cada uma das nossas famílias, que ela guarda solicitamente” (A Alegria do Amor n. 30). Já Paulo VI tinha dito: “Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável…»[2]  Com Maria, defendamos a família, no matrimónio cristão.   

P. António Gonçalves, SDB

 

[1] José Tolentino de Mendonça, Elogio da Sede.

[2] Paulo VI, Alocução em Nazaré, 05.01.1964; cit. em A Alegria do Amor, n. 66.

21
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

Até quando continuaremos a comover-nos

e a esquecer?

Ao ver a imagem, pergunto-me o que tem a ver aquela criança, que podia ser nossa filha, com o salvador, o mar, a fuga, os migrantes. No entanto não é uma fotomontagem. É, antes, a enésima imagem dilacerante, que comove e toca os corações de quem é pai e mãe, homem ou mulher. Porque tudo aquilo que sacode faz subir um nó à garganta, provoca o pranto, talvez instigue a raiva. E é bom que assim seja. Mas a emoção já não basta. Já não basta o momentâneo apelo ao instinto materno e paterno de proteção em relação aos pequeninos em perigo. Já não chega salvar tantas vidas.

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A humanidade precisa que o Espírito a sacuda

O que é o Espírito Santo? É Deus em liberdade. Que inventa, abre, sacode, faz coisas que não esperas. Que dá a Maria um filho fora-da-lei e a Isabel um filho profeta, e que em nós cumpre incansavelmente a mesma obra de então: torna-nos ventres do Espírito, que dão carne e sangue e história à Palavra. Deus em liberdade, um vento nómada, que leva pólenes aonde quer, leva primaveras e dispersa as neblinas, e a todos nos faz vento no seu Vento. Deus em liberdade, que não suporta estatísticas. Os estudiosos procuram recorrências e esquemas constantes; dizem: na Bíblia Deus age assim. Não acredites. Na vida e na Bíblia, Deus nunca segue esquemas.

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Mel Gibson e Mark Wahlberg protagonizam filme sobre padre que deixou vida de pugilista e ator

Os atores católicos Mel Gibson e Mark Wahlberg são os protagonistas de "Stu", filme em torno à vida do norte-americano Stuart Long, ex-pugilista que foi ordenado padre e morreu em 2014, que começou recentemente a ser rodado em Los Angeles, EUA. Wahlberg, um dos coprodutores que desde há anos tinha este projeto em mente, vai assumir o papel do sacerdote, o que o obrigou a ganhar vários quilos em poucas semanas, enquanto Gibson, realizador de “A Paixão de Cristo” (2004), interpreta o pai de Stu.

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https://snpcultura.org

 

20
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

«Rezar não é fácil»: Francisco aponta espinhos e sugere estratégias para perseverar na oração

«Como fazer neste suceder-se de entusiasmos e desânimos? Deve aprender-se a caminhar sempre. O verdadeiro progresso da vida espiritual não consiste e multiplicar os êxtases, mas em ser-se capaz de perseverar nos tempos difíceis. Recordemos a parábola de S. Francisco sobre a perfeita alegria: não é nas riquezas infinitas que chovem do Céu que se mede a bravura de um frade, mas no caminhar com constância, mesmo quando não se é reconhecido, mesmo quando se é maltratado, mesmo quanto tudo perdeu o gosto dos inícios. Os crentes nunca extingam a oração!»

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Onde está Deus? O padre, a vida e a resposta

O padre deve ter viva a consciência de que Deus está para além do pastor, do educador e do consolador: para chegar a isto, deve partilhar a vida das pessoas. Homem entre homens, deve aprender a sentir-se numa relação paritária com homens e mulheres. Paradoxalmente deve ser-lhe espontâneo sentir-se em sintonia mais com pessoas afastadas da fé ou à procura do que quem vive seguro e protegido pela religiosidade tradicional. Na comunidade deve aprender a sentir-se muito mais “irmão” do que “pai”, “mestre” ou “líder”. Deve passar do culto lateral em relação à vida à fraternidade quotidiana e à solidariedade humana, alimentada de fé e oração, com as condições de vida mais difíceis. O modelo é a vida de Jesus, que vive e mostra o amor divino mergulhado plenamente na condição humana.

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Deus dos silêncios e das longas gestações

É tudo menos fácil confiar Deus definitivamente ao silêncio. Todavia, este é o ponto culminante da nossa fé em Deus, «irredutível a uma mitologia entre as outras». Porém, é uma situação arriscada. E o risco, ou melhor, a tentação, é de preencher o vazio que deriva do silêncio com uma presença substitutiva, e inevitavelmente ilusória. É o risco que corre a Igreja, as Igrejas, os padres. «Por vezes o vazio não é ausência, mas antes longa gestação. Para os parâmetros do eu, a gestação é sempre excessivamente longa. Mas para os parâmetros da alma, os tempos da espera e da elaboração interior que precede a evidência exterior são sempre aqueles que devem ser.»

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Meritocracia: Ilusão que justifica as desigualdades

Este mecanismo de autoengano está tão espalhado, que por vezes as pessoas criam “méritos imaginários” para quem tem sucesso e, talvez mais preocupante, “deméritos imaginários” para quem está no fundo da escala social, os últimos, os descartados, os pobres. Regressa, prepotente, a ideologia dos amigos de Job: aquele que não tem mérito é culpável. Ninguém nunca o diz explicitamente, mas por trás de muitos discursos, hoje como ontem, há a ideia de que a pobreza é uma culpa. No fundo, o verdadeiro e grande problema da meritocracia é que justifica e legitima as desigualdades.

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Tendência esterilidade

Temos à nossa frente a perspetiva de uma sociedade feita sobretudo de velhos, uma sociedade sem um futuro que traga sinais de plenitude e de expansão de vida. A tomada de consciência desta situação provoca, desde há anos, proclamações de alarme, promessas de políticas orientadas para disponibilizar trabalho às novas gerações, permitindo-lhes aceder a uma casa e a um sistema de segurança social que ajude verdadeiramente uma vida familiar com a presença de filhos que nascem, crescem e entram na vida da sociedade sem excessivos impedimentos e obstáculos. Na verdade, tais promessas, mesmo que se tornassem política real, não seriam suficientes para inverter esta tendência para a esterilidade. Ela é gerada pela cultura primeiro que pela economia.

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19
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Outras sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

Quanta alegria nos é possível?

Como cantava Leonard Cohen, «love is not a victory march: it’s a cold and it’s a broken “Halleluja”». A exultação pascal é filha do amor, e o amor, quando verdadeiro, não é uma marcha triunfal. Ainda não, por agora. O amor é empastado de felicidade e de sacrifício, em simultâneo, incindivelmente. O tempo da História é ainda o tempo de um aleluia muitas vezes «frio e despedaçado». Um aleluia firmemente desejado, consciente, ferido pelas provações da vida, e todavia pleno de confiança, porque animado por uma esperança invencível.

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Leitura: “O coração do mundo – Antologia de escritos" de John Henry Newman

«A modéstia, a paciência e a prudência são disposições da mente quase tão necessárias à investigação filosófica como a seriedade e a honestidade, apesar de não tão obviamente necessárias. A imprudência nas asserções, a pressa em tirar conclusões, a confiança resoluta na nossa própria perspicácia e capacidades de raciocínio são incompatíveis com a homenagem que a natureza exige àqueles que gostariam de conhecer as suas maravilhas ocultas. Ela recusa-se a revelar os seus mistérios àqueles que se aproximam com outro espírito que não o humilde e reverente de aprendizes e discípulos.»

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Arquitetura: Livro assinala 50 anos da igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa [Imagens]

«Uma peça de arquitetura maior na História de arquitetura do século XX em Portugal que não merecera até agora um livro dedicado, vê hoje a sua valia destacada por um guião expressamente preparado, cuidadoso e revelador de novos aspetos, por Cátia Santana; por um ensaio fotográfico por um jovem estudioso da arquitetura religiosa, Hugo Casanova; e por um aturado estudo histórico por dois dos investigadores mais conhecedores no país da arquitetura da Igreja Católica, João Alves da Cunha e João Luís Marques.»

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Educar não é domesticar

A diferença entre educar e domesticar depende da colocação desta pergunta. Domesticar alguém não requer perguntas de sentido, mas apenas objetivos de comportamento. Se nos basta que um filho “se comporte bem”, é suficiente encontrar instrumentos que se mostrem adequados à necessidade; entre estes, telemóveis e computadores com infinitas variedades de jogos e programas à disposição tornaram-se hoje o recurso mais fácil, eficaz e sempre ao alcance da mão: em casa como no restaurante, no automóvel como na casa dos amigos. A partir do primeiro ano de vida, graças a estes instrumentos é possível obter o seu silêncio, neutralizá-los, estar um pouco em paz. Mas será que, realmente, nos basta domesticá-los?

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18
Mai21

PENTECOSTES


Oliveira

Partilho o texto da meditação de ontem para a oração do terço do C. Tolentino, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Vem Espírito desimpedir a visão e ensinar-nos a ver com os olhos de Deus o próximo e o distante, o uno e o múltiplo, o particular e o universal,

Vem Espírito iniciar-nos em todas as línguas, todos os gestos, todos os signos que são necessários para que se concretize o mínimo acto de amor,

Vem Espírito encorajar-nos a acreditar e que em vez de nos deixarmos capturar pelo peso das cinzas, recebamos com confiança o fogo que vem de Deus,

Vem Espírito ajudar-nos a compreender a vida que nos cabe viver não apenas com a nossa intuição ou conhecimento mas com uma inteligência transfigurada em Cristo,

Vem Espírito testemunhar-nos que quando aceitamos a cruz finalmente os nossos movimentos se alargam livres em todas as direções,

Vem Espírito refundar e fortalecer os trabalhos da esperança em nós mostrando-nos que o instante presente é uma preciosa etapa do interminável parto que a nossa vida é em Deus.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
17.05.2011

18
Mai21

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Transcrevemos, com a devida vénia, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

Catástrofes

A situação de exceção não apenas sanitária, mas realmente com implicação a todos os níveis que interessam o ser humano, provocada pela pandemia do vulgarmente chamado vírus «covid19», se bem que tenha implicado grandes, graves, dramáticas e, em alguns casos, trágicas consequências antropológicas, não constituiu, até agora, ainda, uma situação de catástrofe que se aproxime de algo caótico em termos universais. Tal é uma feliz realidade, que se deve a muitos fatores, sendo um dos mais importantes a dedicação e competência do pessoal sanitário, em sentido lato, que inclui também todos os que não sendo estritamente profissionais de saúde contribuíram para o controlo da pandemia. Todavia, não é difícil perspetivar situações muito mais graves, desde que a desordem existente se aproxime de algo tipicamente caótico.

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Os 130 anos da “Rerum novarum”: Uma encíclica do seu tempo repleta de profecia

Leão XIII publicou a encíclica num momento em que a Igreja católica atravessava uma fase de profunda crise: estava em curso um processo de intensa descristianização, ao ponto de a educação para a religião católica ter tocado o nível mais baixo da sua história. A imagem que a Igreja dava de si ao mundo era a de uma instituição em agonia, fechada e incapaz de compreender as ânsias e as razões do ser humano contemporâneo. Com o seu documento, o papa estimulou em pouco tempo a atenção de muitíssimos políticos e intelectuais de todo o mundo, favorecendo o nascimento e o desenvolvimento de movimentos abertos à dimensão social e política.

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16
Mai21

TROVA À LIBERDADE


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

Ao ler a seguinte trova de Manuel Alegre, sinto-o ligado à tradição do nosso grande trovador e rei Dom Dinis, na sua trova – “Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo?… “

Na procura de uma liberdade que parece não chegar, também Manuel Alegre se dirige à natureza (ao país) que se torna na melhor inspiradora e conselheira. Como em Dom Dinis, a “Trova do vento que passa” deixa uma porta aberta por onde se pode ir realizando o grande sonho. O trovador dirigir-se à Liberdade, que procura na sua amada e se encontra algures escondida nas terras de Portugal. Passemos à exímia trova de Manuel Alegre que acaba de celebrar o seu 85° aniversário:

António C.D. Justo

Notas em “Pegadas do Tempo

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio — é tudo o que tem

quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).

Há́ quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento

e o vento nada me diz.

Mas há́ sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há́ sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há́ sempre alguém que resiste

há́ sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

16
Mai21

A ASCENSÃO SOCIAL DÁ-SE DO MEIO PARA O TOPO


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

Uma vez pobre sempre pobre

Segundo o resultado do 5° relatório sobre a pobreza e a riqueza na Alemanha (1) apresentado pelo governo, a promoção social vinda de baixo é quase impossível como se depreende da análise do sector salarial baixo.

O Ministro Federal do Trabalho conclui que "a subida tem lugar a partir do meio para cima, mas não de baixo para o meio ".

Cada vez há mais pessoas pobres e a desigualdade social está a enraizar-se cada vez mais na sociedade.

Pelos vistos, o trabalho não protege contra a pobreza. Os beneficiados do sistema são cada vez mais ricos!

A metade superior da população detém 99,5% da riqueza total.

Ficaria bem aos Media e à política discutirem mais este tema para que se fomente uma consciência mais exacta do que realmente se passa. Isto para não nos deixarmos enganar!

Uma sociedade democrática verdadeiramente moderna deveria contrariar esta lei do eterno retorno: Uma vez pobre sempre pobre.

O verdadeiro progresso poderia ser a promoção da pessoa humana e de um capitalismo social humano que conduza à prática de uma democracia económica! A fuga à lei e a transgressão dos direitos humanos não podem continuar a ser fonte de receita de elites preponderantes. Não é digno nem humano que a precariedade de uns se torne a base da estabilidade de outros. Não é justo que uma sociedade rica, como a europeia, produza cada vez mais pobres!

A sociedade e suas elites não podem continuar de olhos tapados e à deriva das circunstâncias favorecedoras dos mais fortes! Somos todos responsáveis.

Antoine de Saint-Eupéry já dizia:  "O mundo inteiro afasta-se quando vê passar um Homem que sabe para onde vai".

UM DEPUTADO SOCIALISTA EM QUEM PARECE NÃO HAVER DOLO!

Vale a pena ver todas as suas declarações. Neste vídeo fala da Lei do eterno retorno!

https://www.youtube.com/watch?v=xf5PbYYax9Q

António da Cunha Duarte Justo

Notas em “Pegadas do Tempo”,

16
Mai21

EM CADA HUMANO DESCANSA UM VASCO DA GAMA E UM ULISSES


Oliveira

Com  devida vénia, transcrevemos o texto de A. Justo.

Entre dor e sofrimento se gera o contentamento

Por António Justo, AA S de D. Bosco

A história de aventura de Homero mostra como o herói Ulisses (1) consegue navegar por um estreito basicamente intransponível.

Este estreito é guardado por dois poderosos monstros marinhos, Cila e Caríbdis, vendo-se o marinheiro obrigado a passar sem se aproximar demasiado de um perigo ou do outro: um monstro suga a água do mar, três vezes por dia, e ejecta-a novamente com grande rugido. Quem hesita morre sendo apanhado na sua absorção. O outro monstro encontra-se agachado numa rocha à espera para devorar as vítimas.

A vida de um povo e de um cidadão resume-se num barco que ruma no mar das dificuldades em sentido à realização. Ulisses conseguiu chegar a Ítaca e Vasco da Gama à Índia, porque tinham em si a rota de uma missão a cumprir e de um sonho a realizar! Sem missão nem sonho perder-se-iam no alto mar ou seriam engolidos pelos monstros que se situam de um lado e do outro.

Uma idêntica lição nos resume Fernando Pessoa nos versos “Quem quer passar além do Bojador, Tem que passar além da dor (2)”: uma alusão a Camões que, na sua epopeia, “Os Lusíadas”, descreve a viagem de Vasco da Gama e a sua luta com o Adamastor.

Tanto a epopeia de Homero como a de Camões, representam a viagem de um povo e o itinerário de uma pessoa simbolizada nos protagonistas Ulisses e Vasco da Gama.

Muitas vezes vive-se num dilema de escolha sem grande esperança porque se tem de escolher passar entre dois males ou perigos inevitáveis. Daí a frase "entre Cila e Caríbdis".

Os tempos cor-de-rosa em que vivemos parecem não interessados em reconhecer a realidade humana descrita nesses poemas porque são um apelo ao heroísmo de cada humano a viver e encarar a realidade sem medo do esforço nem do erro! O futuro é dos corajosos e não dos que fogem à dor! Sim, até porque na realidade temos de um lado a dor e do outro o sofrimento de poder não chegar!  (Senão pense-se: que seria da Liberdade trazida pelo 25 de Abril se não tivéssemos em consideração os erros dos que o fizeram! Que seria da vida se a mulher grávida evitasse o sofrimento fugindo à dor do parto; a fazê-lo evitaria o prazer do dar à luz!)

Em cada humano descansa um Vasco da Gama e um Ulisses (Odisseu) à espera de ser acordado para uma missão; cada povo rumará para bom termo se gerar timoneiros do seu calibre! Doutro modo limitar-se-á a ser água pacífica sobre a qual outros navegam… Há que estar atento às sereias e àquilo que julgamos ser a realidade! Quem não está atento ao vento do pensar do tempo, do pensar politicamente correcto e a uma certa doutrina cor-de-rosa de uma espiritualidade que leva ao narcisismo,  conversa e age como se para alcançar a felicidade e fazer caminho bastasse a leveza de ter pensamento positivo e fosse possível um presente criativo sem a parte de sofrimento que lhe pertence! 

O grande filósofo e pensador Platão dizia “O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê”. Ele na sua perspicácia procurava observar o que está para lá do que chamamos realidade: Temos que estar atentos aos sopradores dos ventos que nos formatam e determinam as nossas consciências e o nosso modo de pensar,  arrastando-nos na corrente dos seus ventos tirando-nos ao mesmo tempo a capacidade de nos formarmos e de nos desenvolvermos interiormente.

Reduzindo a ideia de Platão a termos políticos e sociais actuais, devemos estar atentos aos ventos ideológicos que nos movem para onde eles querem, criando, para isso, em nós a ideia de que somos nós que queremos!

António C.D. Justo

Notas em “Pegadas do Tempo”,

  • (1)  Ulisses (Odisseu), Rei de Ítaca é um herói da mitologia grega e a personagem principal da Odisseia, atribuída a Homero.
  • (2)  Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

Fernando Pessoa, in Mensagem

13
Mai21

Ascensão do Senhor

Jesus subiu ao Céu – continua na Igreja – humanidade nova


Oliveira

Proposta de Homilia para a Solenidade da Ascensão do Senhor – ANO B - 2021

Domingo, 16 de Maio de 2021

  Irmãs e irmãos, celebramos hoje o mistério da ascensão de Jesus ao céu. Uma criança na catequese perguntou: então Jesus voltou para o céu e deixou-nos sozinhos? Interessa-nos reflectir sobre este mistério.

  1. Ascensão: Jesus subiu ao Céu

     Que nos dizem as leituras sobre este mistério glorioso, narrado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas? O evangelho de São Marcos, lido hoje, usa esta expressão: “Jesus apareceu aos Onze… e foi elevado ao Céu e sentou-se à direita de Deus”. Esta expressão “sentou-se à direita de Deus” indica, em linguagem humana, o triunfo glorioso de Jesus, com a sua vitória sobre a morte.

    E Lucas, nos Actos dos Apóstolos, faz a mesma afirmação, com um texto um pouco diferente:  “Um dia, em que [Jesus] estava com eles à mesa, elevou-se à vista deles, e uma nuvem escondeu-o a seus olhos”.

    Os Evangelistas ajudam a nossa fé no mistério da ascensão de Jesus ao Céu. Concluímos também que a partir deste momento, Jesus deixou de aparecer aos olhos dos Apóstolos, e aparece-nos agora por meio da fé.

  1. Ascensão: com o Espírito Santo começa a missão da Igreja

     Encontramos nestas leituras a missão da Igreja. “Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Evangelho de hoje). Vemos que Jesus deu à Igreja a missão de anunciar este mistério a todas as nações: “Ide… e ensinai”. Missão importante: nós escutamos com júbilo estas palavras de Jesus: “Quem acreditar e for baptizado será salvo” (Evangelho de Marcos). E acrescentou: “Vós sereis minhas testemunhas”. Jesus indicou a missão da Igreja, a nossa missão: testemunhar a ressurreição de Jesus, e a sua subida ao Céu.

  1. Ascensão: Jesus: introduziu a humanidade no Céu

     Diz-nos São Paulo na Carta aos Efésios: Jesus é “cabeça de toda a Igreja, que é o seu corpo”. O Jesus completo é Ele e nós, seus membros. Compreendemos esta maravilha: Jesus, ressuscitado, subindo ao Céu, com a sua humanidade, leva consigo a nossa humanidade. Introduz a nossa humanidade na comunhão definitiva com Deus. 

     É sublime este mistério da ascensão de Jesus. Mistério sublime, que mal podemos reconhecer. A nossa humanidade está já com a humanidade de Cristo, no Céu, embora aguardando a sua plenitude na Nova Jerusalém. Vivemos a alegria pascal. Jesus triunfou, e nós triunfamos com Ele.

     Recordamos a homilia do Papa Francisco em Fátima[1], no dia 13 de Maio de 2017, mostrando como Nossa Senhora nos guia para Jesus: “Queridos peregrinos… vivamos da esperança que assenta em Jesus… Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que [Jesus] tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai” (cf. Ef 2, 6).

      E podemos responder à criança que perguntou se Jesus nos deixou: Jesus não nos deixou. Disse Jesus: “Estarei sempre convosco( Mt 28,20).

P. António Gonçalves, SDB

[1] Conferência Episcopal Portuguesa, Papa Francisco em Fátima, p. 36

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