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CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

30
Jun22

REZAR O TEMPO DE FÉRIAS


Oliveira

Partilho o texto da oração e meditação de segunda feira, do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Ensina-nos, Senhor, a fazer das nossas férias um tempo propício.

Que mergulhemos em praias límpidas onde o azul parece uno, indivisível, sem costuras, mas não deixemos de mergulhar também dentro de nós em busca daquela inteireza para a qual Tu, Senhor, nos convocas.

Que nos aventuremos por novas geografias, curiosos do conhecimento que espera por nós em lugares distantes, mas sem deixar de nos aventurarmos a olhar com profundidade também o que está perto e já nos pertence.

Que caminhemos, Senhor, ao longo de cidades estrangeiras como peregrinos sedentos de beleza, sensíveis ao diverso que se expressa em formas e línguas diferentes, mas aceitando o desafio a habitar de coração aberto também a nossa casa, a nossa família, os nossos amigos.

Que Te encontremos, Senhor, no cimo transparente das montanhas, na vastidão sem nome das paisagens, naquele ininterrupto silêncio de ouro que respira nos bosques, mas também no nosso quotidiano chão, na vida que nos parece ordinária (e que se repararmos bem compreenderemos que afinal é sempre extraordinária), no cinzento indistinto dos dias que etiquetamos como repetidos e iguais (e que depois, na verdade, nunca são).

Que aproveitemos o tempo das férias, Senhor, para prolongar o tempo: o tempo das conversas, o tempo dos encontros, o tempo à volta da mesa, o tempo da leitura, o tempo dedicado à alegria, o tempo da contemplação, o tempo do cuidado, o tempo vivido em Ti.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
27.06.2022

No próximo domingo 3 de julho rezamos o terço às 21:00 no Teams pelo Santo Padre, pelo Cardeal e pela paz no mundo. 

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Bom descanso, com ainda mais tempo para rezar. (Ir. Manuel Silva)

29
Jun22

LEGALIZAR A ESCRAVATURA?


Oliveira

Segue abaixo o artigo do Dr. Pedro Vaz Patto, também publicado, hoje, no "Observador", mas que a COPAEC transcreve, com a devida vénia para os seus leitores.

Um abraço.

AGPires

Foi discutida há dias na Assembleia da República uma petição que pretende a legalização da prostituição, designada como “trabalho sexual”. Propostas nesse sentido têm sido apresentadas no âmbito político-partidário (do Bloco de Esquerda, da Iniciativa Liberal, da Juventude Socialista e da Juventude Social Democrata) e é de esperar que o sejam na legislatura que agora se inicia. Esta petição aparenta ser iniciativa de mulheres que se dedicam a tal atividade, embora, como sucede com outras iniciativas análogas, os seus críticos denunciem que, por detrás da proteção dessas mulheres se esconda um objetivo primordial de defesa dos interesses do proxenetismo, isto é, de quem explora a prostituição exercida por outrem. Na verdade, não há notícia, contra o que é habitual no âmbito laboral, de conflitos entre este tipo de organizações, supostos “sindicatos” de mulheres que se dedicam à prostituição, e os proxenetas seus “empregadores”.

Um sinal de que assim é, descobrimo-lo na proposta dessa petição de obrigar a exames médicos periódicos das mulheres que se dedicam à prostituição. Esses exames poderão prevenir a transmissão de doenças dessas mulheres para os seus clientes, mas não destes (obviamente não sujeitos a qualquer exame) para elas. Assim se protegem os clientes e o “negócio” do proxeneta, não essas mulheres.

A prostituição é, sempre, uma violação dos direitos humanos e uma afronta à dignidade da pessoa humana. Não há uma prostituição “benigna” (que seria a prostituição legal, com salvaguarda da saúde e dos direitos laborais da mulher prostituta, por oposição à prostituição clandestina). Os malefícios da prostituição são algo que lhe é intrínseco. Não basta reduzir os seus danos, há que eliminá-los na sua raiz.

Eliminar o problema na sua raiz não depende essencialmente da acção policial ou judicial, depende, sobretudo, do apoio à reinserção social. É isso que faz, há mais de cinquenta anos, a associação católica “O Ninho”, de cuja mesa da assembleia geral sou, com muita honra, presidente. A ela se vem dedicando, há décadas, Inês Fontinha, a quem várias vezes ouvi dizer: «Nunca conheci uma mulher que me tenha dito; quero ser prostituta».

A prática da prostituição acarreta, com grande frequência, danos físicos e psíquicos que se distinguem dos que possam ser inerentes a qualquer outra actividade regular. A prostituição (legal ou ilegal) é sempre a instrumentalização da pessoa, a sua redução a objecto de uma transacção comercial. Não pode equiparar-se a qualquer outra prestação de trabalho ou de serviços. A sexualidade não pode ser desligada da pessoa (porque a pessoa é um corpo, não tem um corpo que possa alugar como quem aluga um objeto de sua propriedade). Ora, quando a pessoa é reduzida a objecto, a violência e o abuso tornam-se expectáveis. Na prostituição, a pessoa é paga para fazer o que ela nunca faria de bom grado, ou outra pessoa nunca faria. É por isso que a prostituição é intrinsecamente “maligna”. O “cliente” da prostituição procura uma experiência de total controlo e domínio sobre outrem, não uma relação de reciprocidade e respeito. Reduzir uma pessoa a objecto é arrogar-se sobre ela os direitos que se têm sobre as coisas, mais do que os direitos que se têm no confronto com as pessoas. É por isso que a violência física e psicológica acompanha em regra a prática da prostituição, seja ela clandestina ou legal, e é por isso que a ocorrência de episódios de violência física ou psicológica aumenta (e não diminui, como se pretenderia) com a legalização da prostituição. Se essa violência é estrutural (e não ocasional), e se a legalização se traduz no incremento da prostituição, não pode esta deixar de se traduzir no aumento dessa violência.

Como tem sido salientado por especialistas, o exercício da prostituição conduz à dissociação entre “corpo e alma”, à tentativa de alheamento em relação a uma prática corporal que se considera não desejada e repugnante (como se a pessoa pudesse desligar-se do que pratica o seu corpo), com graves consequência no plano da estruturação da identidade pessoal. A ocorrência de stress pós-traumático é, nas vítimas de prostituição, mais frequente do que em militares que experimentaram cenários de guerra. Nelas é frequente a extrema dificuldade em vivenciar a sexualidade associada ao afeto e à comunhão pessoal. A autoestima é gravemente afetada.

A favor da legalização da prostituição, invoca-se a autonomia pessoal e a liberdade de escolha. No entanto, é na dignidade da pessoa (em que, de acordo com o artigo 1º da Constituição, se funda a República Portuguesa) que assenta a tutela da sua liberdade e, por isso, o consentimento do próprio nunca pode servir para legitimar atentados a essa dignidade. Não é admissível a escravatura, mesmo que consentida, a mutilação genital feminina, mesmo que consentida, ou o trabalho em condições desumanas, mesmo que consentido. A dignidade da pessoa humana, na célebre visão kantiana, impede que esta seja tratada (pelos outros ou por ela mesma) como meio e não como fim em si própria. A prostituição é certamente dos exemplos mais nítidos de redução da pessoa a objeto ou instrumento.

Por outro lado, é uma ilusão pensar que a prostituição pode ser, excluindo talvez poucos casos excecionais, fruto de uma escolha autenticamente voluntária. Não se escolhe essa atividade em alternativa a estudar Direito ou Medicina. A alternativa é, muitas vezes, a fome. Quando é a sobrevivência económica que está em risco, até a escravatura (que garantisse essa sobrevivência) poderia ser consentida. Na origem destas escolhas estão situações de acentuada vulnerabilidade, onde também se incluem a toxicodependência ou a ocorrência de abusos sexuais na infância e adolescência. Não é por acaso que, por exemplo, a grande maioria das mulheres que se prostituem na Alemanha provem dos países mais pobres da Europa de Leste. E - dizem-no vários estudos - cerca de noventa por cento das mulheres que se prostituem optaria por outra atividade se tal oportunidade lhes fosse concedida. Falar em liberdade de escolha nestas situações é fechar os olhos à realidade.

 Não será sempre assim... Mas as situações em que não é assim são uma minoria, são a excepção que confirma a regra. E quando se legaliza uma actividade, é a regra que deve ser considerada, não a excepção. Legalizar a prostituição pensando nas poucas mulheres que a escolheram entre alternativas benéficas não é sensato, porque acaba por consagrar e consolidar uma prática que a maioria vive como uma opressão.

As experiências de legalização da prostituição (da Holanda e da Alemanha, designadamente) revelaram resultados negativos em todos os aspectos. E muitas das mulheres vítimas da prostituição consideram que beneficiários dessa legalização são apenas os proxenetas (que por ela se bateram), agora promovidos a “empresários do sexo”.

Desde logo, porque poucas foram as pessoas que celebraram contratos de trabalho ao abrigo da legalização (e a garantia de direitos laborais foi apresentada como uma das justificações para a lei). Várias são as razões para que tal tenha acontecido. Por um lado, porque quase nenhuma mulher quer registar no seu curriculum laboral o exercício da prostituição, como se este fizesse parte de uma carreira. Quase todas vêm tal exercício como uma ocupação temporária, que pretendem apagar e mudar o mais depressa possível, logo que surjam alternativas. Por outro lado, porque um contrato de trabalho não comporta apenas direitos, também comporta deveres. E é natural que se receie que, a coberto desses deveres, a mulher que se prostitui fique impedida de rejeitar um cliente ou qualquer exigência desse cliente.

A legalização da prostituição incrementou esta actividade em geral (como será lógico), tornando-a das mais lucrativas (na Holanda, os rendimentos respectivos correspondem a cinco por cento do rendimento nacional), e incrementou o tráfico de pessoas com esse objectivo. É um dado hoje reconhecido pelas polícias de vários países que as redes de tráfico se dirigem preferencialmente aos países onde a prostituição é legal (como a Alemanha), muito mais do que àqueles onde ela não o é, e ainda menos se dirigem aos que punem a actividade do cliente (como a Suécia, onde, logicamente, a redução da procura acarreta a redução da oferta). É compreensível que a actividade das redes de tráfico seja mais facilmente oculta ou encoberta em países onde a prostituição é legal do que naqueles em que toda a exploração da prostituição não o é. A legalização da prostituição abre e expande o mercado. E – demonstra-o a experiência policial – é ilusório pensar que há dois mercados paralelos, um de prostituição forçada e outro de prostituição “voluntária”, ou que é possível separar esses mercados.

Também por esses motivos, essa legalização não permite (pelo contrário) um mais eficaz combate à prostituição de menores. Também não há mercados inteiramente separados para a prostituição de adultos e a prostituição de menores. Uma percentagem muito significativa de mulheres começa a dedicar-se à prostituição ainda antes de atingir a maioridade. A prostituição de menores pode ser encarada, para este ramo de “negócio”, como um “investimento” que assegura ganhos futuros. E a legalização alarga o mercado e a potencialidade desses ganhos futuros. Por outro lado, não pode estabelecer-se uma barreira rígida, coincidente com a da idade da maioridade, para distinguir situações de prostituição “maligna” e voluntária ou “benigna”. Quando em anúncios de prostituição se publicitam os serviços de “jovens de dezoito anos” como chamariz para atrair clientes, é óbvio o perigo de por esta via se ocultar a prostituição de jovens menores de dezoito anos (e será assim tão diferente ter dezassete ou dezoito?).

À legalização da prostituição não podem deixar de estar associados um sinal e uma mensagem cultural provindos do Estado. Esse sinal e essa mensagem vão no sentido da aprovação dessa prática, ou, pelo menos, de indiferença perante os seus malefícios. Ao legalizar a prostituição, o Estado transmite uma mensagem de aceitação da comercialização do corpo humano e da sexualidade humana e, portanto, de aceitação da degradação da pessoa a objecto. Esta mensagem não pode deixar de afectar, em particular junto das novas gerações, a consciência social e cultural do valor da dignidade da pessoa humana, em especial da mulher. Há quem fale, a este propósito, em “cultura da prostituição”. Difundir a ideia de que a prostituição é um trabalho como outro qualquer e fruto de uma escolha livre a respeitar desvia as atenções da comunicação social e da opinião pública em geral a respeito das violências de que são vítimas as mulheres prostitutas e das situações dramáticas que conduzem a essa prática. O contexto cultural que assim se cria não serve de incentivo à mobilização do Estado, da sociedade civil e da opinião pública no sentido do apoio à reinserção social dessas mulheres. Se está em causa uma escolha supostamente livre e se estão garantidos os direitos laborais, nada haverá a fazer no sentido do apoio à mudança de atividade.

No fundo, a legalização da prostituição mais não é do que a consolidação de uma velha mentalidade que se reflecte em afirmações como «a prostituição é a mais velha profissão do mundo» (uma expressão que também foi usada na petição apresentada na Assembleia da República) ou que ela «sempre existiu e sempre existirá». Uma mentalidade conformista e nada progressista (na correcta acepção desta palavra). Autêntico progresso social é, pelo contrário, aquele a que aspira o chamado “movimento abolicionista”, que luta pela abolição da prostituição como uma violação da dignidade humana. Nesse sentido abolicionista aponta o chamado “modelo sueco” de punição do proxenetismo e do cliente da prostituição, sem punir a pessoa que se prostitui e apoiando a reinserção social dessa pessoa. Este sistema, implementado na Suécia há mais de vinte anos, com sucesso na real redução da prostituição e hoje apoiado pela esmagadora maioria da população (na ordem dos setenta por cento) vem sendo adoptado por um número cada vez maior de outros países (Noruega, Islândia, Irlanda, França, Canadá e Israel). Expressão desse movimento abolicionista é a plataforma internacional Coalition against prostitution (www.cap-international.org), de que faz parte “O Ninho”.

Também a abolição da escravatura foi tida por utópica durante séculos (dela também se disse que «sempre existiu e sempre existirá»). Ninguém pensaria hoje em legalizar a escravatura. Não é descabido equiparar a prostituição à escravatura: uma e outra representam uma forma de “coisificação da pessoa”. Também não é, por isso, descabido equiparar o abolicionismo relativo à escravatura, do século XIX, ao abolicionismo. relativo à prostituição, do século XXI.

Pedro Vaz Patto

23
Jun22

13.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C


Oliveira

Sugestão da homilia para o décimo terceiro Domingo do Tempo Comum - ANO C - 2022

O cristão é chamado e segue Jesus

Domingo, 26 de Junho de 2022

     Irmãs e irmãos, desejo que se encontrem bem; coloco no altar os vossos desejos, alegrias e preocupações. O Senhor acolhe-nos e chama-nos a segui-lo.

  1. O cristão sente-se chamado

      Primeira leitura  

     Irmãos, que nos diz o Senhor com a sua palavra? Vimos que o profeta Elias chamou em nome de Deus um trabalhador, Eliseu, para o seguir. Este homem andava a lavrar o seu campo, sentiu-se chamado. Devia ser pessoa com bens, pois andava com a décima segunda junta de bois. Como respondeu? Deixou o seu trabalho, foi despedir-se da família, ofereceu um sacrifício, queimou o arado; deu festa à sua gente, e seguiu o profeta Elias.

     Que diz este exemplo a cada cristão? Que o cristão é alguém chamado a seguir Jesus. O cristão deve sentir-se feliz, escutando a voz de Deus que o chama: “segue-me”.

  1. O cristão responde ao chamamento

     Evangelho

     Que vemos no Evangelho de S. Lucas? Jesus ia com os discípulos a caminho de Jerusalém. No percurso, deram-se três encontros com Jesus, no sentido de O seguirem.

     São Lucas deixou-nos ignorantes sobre quem eram essas três pessoas. Não indicou os nomes, nem se elas seguiram Jesus ou não. Lucas esqueceu-se? Talvez não. Pode ser que São Lucas se referisse a nós. Os três de que fala o evangelho podemos ser nós. Como Jesus passou pela Palestina, passa pelos nossos caminhos e chama. O nosso caminho feliz está em responder sim, e seguir Jesus.

     Jesus chamou à sua volta os discípulos, a colaborarem na missão do Mestre. Para seguir Jesus, pode ser preciso deixar coisas. Ora, todo o cristão é discípulo de Jesus, numa vocação ou noutra.

  •      Deus chama pessoas para a vida do matrimónio, uma vocação querida por Deus, caminho de santidade na família, Igreja doméstica.
  •      Deus chama jovens para a vida sacerdotal; o sacerdote gera pelo batismo, filhos de Deus; perdoa as fraquezas humanas; transmite a vida de Cristo pelos sacramentos.
  •      Deus chama pessoas para a vida consagrada: religiosos e religiosas, que dedicam a vida a  Deus e aos irmãos. Os pais fazem bem dizendo isto aos filhos.

Seguir Jesus é salvação para nós. 

  1. O cristão é chamado à liberdade.

     Segunda leitura  

     Conhecemos a finalidade da carta de Paulo aos Gálatas: Libertar-nos de uma certa escravidão da Lei de Moisés:  “Os homens não se tornam justos pelas obras da Lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2,15-16). Deus chama-nos a uma vida de fé. Conhecer Jesus, como Filho Deus, e a termos uma vida fraterna. Paulo explica alguma orientação que foi dada no Concílio de Jerusalém: o que nos salva é a fé em Jesus Cristo.  

     Peço licença para contar uma pequena história, acontecida ou não, que ajuda a compreender: um rei caminhava a cavalo, e os seus servos seguiam-no atrás. A dado momento o rei começou a deixar cair por terra moedas e pérolas. Os servos atrasaram-se, para as apanhar e guardar. Mas um deles não parou, seguiu junto do rei, e respondeu: seguirei sempre contigo, meu rei.

     Podemos aplicar isto a nós, dizendo “contigo, Jesus”, e dando-nos com dedicação aos irmãos. Uma forma de vivermos a nossa Fé.

Pe. António Gonçalves, SDB

21
Jun22

REZAR O IMPERFEITO


Oliveira

Partilho o texto da oração de hoje do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Ensina-nos, Senhor, não a temer, mas a escutar.

Ensina-nos não a temer a escuridão de certas horas, mas a escutar sim os nossos passos nas suas travessias nocturnas; os momentos em que o nosso coração parece seguro apenas da noite, imensa e deserta; as estações em que a sombra cai sem aviso.

Na verdade, Tu Senhor enches de um brilho precioso o céu de breu que se

desenrola sobre nós.

Ensina-nos não a omitir, mas a abraçar a curva da solidão que se ergue a meio

do caminho; o vazio que toma conta da nossa casa tornando-a a nós

desconhecida e como que abstrata; o pressentimento que nos faz estremecer

por tudo aquilo que nos pertence e nos falta. Na verdade, Tu Senhor estiveste

e estás sempre connosco e, a qualquer momento, a nossa vida pode florir.

 

Ensina-nos não a cancelar, mas a integrar o turbilhão interior que assoma mesmo quando se diria sem motivo; a imperfeição que escondemos e com a qual só a custo nos reconciliamos; aquilo que à primeira vista é dissonante, mas cuja possibilidade de harmonia compreenderemos depois. Na verdade, Senhor, Tu amadureces a nossa visão da vida pois nos incitas a habitá-la na sua

inteireza.

 

Ensina-nos, Senhor, não a arte do escapismo, mas a sabedoria da confiança,

que nos coloca em Ti como somos. E somos frágeis, divididos por dentro,

vacilantes, inseguros e incertos. Mas somos Teus filhos e filhas e é assim que a todo o tempo nos resgatas.

Cardeal José Tolentino de Mendonça

21.06.2022

18
Jun22

12.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C


Oliveira

Sugestão da homilia para o décimo segundo Domingo do Tempo Comum - ANO C - 2022

Jesus Messias, pelo amor e dom da vida

Domingo, 19 de Junho de 2022

     Irmãs e irmãos, desejo que tenham saúde, paz e alegria, na família e no trabalho. Acolho as vossas intenções, e partilho a palavra do Senhor.

  1. Jesus é o Messias de Deus

     Evangelho

     Os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, escreveram a boa nova, o evangelho, para dizer isto: acreditai em Cristo, o Messias, o Filho de Deus.

     Por que é importante a fé em Jesus, Messias? Neste evangelho, são Lucas mostra-nos Jesus a perguntar aos apóstolos: que pensam as pessoas e que pensais vós acerca de Mim? Quem sou Eu para vós? A resposta nasceu nos lábios de Pedro: “Tu és o Messias”.

     Por que é importante a fé em Jesus Messias? Encontramos uma resposta no evangelho de Marcos: “Aquele que crer e for baptizado será salvo” (Mc 16,16). São João acrescenta:  … e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,30).

     O principal sentido da Palavra de Deus neste domingo é a pessoa de Jesus; saber quem Ele é para nós: o Messias, o Filho de Deus. Pedro respondeu bem, e Jesus mostrou-lhe o caminho: - Olha, Pedro, Eu terei de sofrer, morrer e ressuscitar. Este foi o caminho de Jesus: o amor, a dedicação, a cruz, e depois ressuscitar.

  1. Jesus Messias sofredor na Cruz

     Primeira leitura 

     O profeta Zacarias tinha anunciado muito antes: “Hão-de olhar para aquele que trespassaram”. Na verdade, quando Jesus morreu, o soldado romano feriu-lhe o lado com uma lança, e do lado de Cristo saiu sangue e água. Daí nasceu a Igreja.

     Aqui temos o mistério da cruz. A cruz é glória! É exaltação! É vitória! O Senhor disse, ao aproximar-se o momento da cruz: “É chegada a hora em que será glorificado o Filho do Homem” (Jo 12,23). Explica S. Pedro: “Fostes resgatados não com prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo” (1 Pd 1, 28).

     Jesus explicou a sua morte com uma imagem: “a semente que cai à terra e morre produzirá muito fruto” (Jo 12, 24). Peço licença para citar um escritor português, que publicou o livro: “A vida mágica da sementinha”. Uma sementinha caída à terra, fica na escuridão…  Depois, nasce a raiz, as folhinhas, sempre debaixo da terra. A sementinha ouve a fada terra a dizer-lhe: calma, vais ser feliz. Depois, finalmente, o caule sobe à superfície, e aparece uma planta à luz do sol. A sementinha transformou-se em planta; deu fruto.

     Esta imagem da literatura (de Alves Redol) pode indicar-nos o sentido da morte, a caminho da ressurreição. Por isso, S. Paulo reagiu assim: “Onde está, ó morte, o teu poder?” (1 Cr 15, 55) “Eu só me glorio na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14).

  1. Jesus chama-nos a segui-lo.

     Segunda leitura

     A segunda leitura, da Carta aos Gálatas, dá-nos o melhor caminho para a vida cristã: “Fostes baptizados em Cristo, revesti-vos de Cristo. Revestir-se de Cristo significa termos o mesmo caminho do nosso Salvador: a Cruz, como sinal de Glória. Não é motivo de tristeza. Os Apóstolos sentiam-se felizes por terem sofrido por Cristo” (cf. At 5,41). Irmãos, vemos este caminho com alegria, unidos à Cruz do Senhor, para termos com Ele a glória da ressurreição.

Pe. António Gonçalves, SDB

11
Jun22

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Novas sugestões de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia o que segue:

(A. G. Pires)

Cultura: «Nesta profissão há sempre períodos em que as pessoas não têm trabalho. Passámos todos por aí» [Vídeo]

O carácter intermitente do trabalho realizado pelas pessoas ligadas às artes, não só os criadores e artistas, que pela sua visibilidade são mais reconhecidos pelo público, mas também o dos profissionais atrás do palco, marcou a intervenção do ator e encenador Rui Spranger na 16.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, centrada no tema “A condição precária”, que decorreu a 28 de maio, em Fátima. «Não tenhamos dúvidas. [Mesmo] as pessoas que são famosas e que vemos na televisão passam por períodos de desemprego. Nesta profissão há sempre períodos em que as pessoas não têm trabalho. Recentemente morreu uma grande senhora do teatro, Eunice Muñoz; nos anos 70 estava sem trabalho. Passámos todos por aí.»

Saiba mais

Igreja e cultura: «Se vivêssemos sempre, até às últimas consequências, a fraternidade amorosa…» [Vídeo]

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura considera que na relação da Igreja católica com o mundo da cultura, em particular com os artistas e profissionais mais afetados pela precariedade, é preciso mais para os católicos aplicarem o Evangelho. Em conversa após o termo da 16.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que a 28 de maio debateu, em Fátima, o tema “A condição precária”, José Carlos Seabra Pereira destacou igualmente as perspetivas luminosas, apresentadas durante o Encontro, que a precariedade pode lançar sobre o itinerário de quem acredita em Deus.

Saiba mais

 

11
Jun22

A PRINCESA PORTUGUESA QUE FEZ FRENTE A HÍTLER


Oliveira

Com a devida vénia, mais uma publicação do nosso prezado jornalista António Justo.

(A. G. Pires)

Um Exemplo de Equilíbrio das Energias Masculinidade e Feminilidade 

Dona Maria Adelaide de Bragança é uma desconhecida heroína portuguesa.

Trabalhou como Enfermeira e assistente social na Áustria.

Foi durante muito tempo a mais idosa princesa de Portugal. Tia de SAR Dom Duarte Pio, atual Duque de Bragança, era a última neta do rei D. Miguel. Nasceu em 1912.

Durante a Segunda Guerra Mundial foi condenada à morte duas vezes.

A primeira condenação deveu-se por chefiar uma rede que tinha por missão fazer fugir pessoas procuradas, perseguidas ou condenadas pelos Nazis: paraquedistas aliados, espiões, judeus e outros.

A Infanta fazia parte do movimento de resistência nazi, e foi apanhada pelas SS e condenada à morte pela Gestapo.

Salazar ao saber da notícia interveio imediatamente, afirmando que ela era cidadã portuguesa e após muita luta diplomática, conseguiu salvá-la. Foi então deportada para a Suíça, onde vivia o seu irmão Dom Duarte Nuno, Duque de Bragança.

A segunda condenação será ainda mais "heroica". Novamente agente da resistência, tem por nome de código "Mafalda", fazia a ligação entre os Ingleses e o Conde Claus von Stauffenberg, líder do atentado falhado contra Hitler, a chamada operação Valquíria. É apanhada, condenada à morte pela segunda vez, mas desta feita é salva pelos soviéticos, após a vitória destes em Viena

Em 1949, Dona Maria Adelaide estabeleceu-se em Portugal (1). Trabalhou como assistente social no bairro pobre do Monte da Caparica dedicando-se sobretudo à protecção de órfãos e recém-nascidos pobres.

Faleceu em 2012

Desta heroína não se fala talvez por desinteressar à República!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7561

11
Jun22

100 BILHÕES PARA AS FORÇAS ARMADAS E SALÁRIO MÍNIMO AUMENTADO PARA 12 € NA ALEMANHA


Oliveira

Com a devida vénia, mais uma publicação do nosso prezado jornalista António Justo.

(A. G. Pires)

O Parlamento alemão aprovou um volume extra de 100 bilhões de euros para as Forças armadas e determinou o aumento do salário mínimo bruto na Alemanha de 9,82 para 12,00 euros hora, a partir de outubro.

As pensões aumentarão , este ano, 5,35% na Alemanha Ocidental e 6,12% na Alemanha Oriental, a partir de 1º de julho.

Assim, este ano, as pensões aumentam mais do que os salários.

Os preços de consumo crescem rapidamente e os aumentos efectuados não cobrem a inflação.

O resultado é que, apesar destes aumentos, a sociedade está a ficar mais pobre. O que acontecerá então em países que não produzem tanto como a Alemanha e onde a inflação geral não é compensada consistentemente?

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7566

 

11
Jun22

VIVER COM OU CONTRA A RÚSSIA - DEPENDENTES DOS USA OU CONVIVER COM TODOS?


Oliveira

Com a devida vénia, mais uma publicação do nosso prezado jornalista António Justo. Poderá seguir o link ao fundo para o texto completo e notas.

(A. G. Pires)

Europa por fazer entre Imperialismo americano e russo

A Ucrânia e a Rússia fazem parte da cultura europeia e da Europa. Independentemente do que tem acontecido na Ucrânia, sobretudo desde 2013 e apesar do acto brutal russo de 24 de fevereiro de 2022, nada justifica as campanhas de ódio encenadas pelos Media contra a Rússia...

Que fazemos para superar o ódio e a desconfiança? Esquecemos que uma boa medida de desconfiança em relação às instituições estatais e suas ajudantes é a característica necessária que impulsiona a responsabilidade necessária para o bem comum e para uma sociedade criteriosa e equilibrada!...

O efeito viral e manipulador que os estrategas de Zelenskyj conseguiram com a elaboração da série televisiva “Servidor do Povo” para ser eleito presidente da Ucrânia, conseguem-no também agora teatralmente na cena política internacional.

  “A quem interessa dividir a Europa?” (2), é a pergunta que se põe desde a guerra militar russa na Ucrânia e desde a guerra política e económica do Ocidente contra a Rússia e que levam ao empobrecimento do povo em geral...

Em 1949 a criação da união militar (OTAN) era óbvia, atendendo à existência  simultânea do imperialismo soviético (Pacto de Varsóvia) e à incapacidade da Europa para se defender, tendo, por isso mesmo, de recorrer ao patrocínio dos EUA. O imperialismo soviético (socialismo) e o imperialismo americano (capitalismo) tinham grande parte do mundo sob a sua alçada.

Uma vez desfeita a organização imperialista do Pacto de Varsóvia seria natural, numa perspectiva europeia e de paz, que se desfizesse também o pacto da OTAN. Isso não se deu devido à estratégia americana de se afirmar como imperialismo mundial ímpar, unipolar e, nesse sentido, impedir que a Europa ocidental se unisse à Europa oriental!...

 

Por outro lado, o imperialismo socialista da União Soviética e o imperialismo capitalista dos USA continuaram activos principalmente em países de África e da América latina através do apoio directo ou indirecto das correspondentes forças rivais dentro desses países...

A campanha generalizada nos meios da comunicação ocidentais contra o Patriarca Cirilo (salvaguarde-se aqui o erro a ele inerentes) é hipócrita...

A sociedade ucraniana, atendendo à sua composição populacional e à sua posição geográfica, que poderia ser um estado-federal-ponte privilegiado entre os dois blocos rivais, tornou-se em lugar de confronto entre os dois imperialismos, sendo ao mesmo tempo vítima e cúmplice de imperialismos antagónicos.  ...

Após a queda do presidente eleito Yanukovych, as regiões do sul e leste da Ucrânia não quiseram alinhar-se com o derrube do governo (derrube apoiado pelos USA) e acentuaram a vontade de conquistar a sua independência com o apoio da Rússia (3)...

Na guerra económica a Rússia usa agora os alimentos e os fertilizantes como armas de fundo. A Ucrânia e a Rússia, em conjunto, abasteciam um terço mundial com cereais (trigo, milho, cevada e soja). Agora a Rússia está a responder bloqueando a rota de exportação de cereais e fertilizantes para o norte de África e para o Próximo Oriente, bloqueando os portos no mar negro; nestes países não se farão esperar grandes fomes. Bloqueios económicos, usados como armas de guerra, são abusos ilícitos porque próprios das grandes potências e atingem os fracos e a população e não impedem as guerras...

A Rússia faz parte da casa comum Europa como já afirmava Gorbatchov e no princípio também era aspiração de Putin. Querer construir a casa comum sem a Rússia revela-se em miopia política e fanatismo do momento de parte a parte...

Em nome da defesa dos valores ocidentais, a Nato assume a estratégia das guerras da religião, próprias da guerra dos 30 anos (1618-1648) entre católicos e protestantes, servindo-se agora, em termos de ideologias, também contra a posição do Patriarca Cirilo I (5). Procura-se mover na política e na opinião pública tudo o que possa favorecer uma guerra total...

A Europa, se acordar do grande sonambulismo em que entrou depois da segunda guerra mundial, terá de arredar caminho na descoberta dela própria e como tal viver com a Rússia sem viver contra os USA. Um dia, o desenvolvimento histórico levará, um dia, as potências de cunho cristão a unirem-se para melhor subsistirem no concerto de um mundo multipolar (6)!...

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Texto completo e notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7574

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