Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

Espaço aberto a comunicações de antigos alunos do ensino católico em Portugal.

CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ANTIGOS/AS ALUNOS/AS DO ENSINO CATÓLICO

26
Jan22

ELEIÇÕES + EUTANÁSIA + EDUCAÇÃO + IDEOLOGIA DO GÉNERO


Oliveira

(Partilho informaçãoenviada pelo Dr.António Pinheiro Torres

A.Oliveira)

Caros amigos

Aproxima-se o dia das eleições (30 de Janeiro). Sobre isso escreveu a Isilda Pegado (Eleições… à porta!) e na mesma Voz da Verdade, há uma entrevista da Reitora da CatólicaUma questão clássica em eleições é a do voto útil. Vale a pena ler sobre o assunto de um ponto de vista técnico (o artigo Matemática eleitoral para dia 30 de André Azevedo Alves no Observador) e também politico: o artigo O voto útil (uma análise do José Maria Seabra Duque, que, sem prejuízo da sua objectividade, sendo candidato pelo CDS em Lisboa, se percebe tire uma conclusão concorde com o seu empenho).

Também sobre esta questão das eleições e da politica em geral vale a pena ver os vídeos do nosso amigo Ricardo Ribeiro, de Braga, e para jovens parecem-me imperdíveis estas duas sessões (25 e 26 de Janeiro) no CUPAV sobre A difícil arte de votar. Tema da campanha eleitoral tem sido, felizmente, o do cheque-ensino: sobre isso publiquei este artigo no Novo e o Rodrigo Queiroz e Melo o artigo em anexo. Ainda sobre educação é interessante este Legislativas 2022. O que propõem os partidos na área da Educação?

Por outro lado continuam a multiplicar-se as tomadas de posição da sociedade civil: da Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos (em anexo), dos Juristas Católicos (que apelam a clareza nos «princípios éticos fundamentais»), dos Médicos Católicos (que querem partidos a revelar posição sobre eutanásia), da Conferência Episcopal Portuguesa (ver o comunicado de 11 de Janeiro do seu Conselho Permanente) e de especialistas da luta contra a pobreza (como Carlos Farinha Rodrigues nestas declarações à Ecclesia).

Certo, certinho é que o BE promete projeto de lei da eutanásia para primeiro dia da legislatura e por isso a abstenção (aqui caracterizada desde 1975) não é opção.

Finalmente, também a ideologia do género tem sido tema nesta campanha eleitoral. Estou impressionado com o volume de artigos que tem saído sobre este tema! Entre tantos: O negacionismo nas escolas (José António Saraiva no Sol), Ideologia do Estado em tribunal (da Helena Costa no Observador), Ideologia imposta pelo Estado, à Escola, em tribunal (de Maria Fernandes no seu Blog Politicamente Incorrecta), Só a Liberdade (do Afonso Teixeira da Mota no Observador) e o extraordinário artigo (o melhor que já li até agora sobre o assunto, e, como diz um Padre decisivo na minha vida, quando quer enfatizar a importância de um texto, devia ser obrigatório para nós, decorá-lo…A ideologia de género como um género de birra (do José Maria Cortes no Observador).

Por hoje é tudo. Um abraço convicto da importância decisiva destas eleições, do

Antonio Pinheiro Torres

__________________________________

Argumentos perigosos contra a liberdade de escolha da escola

 

O problema de Portugal não são as famílias com baixo capital social; é sermos um país onde, para lá da retórica, tudo parece feito para as manter à parte.

 

Rodrigo Queiroz e Melo

24 de Janeiro de 2022

 

No dia 13 deste mês, o diretor do PÚBLICO opôs-se à ideia de criar um cheque-ensino, afirmando que “infelizmente, como tantas vezes acontece, as ideias esperançosas, altruístas ou inclusivas nem sempre resistem ao choque com a vida real”. Para tanto recorreu a dois argumentos: perigoso, um, e errado, o outro.

Ao afirmar que “acreditar que todos os pais estão numa posição simétrica para deliberar sobre a educação dos seus filhos. Não estão. Uma família que vive na pobreza, que dispõe de baixa escolaridade ou que é vítima de qualquer tipo de exclusão social não tem, salvo raras excepções, a mesma preocupação nem a mesma capacidade de avaliação que uma família estável, com níveis socioeconómicos superiores”, o autor sustenta que só podem exercer os seus direitos os portugueses capazes. Os outros, não. Este é o argumento perigoso. É neste tipo de pensamento que se alicerça o voto capacitário, origem de inaceitáveis exclusões e discriminações de sexo, raça, credo ou condição socioeconómica. A sujeição do “povo” à “elite iluminada” é o que fundamenta os regimes totalitários. Afirmar que a escolha da escola é má ideia porque os pobres não estão tão preparados para escolher como os ricos é mesmo muito estranho.

O segundo argumento contra o cheque-educação é que “uma família que vive numa aldeia do interior não tem a mesma liberdade de escolha que uma congénere do Porto ou Lisboa”. Ou seja, porque nem todos podem escolher, não escolhe ninguém. É como dizer que as mercearias deviam ser todas públicas porque há aldeias onde só há uma mercearia. É o argumento errado.

O autor reconhece que a ideia é “arrebatadora”. Mas não consegue ultrapassar o statu quo e teme “o perigo crescente da desigualdade, que corrói as democracias e ameaça o consenso social”. Porém, a realidade não corrobora a tese: por um lado, o nosso sistema de ensino já é o mais selectivo da Europa: 19% dos alunos pagam pelo ensino privado. Excepto Malta, Luxemburgo e Chipre (países pequenos e especiais), nenhum outro país tem mais de 5% de alunos no privado a pagar. Por outro lado, um sistema com escolas privadas financiadas pelo Estado entre as quais as famílias podem escolher é um facto na Holanda (frequentadas por 97% dos alunos), na Irlanda (98%), na Bélgica (56%), no Reino Unido (41%), em Espanha (25%) ou na Dinamarca (15%). Nos EUA, o financiamento da liberdade de escolha da escola através de charter schools (lembram-se dos contratos de associação?) é defendida por pessoas insuspeitas como o ex-Presidente Barack Obama (houve mesmo um boom de charter schools durante os seus dois mandatos).

O problema de Portugal não são as famílias com baixo capital social; é sermos um país onde, para lá da retórica, tudo parece feito para as manter à parte. É mais, e não menos, liberdade, incluindo entre escolas públicas, que permitirá darmos um salto qualitativo relevante com evidente benefício colectivo.

_______________________________________________

Cuidados-paliativos-Login.jpg

COMUNICADO DE IMPRENSA

Cuidados Paliativos ausentes dos programas eleitorais nestas legislativas


77 mil portugueses (70 mil adultos e 7 mil crianças) sem acesso a cuidados paliativos. APCP propõe um conjunto de medidas efetivas recomendando aos partidos que as incluam nos seus programas.


Porto, 20 de janeiro de 2022 – Aproximamo-nos do momento de contribuir para a escolha do partido que nos vai governar e também dos partidos que nos representarão na Assembleia da República. Trata-se, portanto, de um período muito importante e determinante para o país. A fase da campanha eleitoral ajuda-nos a perceber as ideias, as propostas, as preocupações inerentes ao projeto de cada partido político.

 

A APCP tem estado atenta para perceber as propostas e as preocupações face à grave situação que vivemos no país, no que respeita a respostas dos cuidados de saúde e cuidados sociais às pessoas em situação de doença grave, avançada, fragilidade e/ou em fim de vida.

 

São milhares de cidadãos e são milhares de vidas envolvidas, entre doentes, familiares, cuidadores e instituições.


No que toca especificamente a Cuidados Paliativos, mantemos a capacidade de acesso abaixo dos 30% nos adultos e abaixo dos 10%, nas crianças. Isto significa que hoje, temos mais de 70.000 adultos e mais de 7.000 crianças com necessidades destes cuidados e sem acesso aos mesmos.


Ainda assim, este não é o único problema, uma vez que as equipas especializadas em cuidados paliativos são extraordinariamente importantes, mas não constituem a única solução para as necessidades. É preciso uma estratégia de fundo, na formação, na capacitação e competência, na organização das estruturas de saúde e sociais para que, efetivamente, o nosso país passe a garantir cuidados e respostas adequados e essenciais aos doentes com necessidades paliativas e às suas famílias.
A Pandemia tornou ainda mais evidente as dificuldades, as falhas e as necessidades ao nível dos cuidados aos mais frágeis. Não se trata de falar do número de pessoas doentes ou do número de pessoas que morrem, mas sim dos cuidados que são garantidos em vida, atualmente ainda desadequados e sem uma estratégia para mudar esta realidade.

 

A APCP alerta que camas e estruturas físicas (como as anunciadas no PRR) não resolvem as falhas do país nesta área de cuidados. O País não tem profissionais especializados suficientes para as poucas equipas que já existem. No momento de grande oportunidade de investimento numa estratégia para a formação, realização de estágios para acréscimo de competências para todos os profissionais nesta área e de maior especialização para os que querem dedicar-se a cuidados paliativos, parece que a única via para os milhões do PRR são estruturas físicas/camas.


Em momento de campanha eleitoral, a APCP quer manifestar a grande preocupação na ausência de medidas específicas neste sentido nos programas eleitorais de todos os partidos e aproveitar para desafiar todos os partidos a incluir nos seus discursos, nos seus programas, nos seus debates, a questão dos cuidados de saúde e sociais aos milhares de cidadãos e suas famílias que vivem uma situação de maior fragilidade, de doença grave e causadora de sofrimento, causadora de limitações e/ou que se encontram em situação de fim de vida.


Se temos agora cerca de 100 mil cidadãos com necessidade de cuidados paliativos, em 2060 teremos o dobro. O que é que o nosso Governo e a nossa Assembleia da República pretendem fazer em relação a isso? É emergente repensarmos a estratégia nesta área de cuidados.


Está no momento das respostas, das ideias e das soluções que esperávamos serem apresentadas.


Neste sentido, a APCP recomenda a todos os partidos candidatos às eleições legislativos do próximo dia 30 de janeiro, a integração no seu programa de governo das seguintes medidas:
1 – Redução das desigualdades territoriais no acesso aos cuidados paliativos: todos os doentes, independentemente da idade e do local de residência devem ter acesso, através do SNS, aos cuidados especializados que possam necessitar em situação de doença avançada e/ou ameaçadora da vida;
2 - Garantir que todas as equipas especializadas e unidades de cuidados paliativos existentes e todas as que venham a ser criadas, são dotadas de profissionais, tanto em número como em formação e competência especializada, de acordo com o que tem sido definido pela CNCP;
3- Formação de nível pelo menos básico a todos os profissionais de Saúde e abertura de estágios de especialização para profissionais de saúde (Médicos, Enfermeiros, Psicólogos, Assistentes Sociais) nas diferentes tipologias de respostas existentes para os Cuidados Paliativos;
4 – Promoção de campanhas nacionais de literacia em Cuidados Paliativos tendo em conta a sua definição e o seu posicionamento diferenciado face quer a obstinação, quer ao encarniçamento terapêutico, que além de aumentar o sofrimento, traduz-se no aumento das despesas em saúde, sem nenhum proveito;
5- Garantir a estabilidade das Equipas, prevendo uma progressão na carreira para os profissionais de saúde de todas as áreas científicas que se dediquem a Cuidados Paliativos;
6 – Garantia de profissionais com competência em abordagem paliativa nas estruturas do setor social (ex. ERPIs, apoio domiciliário, centros de dia, residenciais de apoio e acolhimento de pessoas com deficiência,…);


7 - Aumento do número de Equipas de Suporte comunitário em Cuidados Paliativos e colocação de mais profissionais nas equipas existentes e alocação de recursos físicos adequados ao seu funcionamento.

 

Apelamos a cada partido, que se apresenta em campanha eleitoral, para que atualize os seus programas e agenda política em função das reais necessidades dos cidadãos. Só assim cada cidadão poderá sentir-se verdadeiramente representado na Assembleia da República, independentemente da sua situação de doença, fragilidade, dependência.

Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

Janeiro de 2022


Para mais informações, por favor, contacte:
Cláudia Rêgo - divulgacao@apcp.com.pt | 934 019 557
Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

Sede: Serviço de Cuidados Paliativos

Instituto Português de Oncologia do Porto Francisco Gentil, E.P.E.

Rua Dr. António Bernardino de Almeida

4200-072 Porto
Email: secretariado@apcp.com.pt
Website: www.apcp.com.pt

 

22
Jan22

3.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO C


Oliveira

Proposta de Homilia para o 3.º Domingo do Tempo comum – ANO C - 2022

Palavra de Deus e comunidade que escuta

Domingo, 23 de Janeirro de 2022

     Irmãos, as leituras deste Domingo colocam o nosso olhar sobre a importância da Palavra de Deus, para a comunidade que escuta.  

  1. A Palavra de Deus, com lágrimas de alegria

    Primeira leitura

     Vemos na primeira leitura que o sacerdote Esdras, do Antigo Testamento, num sábado, colocou um estrado na praça, para ser ouvido; abriu o livro e começou a ler com muita solenidade, e explicava a leitura “perante a assembleia de homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender”. É muito interessante a seguinte informação: “Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro de Lei e dos Profetas”. O povo esteve ali “a escutar desde manhã até ao meio dia”.

     Nós podemos perguntar: por que fez grande festa o sacerdote Esdras, e todo o povo que escutava atentamente? O povo tinha regressado do exílio da Babilónia, estava na sua terra, motivo de grande júbilo.

     Vemos nesta cena uma comunidade que se deixa interpelar, que confronta a sua vida com a Palavra de Deus, e sente a urgência da conversão. A Palavra é eficaz e provoca a transformação da vida. A Palavra de Deus dirige-se a todos, interpela a todos.

       Foi um dia de festa, e o sacerdote Esdras convidou as pessoas a terem uma boa refeição, dizendo: “Hoje é um dia consagrado ao Senhor”. O povo compreendeu que na Palavra, Deus revelou-se como libertador.

     Irmãos, esse dia de sábado é para nós o domingo, em memória da ressurreição de Jesus. Esta narrativa leva-nos a apreciar a Palavra de Deus, que é libertadora e portadora de luz e de animação, que nós podemos escutar na liturgia da Eucaristia.

  1. A Palavra de Deus no centro da vida cristã

    Evangelho

     Muitos anos depois, o Evangelho apresenta Jesus Cristo como a Palavra que se fez Homem no meio de nós. Jesus leu na Sinagoga a passagem do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres… a proclamar a redenção aos cativos…a dar vista aos cegos… a liberdade aos oprimidos”. E Jesus acrescentou: “Cumpriu-se hoje esta profecia”.

     A sua Palavra é a Boa Nova. O mundo tem fome dessa palavra, para ter mais Luz, mais Verdade, mais Vida Nova. O homem, sem a palavra de Deus corre o perigo de tornar-se menos homem. O Papa Francisco ofereceu-nos a Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, para nos animar na escuta e na proclamação da Palavra da Vida. Diz logo no início: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”.

     E cada um de nós deve tornar-se anunciador dessa Palavra. O hoje que Jesus pronunciou ao dizer: cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, é o hoje de cada um de nós e de sempre.  

     Sentimo-nos ungidos pelo Espírito Santo, enviados a anunciar a libertação de toda a espécie de prisões. Nós somos anunciadores de vida nova. A Palavra de Deus transforma o mundo…  

  1. A Palavra de Deus cria união

     Segunda leitura

      São Paulo escreveu aos Coríntios: “Vós sois o corpo de Cristo e seus membros, cada um na sua parte.”

Um convite à união ou comunhão, visto que somos membros do corpo de Cristo. A Palavra de Deus conduz à comunhão.

     O Senhor concede a cada pessoa dons particulares, para servirmos uns aos outros como membros de um só corpo. A palavra de Deus deve encontrar acolhimento em nossos corações. Que seria o mundo sem esta luz e este alimento? Amemos este dom precioso da Palavra de Deus.

Pe. António Gonçalves, SDB

18
Jan22

REZAR O QUE NÃO CONSEGUIMOS


Oliveira

Partilho o texto da meditação de ontem, segunda feira, para a meditação e oração do terço, do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Ensina-nos, Senhor, a entregar nas Tuas mãos não só as nossas vitórias risonhas, mas também os fracassos que nos pesam; não só o bem que floriu em nós, mas também aquele que deixámos, em algum momento, por realizar.

Ensina-nos, Senhor, a rezar os caminhos sem saída do nosso coração, os bloqueios à vida que quotidianamente descobrimos em nós, a resistência ao amor e ao perdão que se transmuta tão facilmente em maledicência, rancor ou lamúria.

Ensina-nos, Senhor, a reconhecer diante de Ti a violência que, por vezes, permitimos que triunfe. Ensina-nos a contar a nossa agressividade, as tolas artimanhas defensivas que julgámos indispensáveis, o palavreado com que disfarçamos a rigidez ou a indiferença.

Ensina-nos a pedir o Teu socorro para aquilo que não conseguimos: a escuta que não conseguimos fazer na medida necessária, a alegria que não conseguimos acender ou partilhar em nosso redor, a bondade que não conseguimos sobrepor ao impulso justiceiro, a empatia que não conseguimos que prevaleça sobre os juízos caprichosos com que liquidamos dentro de nós a voz dos outros.

Ensina-nos, Senhor, que aquilo que displicentemente explicamos como «o nosso feitio» é, no fundo, uma falta de feitio evangélico que não queremos enfrentar.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
17.01.2022

13
Jan22

2.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO C


Oliveira

Proposta de Homilia para o 2.º Domingo do Tempo comum – ANO C - 2022

Bodas de Caná

Nasce pela Fé uma nova comunidade

Domingo, 16 de Janeirro de 2022

  1. O amor de Deus com seu povo, na imagem do casamento

     Primeira leitura

     Isaías apresenta o amor de Deus com o seu povo na imagem do casamento; sendo Deus o marido, e o povo a sua esposa. Imagem feliz, sinal do amor que une os esposos: como o marido ama a sua esposa, assim Deus ama o seu povo. Esta semelhança ou comparação é bela, pondo em evidência o amor. Eis a palavra de Isaías a mostrar esta relação de Deus com o seu povo: Isaías fala a Jerusalém, à sua terra, dizendo: “Hão de chamar-te predilecta, e à tua terra desposada, … e a tua terra terá um esposo… E como a esposa é a alegria do marido, tu (Jerusalém)   serás a alegria do teu Deus” (teu marido).

     O que está na leitura de hoje: “Tal como o jovem desposa uma virgem, assim Deus te desposará”.  Imagem feliz, do amor de Deus com o povo, sua esposa. Noutra passagem Isaías diz isso: “Pois o teu criador é o teu esposo”( 54,5.    

     Esta mensagem de Isaías ajuda-nos a ter com o nosso Deus uma relação de interesse, de alegria, de confiança, de amor. O pensamento da Bíblia é que embora a esposa seja infiel, Deus é sempre fiel.  

  1. O amor de Deus faz nascer a nova comunidade.

     Evangelho

     Jesus participa com Nossa Senhora e os discípulos numa festa de casamento. Mostra nessa união de marido e esposa um sinal da Aliança de Deus com a humanidade. Os esposos usam a aliança, possivelmente de ouro, significando o seu amor e união. É imagem da Aliança de Jesus connosco, uma aliança nova, por isso dizemos na Bíblia: Nova Aliança, Novo Testamento. Jesus, Filho de Deus, em aliança connosco.

     Conhecemos o milagre que Jesus realizou em Caná, transformando a água em vinho. E a partir desse milagre, tem início uma nova comunidade. Lemos no final da narrativa: “E os discípulos creditaram n’Ele”. Com a fé, teve início a nova comunidade, a Igreja. É maravilhosa esta conclusão. Podemos dizer que nas Bodas de Caná, com a fé dos discípulos, começa a nova comunidade, a Igreja. E a partir das Bodas de Caná Jesus começa a sua evangelização. As bodas de Caná tornam-se o início da Aliança nova e definitiva com a pessoa de Jesus, que participou numas bodas.   

  1. O amor de Deus chama-nos à unidade

     Segunda leitura

Escrevendo aos Coríntios, São Paulo faz um apelo à unidade: “Um só e o mesmo Espírito”. Paulo encontrou em Corinto algumas divisões. O Apóstolo deseja uma Igreja unida, porque a variedade de dons procede do mesmo Deus. E a união é sinal de Deus connosco. Uma comunidade ou paróquia dá testemunho de Deus se viver unida.  

         O papel de Maria. A concluir a nossa reflexão sobre o milagre de Jesus em Caná, temos presente o papel de Maria. No primeiro milagre realizado por Jesus, Nossa Senhora tem uma óptima participação: está atenta e vê o embaraço dos noivos; Maria é diligente em resolver o problema; vai ter com Jesus; não se coloca em primeiro plano: dirige-se a Jesus.

     Na nossa vida, Maria continua a interceder por nós junto de Jesus. Mostra-lhe as nossas dificuldades; e Jesus atende os seus rogos. Assim Maria continua para nós a sua missão de Mãe. como nos diz o Concílio Vaticano II.  “Ela continua a olhar pelos irmãos de seu Filho”, que somos nós (cf LG, 62). Isto leva-nos à nossa vida de fé em Deus, ao amor de Jesus por nós.

Pe. António Gonçalves, SDB

12
Jan22

REZAR O ANO QUE COMEÇA


Oliveira

Partilho o texto da meditação de ontem, segunda feira, para a meditação e oração do terço, do Cardeal José Tolentino de Mendonça, enviado pelo Ir. Manuel Silva.

(A. Oliveira)

Ensina-nos, Senhor, a embarcar na viagem deste ano que começa, levando no coração a disponibilidade e o deslumbre dos verdadeiros viajantes.

Ensina-nos que a sabedoria do caminho pede escolhas essenciais em vez da mera tentação de amontoar. E que as estradas de cada dia se palmilham melhor quando somos capazes de ligeireza.

Ensina-nos, Senhor, a precisar de pouco, a adoptar um estilo de vida mais frugal, a confiar que em tantas situações o menos é mais.

Rasga o nosso olhar a horizontes que não terminam abruptamente na linha dos nossos sapatos ou no reflexo obsidiante dos espelhos onde nos vemos. Dá-nos o gosto sinodal do distante, do inédito e do diverso.

Aproxima do nosso ouvido a polifónica conversa do mundo, desse enredo de esperanças e de dores que nos descentram de nós próprios e nos exortam à prática
corajosa da hospitalidade.

Diz ao nosso coração que o tempo não é apenas a soma de fadigas sem nexo, pois Tu mesmo nos habilitas em cada dia para prosseguir a arquitectura credível do amor.

Que os nossos dias sejam celebração de um encontro que perdura, sentindo que tudo, mesmo as dobras mais frágeis do real, nos aproxima e nos faz convergir para Ti.

Cardeal José Tolentino de Mendonça
11.01.2022

09
Jan22

Cultura e Pastoral da Cultura - Actualidade

Mais uma sugestão de leitura


Oliveira

Dos ricos conteúdos do site do SNPC, respigamos, com a devida vénia o que segue:

(A. G. Pires)

Lourdes Castro: O efémero, a alegria, a eternidade

A sua obra torna-se um rito de elogio do vivo e de louvor do dom da vida, que nos propõe comungar tanto numa manifestação simples e rigorosa da alegria, quanto no crescimento do amor para a eternidade. Como evidenciam várias das suas mais significativas criações e algumas imperecíveis experiências de irradiação espiritual na receção da sua obra, o louvor do dom da vida na própria atualização da autonomia dos valores estéticos passa, na obra de Lourdes de Castro, por uma poética da espiritualidade cristã.

Saiba mais

 

08
Jan22

O NATAL NÃO EXCLUI NINGUÉM


Oliveira

Embora publicado no último número do jornal "Voz da Verdade", vale a pena reproduzir mais este artigo do Dr. Pedro Vaz Patto no Blog da Copaaec. Oferecemos, assim, aos nossos associados e leitores amigos, assunto de reflexão.

(A. G. Pires)

            Grande clamor e indignação suscitou a proposta (entretanto retirada) da Comissão Europeia de aconselhar/proibir aos seus funcionários a menção do Natal nos tradicionais votos próprios desta quadra, para desse modo respeitar quem, nas agora multiculturais sociedades europeias, não se reconhece no cristianismo. Uma proposta que nem chegou a ver a luz do dia, mas que foi suficiente para criar em muitos ainda mais desconfiança sobre o rumo que está a tomar o projeto de unidade europeia.

            Não muito tempo depois de ter surgido a notícia dessa proposta, numa comissão de que faço parte e onde estão representadas as principais confissões religiosas não cristãs presentes em Portugal, foi espontânea a habitual troca de sudações de “Feliz Natal”, sem que ninguém se tenha sentido ofendido ou desrespeitado, ou sequer a alguém tenha passado pela cabeça substituir a referência ao Natal por uma suposta “festa de inverno”.

            É claro que quem hoje vive em Portugal e adere a religiões não cristãs, ou a nenhuma, vive o Natal à sua maneira. Nele não festeja o Deus que, por supremo amor, Se fez menino (um de nós) para nos salvar. Um dirigente muçulmano disse em tempos numa entrevista, para atestar a plena integração da sua comunidade na sociedade portuguesa, que no Natal não festejam o nascimento de Jesus, mas não deixam de comer bacalhau… Mas mais do que essa tradição, os portugueses de todas as religiões celebrarão o Natal como festa da família e a ele associarão uma mensagem de paz e amor. Não ignoram ou esquecem que está no cristianismo a origem dessa mensagem, por muito diluída que essa origem por vezes apareça. Nem deverão ignorar ou esquecer essa origem se verdadeiramente quiserem compreender a sociedade e cultura portuguesas onde pretendem integrar-se, mesmo que ninguém possa pretender que com essa integração abandonem a sua cultura e a sua religião.

Pretender que a harmonia das sociedades europeias onde hoje convivem pessoas de múltiplas culturas e religiões implique o cancelamento das raízes culturais cristãs dessas sociedades, ou seu confinamento à esfera privada, seria dar razão a quem recusa o acolhimento dessas pessoas para preservar tais raízes (se essa convivência exige que cancelemos o Natal, então não queremos essa convivência…). Mas essa pretensão não tem razão de ser.

Pelo contrário, o Papa Francisco, na encíclica Fratelli tutti e em várias ocasiões, tem salientado que as culturas se enriquecem (não que se perdem ou desaparecem) com contributos de outras, porque elas não são estáticas, e é esse o desafio com que se confronta hoje a cultura cristã da Europa. A convivência e o diálogo dos cristãos com pessoas de outras religiões ou convicções também os enriquece, além do mais porque é uma ocasião de darem testemunho da sua fé, sem qualquer pretensão de a impor.

A convivência de pessoas de culturas e religiões diferentes nas sociedades europeias não pode significar o apagamento das tradições que provêm das suas raízes cristãs, porque tal significaria um completo esvaziamento e empobrecimento cultural e espiritual, de que ninguém beneficiaria. Pode, antes, levar a que todos passem a conhecer, respeitar e de algum modo apreciar festividades de outras religiões (aconteceu comigo há pouco tempo, quanto a uma festa judaica para que fui convidado no âmbito da comissão a que acima me referi). E também reconhecer, segundo critérios de razoabilidade, como pretende a Lei da Liberdade Religiosa que nos rege, a possibilidade de dispensa de trabalho em dias dessas festividades quando tal for exigido pelos preceitos da religião em causa. Só assim estaremos perante sociedades verdadeiramente inclusivas. Seria absurdo apagar a presença do cristianismo do espaço público (a sua exclusão) em nome da inclusão de religiões minoritárias.

Quanto ao Natal, poderemos também dizer que a sua mensagem não exclui ninguém. Por algum motivo, passámos a contar o tempo desde o nascimento de Jesus Cristo. Ele marcou, e continuará a marcar, a história da Humanidade. Mesmo quem não reconheça que nesse acontecimento está a incarnação de Deus, nele pode reconhecer uma mensagem de promoção da dignidade humana, de solidariedade com os mais pobres, de valorização da família, de paz, de fraternidade e de esperança (tudo em contraste com o paganismo pré-cristão). Essa é uma mensagem inclusiva que ninguém de bom senso quererá apagar.

Pedro Vaz Patto

08
Jan22

Festa do Baptismo do Senhor


Oliveira

Proposta de Homilia para a Festa do baptismo do Senhor – ANO C - 2022

Os céus abrem-se de par em par

Domingo, 9 de Janeirro de 2022

      Irmãs e Irmãos, ficamos admirados ao ver Jesus a ser baptizado por João Baptista? Qual será o motivo de Jesus proceder assim?

  1. Baptismo do Senhor na figura de “Servo” eleito

    Primeira leitura

   O profeta Isaías apresenta-nos uma personagem como “Servo de Jahwéh”. É uma personagem escolhida por Deus, para levar a salvação às pessoas. Deus chama-o “o meu eleito, enlevo, escolhido por Deus para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas”. Estas palavras indicam o “Servo” como libertador do povo que estava exilado na Babilónia.  

     Mas quem é o verdadeiro “Servo de Jahwéh”, eleito de Deus? Os cristãos vêem nele o próprio Messias. Ele é o “Eleito de Deus”, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça, a paz e o amor: a salvação. Jesus, como “Servo”, será o libertador da humanidade.

  1. Baptismo de Jesus para sermos filhos de Deus.

       Evangelho

     No evangelho temos diante de nós o profeta João Baptista, nas margens do rio Jordão, com uma fila de pessoas, a dirigirem-se para ele a fim de serem baptizadas. Essas pessoas entram na água, arrependem-se dos pecados, recebem o baptismo e sentem-se perdoadas.

     Jesus quis entrar nessas águas e ser baptizado em nosso nome. Diz-nos São Lucas: “E do céu fez-se ouvir uma voz: Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.

     E João Baptista anuncia um baptismo superior ao que ele administra: ”Vai chegar quem é mais forte do que eu. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. O baptismo dado por Jesus, o nosso baptismo, faz-nos entrar na Santíssima Trindade, que é “fogo” de amor”.

     Jesus, o Filho amantíssimo do Pai, eleva-nos a ser também com Ele, filhos de Deus Pai. Assim meditou São Gregório de Nazianzo: “Mas depois Jesus sobe das águas, elevando consigo o mundo inteiro, e vê abrirem-se os céus de par em par…” [1]

     Esta expressão mostra que a separação entre os Céu e a Terra acabou… E em Jesus… os céus estão abertos porque a sua humanidade é a nossa… e por Ele, os céus estão abertos[2]. Tudo isto mostra a grandeza do nosso Baptismo.

     Uma pequena história das missões: perguntaram a um velho: - “que idade tem”. E ele respondeu: - “tenho dois anos”. Dois anos, com rugas na face? Ele explicou: - “só comecei a viver com o meu baptismo, há dois anos”.

  1. Baptismo do Senhor para libertar a humanidade.

     Segunda leitura

     Os Actos dos Apóstolos mostram-nos São Pedro a fazer um discurso na Casa de Cornélio, que era um centurião romano bom e piedoso, e ajudava os Judeus. São Pedro resolveu baptizá-lo e baptizar as pessoas que estavam com ele. 

     Nesse discurso transparece a pessoa de Jesus como Filho de Deus que veio ao mundo fazer a vontade do Pai. E Jesus passou “pelo mundo fazendo o bem… e libertando todos os oprimidos” (Act 10,38): Jesus, amado do Pai, veio libertar e salvar a humanidade.

     Qual é então o nosso desejo? É acolher com fé este dom de Deus, para sermos “Testemunhas da Esperança”. Dizia alguém: a minha melhor Fé é a Esperança. Amemos o nosso baptismo, que nos torna Irmão de Jesus, filhos de Deu Pai, membros da Igreja, herdeiros do paraíso.

P. António Gonçalves, SDB

[1] Liturgia das Horas,  vol 1, Baptismo do Senhor, 2ª leitura.

[2]  Cf. Manuel Clemente, O Evangelho e a Vida, ano B, p. 50). 

30
Dez21

Solenidade da EPIFANIA do Senhor


Oliveira

Proposta de Homilia para a Solenidade da Epifania do Senhor – ANO C - 2022

Deus … Luz para o mundo

Domingo, 2 de Janeirro de 2022

      Irmãos e Irmãs, a Epifania mostra-nos o Menino, Filho de Deus, adorado pelos Reis Magos, que representam os povos pagãos, não pertencentes ao Povo de Deus. Todos nós estamos representados nessas personagens.

  1. Epifania, luz de Deus

     Primeira leitura

     Abrimos o olhar para a primeira leitura que nos mostra o profeta Isaías a exclamar: “resplandece, Jerusalém porque chegou a tua luz e a glória do Senhor brilha sobre ti... A sua glória te ilumina”. Ao dizer estas palavras, resplandece, Jerusalém, Isaías vê esta cidade repleta de luz; como as nossas ruas no tempo de Natal. Vê Deus, que vai receber novamente Jerusalém como sua esposa. Isto, porque o povo exilado na Babilónia regressou a Jerusalém.

     E outros povos do oriente, com as suas riquezas se encaminham para o monte santo. Estamos perante o “universalismo da salvação”. Essa luz que resplandece em Jerusalém é para todos os povos, para nós.     

      Sem essa luz, a humanidade permanece nas trevas: nas guerras, nos atropelos, nos muros que separam. O muro de Berlim foi uma barreira, durante 28 anos, desde 1961 a 1989. Ainda recordamos imagens de pessoas com marretas a derrubarem esse muro da vergonha.

       Hoje há outros muros: a luta contra os cristãos, contra a família, contra o ensino religioso…É melhor construir pontes do que levantar muros de separação. Ou como disse um pensador: “mais vale acender um fósforo do que maldizer a escuridão”. Ora em Belém acendeu-se a grande luz, do Menino Deus, que faz resplandecer Jerusalém. Luz para todos os povos.

  1. Epifania, realiza-se hoje na Igreja

     Evangelho

     Hoje, na Epifania, Jesus manifesta-se como salvador de todos os povos. Os Reis Magos foram a Jerusalém guiados por uma estrela. … “Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 

     E quem acende a estrela da luz de Cristo no mundo? Nós, os cristãos, com a nossa fé. Com a nossa vida simples, de fidelidade ao Evangelho. Qualquer pessoa humilde pode ser essa luz. É interessante este conselho de Francisco de Assis: “devemos evangelizar…e se for preciso, alguma vez com a palavra” (frase na internet). Queria ele dizer: mais com a vida do que com a palavra.

     Herodes não aceitou a luz. Ficou nas trevas, e deu a morte aos meninos de Belém, com dois anos ou menos.

     Quando a humanidade se afasta de Deus, comete crimes como o holocausto da guerra 39-45. Conhecemos o horror de Auschwitz. Ao contrário, a Epifania é luz de Cristo para todos os povos, portanto, para nós. Recordemos: Há sempre uma estrela no céu, a orientar-nos para Jesus. Os Magos procuraram Jesus; encontraram o Salvador e ofereceram presentes. A humanidade não pode viver fora de Deus. O nosso Deus encontra-se pela Fé.

  1. Epifania chama-nos à fraternidade

     Segunda leitura

          São Paulo, na Carta aos Efésios, viu a Epifania como um chamamento para Cristo. E diz: “Neste mistério (de Cristo) foi revelado que todos somos chamados a formar um só corpo. Jesus nasceu em Belém para trazer a fraternidade ao mundo; Jesus mostrou-se aos Reis Magos, e mostra-se hoje através da Igreja, para sermos irmãos. Foi Jesus que explicou aos Apóstolos: “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes unas aos outros” (Jo 13,35). São Mateus mostra gosto na viagem das personagens a Belém. Foram guiados por uma estrela. Quem é a estrela que os guiou? É o próprio Jesus nascido em Belém. Como dirá mais tarde S. Paulo: “Não há judeu nem grego… somos todos um em Cristo” (Gl 3,28).

     A “Luz da Fé” é o título da primeira Encíclica do Papa Francisco. Ele reconhece que apenas a Fé nos dá a luz que a simples razão não concede dar-nos. “Quem acredita, vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo Ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso”[1]. Epifania, Luz da Fé para caminharmos pela verdade e pelo amor.

Pe. António Gonçalves, SDB

[1] Papa Francisco, Luz da Fé, n. 1

30
Dez21

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus


Oliveira

Proposta de Homilia para a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus – ANO C - 2022

Nossa Mãe, deu-nos o seu Filho, Jesus

Sábado, 1 de Janeirro de 2022

      Irmãs e irmãos, o que recordamos neste primeiro dia do ano? Três razões de interesse: Santa Maria, Mãe de Deus; a paz no mundo; o novo ano civil. Neste momento, o nosso olhar vai de modo particular para Nossa Senhora, Mãe de Deus.

  1. Santa Maria, mãe de Deus: bênção para nós.

     Primeira leitura

     A primeira leitura coloca-nos no monte Sinai, na viagem do povo de Deus para a Terra prometida. Deus fala a Moisés de uma bênção, nestes termos: “Fala a Aarão e aos seus filhos, e diz-lhes: ‘assim abençoareis os filhos de Israel: O Senhor te abençoe e te proteja, e faça brilhar o seu rosto sobre ti e te seja favorável’”. Aarão era irmão de Moisés, e o primeiro sumo-sacerdote. A bênção que ele devia dar ao povo vinha de Deus, pedindo assim: “O Senhor te abençoe”. E o que pedia Aarão: pedia a protecção de Deus, e para Deus mostrar o seu rosto. Nós vemos nesta bênção uma comunicação de vida, da vida que vem de Deus: “O Senhor te abençoe”.

  1. Santa Maria, Mãe de Deus: deu-nos seu Filho

     Segunda leitura

     Hoje, dia da Mãe de Deus, temos em Maria a maior de todas as bênçãos: de Maria veio-nos Jesus, o Filho de Deus. Com Ele, entramos na vida divina. São Paulo, escrevendo aos Gálatas, revela a essa comunidade e a nós o grande mistério na plenitude dos tempos: “Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher… para nos tornar seus filhos adoptivos”. Assim, podemos chamar a Deus nosso Pai: Abbá! Pai!.

     Esta verdade, este dom, esta graça de sermos filhos de Deus é a maior dignidade que temos: sermos irmão de Jesus e com Jesus sermos filhos de Deus.

     As mães oferecem presentes aos filhos; Maria dá-nos o seu Filho Jesus. São Paulo sente alegria em dizer isto aos Gálatas, e a nós: para nos tornarmos filhos adotivos.

  1. Santa Maria Mãe de Deus: alegria para os pastores e para todos

     Evangelho

     São Lucas convida-nos a olhar para os pastores, que foram apressadamente a Belém à procura do Salvador. As pessoas do nosso tempo andam muito apressadas com as tarefas da vida … É preciso que se lembrem de procurar o Senhor, como fizeram os pastores.

     São Lucas mostra-nos também como os pastores encontraram Maria, José e o Menino, e regressaram aos seus lugares de guardas dos rebanhos “glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto”.

     O evangelista convida-nos a louvar a Deus, pelo seu amor, e a testemunhar a nossa fé. Na sua catequese, dá a conhecer quem é esse Menino, Jesus, o Messias, o libertador. Deus veio a nós por Maria. Maria deu-nos o seu Filho, Deus connosco.   

    Passando aos nossos dias, recordamos o que o Papa Francisco disse em Fátima, no dia 13 de Maio 2017: “Queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a Ela, como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus”[1].   

     Escreveu um bispo de França: “A Mãe de Jesus não conheceu na terra a doçura da visão de Deus. Mas a sua fé (de Maria), com provações e dificuldades, não conheceu nunca desfalecimento, nem hesitações,… nem demora. A fé de Maria teve a solidez do rochedo[2].   

     Hoje é também o Dia Mundial da Paz. Tema para o ano 2022: Educação, trabalho, diálogo entre as gerações. A paz é um bem precioso. Que a Mãe de Jesus nos conceda o dom da paz.   

Pe. António Gonçalves, SDB

[1] Conferência Episcopal Portuguesa, Papa Francisco em Fátima, p. 36.

[2] Pierre-Marie Theas, que foi bispo de Tarbes e Lurdes: Maria Modelo de fé, p. 38.

Mais sobre mim

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub