Tomada de posse dos novos membros da Direcção da COPAAEC
Oliveira
Realizou-se ontem, 11 de Outubro de 2025 a tomada de posse nos novos membros da Direcção da COPAAEC para o próximo triénio.
(oportunamente completaremos a informação)


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Oliveira
Realizou-se ontem, 11 de Outubro de 2025 a tomada de posse nos novos membros da Direcção da COPAAEC para o próximo triénio.
(oportunamente completaremos a informação)


Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
Geopolítica, belicismo e a erosão da soberania à custa do humanismo original
Os acordos recentemente firmados entre a União Europeia e os Estados Unidos carregam a marca indelével de Donald Trump. Com tarifas de 15% para automóveis e outros produtos, a UE parece avançar, mais uma vez, em direcção à sua própria insignificância geopolítica. Mas os números revelam um cenário ainda mais preocupante: a Europa comprometeu-se a comprar 750 mil milhões de dólares em energia dos EUA, a investir 650 mil milhões no mercado americano e a adquirir centenas de milhares de milhões em equipamento militar. E, ao mesmo tempo, abre os seus mercados sem tarifas para Washington.
A estratégia europeia, alinhada com o belicismo germânico-francês e o utilitarismo económico britânico, canaliza os orçamentos dos Estados-membros, incluindo os mais pequenos, para uma guerra política (1) que não é sua. No fim de contas, a UE subsidia o imperialismo norte-americano, importando material bélico que não possui, numa tentativa vã de se afirmar como potência militar. Por seu lado, Bruxelas parece aplicar, a nível interno, o que se poderia chamar de "imperialismo mental": uma dominação que vai além da economia, moldando as consciências através de políticas e Media alinhados.
Trump é o senhor do jogo
Donald Trump, o negociador implacável, mantém-se como o grande condutor deste tabuleiro geopolítico. No início do conflito ucraniano, mostrou-se favorável a negociações porque sabia que sairia beneficiado. Mas, ao perceber que Berlim, Paris e Londres estavam totalmente comprometidas com a escalada bélica, viu a oportunidade de reforçar a sua influência. Agora, a UE segue o seu ditado, entregando a soberania em troca de uma suposta protecção.
A Europa, outrora berço do humanismo, parece hoje reduzida a um regime autoritário-militarista, traindo a sua tradição latina em favor do pragmatismo anglo-saxónico. Os líderes europeus, enredados em jogos de poder, pouco se importam com os mortos na Ucrânia, na Rússia ou em Israel/Gaza. O que lhes interessa são matérias-primas, estratégias de medo e a manutenção de um sistema que beneficia magnatas económicos e políticos.
A desconstrução da Europa
A União Europeia, nas mãos de tecnocratas globalistas, perdeu qualquer vestígio de consciência europeia. Em vez de defender a sua cultura e tradição humanista, entrega-se a negócios globais que a enfraquecem. O povo, vítima deste "polvo global", é manipulado por narrativas pós-factuais, emocionalmente carregadas, que justificam as más intenções dos que estão no poder.
Enquanto Trump personifica o imperialismo económico tradicional, Ursula von der Leyen encarna o imperialismo mental; este é ainda mais perigoso, porque combina opressão material com dominação psicológica. Os cidadãos, formatados por uma ideologia que não questionam, tornam-se cúmplices involuntários de sua própria subjugação.
Encontramo-nos na feira da ladra geopolítica
A Europa desmonta-se a si mesma. Os anglo-saxónicos e a Alemanha defendem, na prática, apenas os seus interesses económicos e bélicos, aplicando a velha máxima do "dividir para reinar". Se com o século XVI começou na Alemanha a divisão da Europa entre espírito germânico nórdico e alma latina com a imposição do espírito germânico, no século XXI dá-se um passo em frente através do desenraizamento cultural geográfico passando-se ao processo da dominação mental. Não será de admirar que a China nos levará um dia a redescobrir que éramos o berço do humanismo.
Os povos europeus, humilhados, mas de cabeça erguida por se relacionarem com Trump, assistem à transformação das suas sociedades numa "feira da ladra", onde se negoceia soberania, dignidade e futuro. Resta perguntar: haverá resistência possível, ou a Europa já aceitou o seu papel de vassalo? A Europa, ao negar as suas origens, perde o seu rumo e sentido.
António da Cunha Duarte Justo
In "Pegadas do Tempo": https://antonio-justo.eu/?p=10151
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(1) Segundo o European Council on Foreign Relations (ECFR), a dependência europeia em equipamento militar dos EUA aumentou 42% desde 2022.
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
O Voto dos Emigrantes não chega para legitimar, mas questiona
A cerimónia de tomada de posse da Comissão Nacional de Eleições (CNE), no dia 25 de julho de 2025, trouxe à luz um problema que há muito se arrasta: a relação frágil entre a democracia portuguesa e os seus emigrantes. O Presidente da Assembleia da República (PAR) abordou, com pertinência, a alarmante abstenção de 80% e os 30% de votos nulos entre os portugueses no estrangeiro. Estes números não são apenas estatísticas, (1) eles são um grito de desencanto, um sintoma de um sistema que falha em incluir quem, mesmo longe, não só mantém Portugal no coração como concorre substancialmente para o seu desenvolvimento...
O discurso do PAR identificou alguns dos obstáculos que desencorajam a participação eleitoral.
Entre outros, uma burocracia excessiva exigindo registo prévio, prazos curtos e a necessidade de deslocação a consulados distantes transformam o acto de votar num verdadeiro obsctáculo, não num direito; a falta de informação concorre para que muitos emigrantes desconheçam o impacto do seu voto ou desconfiam da eficácia do sistema político; o desencanto com a política que vem da sensação de que os partidos veem a diáspora como um alibi eleitoral, e não como uma comunidade com necessidades específicas, mina a confiança.
Se o voto não produz efeitos visíveis, por que razão haveriam os emigrantes de se dar ao trabalho?...
Portugal não está sozinho neste desafio, mas outros países encontraram soluções eficazes que poderiam servir de inspiração:
...
A França: tem voto por procuração (um eleitor pode delegar o seu voto a outro), tem equipas consulares móveis que se deslocam a cidades sem representação; em 2022, 50% dos franceses no Reino Unido votaram por procuração...
A Estónia: tem voto online seguro desde 2005 (com ID digital ou telemóvel) e deste modo redução drástica de custos logísticos; a participação dos emigrantes subiu de 6% (2005) para 44% (2023) ...
Os exemplos internacionais mostram que há soluções. Mas em Portugal, o problema persiste por falta de acção.
O voto eletrónico, já testado com sucesso noutros países, poderia ser implementado progressivamente e alguma região ou país de emigração poderia servir como início experimental.
O voto postal universal (hoje restrito a casos excepcionais) deveria ser uma opção normal real, sem necessidade de justificação. Poderia fazer parcerias com serviços postais internacionais (ex.: DHL) para entrega segura.
Consulados móveis, como os da França, poderiam chegar a comunidades distantes.
Mais deputados da emigração (4 são claramente insuficientes) e debates parlamentares focados na diáspora...
Rumores insinuam que os partidos tradicionais temem que a facilitação do voto no estrangeiro beneficie forças políticas mais centristas ou contestatárias. Os resultados das últimas legislativas confirmam essa tendência: O CHEGA venceu nos dois círculos da emigração (26% dos votos), a AD ficou em segundo lugar (16%), o PS, pela primeira vez, não elegeu nenhum deputado pela diáspora (2).
Deputados eleitos na Europa: José Dias Fernandes pelo CHEGA e José Manuel Fernandes pela AD.
Fora da Europa: Manuel Magno Alves pelo CHEGA e José de Almeida Cesário pela AD.
Se o sistema continuar a dificultar o voto, a abstenção manter-se-á alta e a legitimidade democrática, baixa...
Os emigrantes não são apenas "portugueses de segunda categoria", são um pilar económico e cultural do país. Se a democracia portuguesa quer ser verdadeiramente inclusiva, tem de olhar para além-fronteiras...
Se Portugal soubesse aproveitar o potencial da sua diáspora, não só eleitoral, mas também económico e cultural, poderia tornar-se num caso de estudo em democracia inclusiva. Basta querer e agir. Continuar encerrados em meros interesses de imagens individuais e partidárias (3) corresponderia a continuar cada vez mais na mesma não acompanhando os sinais dos tempos...
António da Cunha Duarte Justo
Artigo completo e Notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=
Oliveira
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(A. G. Pires)
(Sorvendo a mística do génio cristão)
Miniatura sou do Universo criado,
espelho quebrado onde Deus se contempla,
gota que transporta o mar sem o conter,
pó da terra a arder com sede do Infinito.
Na carne frágil que me delimita,
arde-me o eco do Verbo Encarnado,
e o limite que me cerra é o mesmo
que me abre ao abismo do Seu Mistério.
Pois sei, na vivência sentida,
que o corpo é cárcere e sacrário,
e que a Palavra, feita carne em mim,
não repousa até ser chama consumida,
até ser rio dissolvido no regaço de Deus.
O masculino e o feminino,
não são vestes da terra, mas sopros do Céu,
duas faces do Mesmo que não tem rosto,
duas labaredas que se buscam
na noite escura dos sentidos,
no silêncio onde o Espírito fala.
O fogo que delimita, que penetra, que protege,
é o selo do Cristo sobre o meu ser.
O rio que acolhe, que dissolve, que nutre,
é o seio materno do Mistério,
onde me perco e me encontro,
onde me anulo e renasço.
E eu, pequeno, finito na sombra,
sou parte dessa dança,
sou barro que geme sob o peso da Luz,
sou sede insaciável do que me ultrapassa,
sou carne em combate com a promessa,
sou verbo em gestação,
sou lágrima e riso no parto da Eternidade.
Ah, se o mundo atendesse
E os ventos gritassem
que no seio ferido da mulher esquecida,
Deus planta a sua tenda,
e que o feminino não é sombra, mas sagrado,
não o calariam, nem o negariam,
antes cairiam de joelhos,
porque onde o ventre acolhe,
o Espírito sopra,
e onde a carne se curva,
o Verbo habita.
Que se calem os juízos do mundo,
eu encontrei o meu Cristo:
Ele faz-Se limite para habitar-me,
eu faço-me nada para O possuir.
E no abraço que excede o corpo e o tempo,
sou ferido pela lança do Fogo,
sou diluído no rio da Misericórdia,
sou, na minha territude,
a miniatura do Universo reconciliado,
a centelha perdida que o Amor recolhe,
a carne que já não teme ser barro,
pois é no limite que Deus Se revela,
é no limite que Deus me consome.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10134
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
Complementaridade contra Imperialismos de Esquerda e Direita
A civilização ocidental assemelha-se hoje a um Filho Pródigo obstinado, que, seduzido por quimeras de liberdade, trocou a segurança do lar paterno pela errância dos caminhos perdendo-se a olhar para as estrelas (1) ...
A questão mais gritante que se põe hoje a toda a humanidade reduz-se a como superar o conflito esquerda-direita (tradicionalistas-progressistas), ocidente-oriente e OCDE-BRICS, de maneira a servir-se a humanidade e não agrupamentos de interesses. Povo, governantes e intelectuais têm de desenvolver um projecto comum de paz.
A crise ocidental, marcada pelo vazio espiritual do turbo-capitalismo e pelo radicalismo do socialismo ideológico, exige uma reintegração da tradição humanista cristã, mas sem nostalgia tradicionalista nem progressismos desintegrados.
As elites políticas, falhadas em conceitos e vontade, insistem em modelos anacrónicos, alimentados por uma cultura belicista que manifesta cada vez mais os desvios geopolíticos da Europa e do Ocidente (2). A democracia, sabotada por dentro, clama por uma reorientação urgente: um modelo sustentável, humanista e pacífico, que harmonize os valores cristãos ocidentais com eficiência económica adaptativa e uma diplomacia de poder suave, inspirada, mas não copiada, da estratégia chinesa, e enraizada na nossa tradição cultural (modelo católico aberto). A solução, ético-humanista, passaria por resgatar a Doutrina Social da Igreja...
A alternativa aos imperialismos de direita (neoliberalismo globalizante) e de esquerda (hegemonia progressista transnacional) pressupõe um Humanismo Integral Geopolítico não imperialista. Nesta fase da História tratar-se-ia de elaborar um projecto que implicasse:
- Recuperar a Ética Política: Reintegrar no debate público princípios como dignidade humana, subsidiariedade e bem comum, articulando-os com as exigências da pós-modernidade, sem dogmatismos. Um exemplo inspirador é o Projeto Ética Global de Hans Küng (3), que, adaptado à geopolítica, poderia fomentar um novo diálogo entre as nações.
- Criar-se uma Economia Social de Mercado com alma; contra o turbo-capitalismo e o coletivismo autoritário, urge uma economia enraizada em valores transcendentais, próxima da Doutrina Social da Igreja, integradora de contribuições laicas.
- Poder complementar de Co-Criação pacífica: O Ocidente deve aprender com a China que exerce uma projecção cultural não impositiva (Confúcio, infraestruturas globais), mas substituir o pragmatismo chinês por um soft power de complementaridade e humanismo: universidades (Modelo Erasmus), ONGs e media que promovam diálogo intercultural e não monocultura ideológica; a nível de Media seria de, para isso, substituir CNN por plataformas como Arte (canal franco-alemão de cultura profunda que mantem uma certa neutralidade)...
Um multilateralismo civilizacional nas pegadas da táctica cultural de Carlos Magno, pressuporia uma reactivação das redes académicas com colaborações entre culturas e blocos geopolíticos e a nível regional colaborações de lusofonia (4), luso-hispânicas, anglo-americanas e europeias, destacando a herança greco-romana, judaico-cristã e moderna, sem eurocentrismos ou hegemonismos...
O Ocidente não precisa de se tornar China, mas a China pode lembrá-lo de suas raízes humanistas cristãs. Purificando os excessos materialistas (capitalistas e socialistas), ambas as civilizações podem construir um Poder suave de cooperação...
Resumindo: humanismo integral geopolítico não significa um retorno ao passado (5), mas uma reconstrução selectiva contra o imperialismo liberal e o imperialismo progressista.
As diferentes economias e os valores de uma cultura não devem ser usados como escudos contra a outra, como, lamentavelmente, a NATO tem feito. Vai sendo tempo de regressar a casa!
António da Cunha Duarte Justo
Artigo completo e notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10137
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
Declínio do “Poder Duro” Ocidental perante a Arte Chinesa de se afirmar pelo “Poder Suave”
Ao observarmos a política internacional assistimos a dois caminhos do poder global: Ocidente e as armas com a estratégia do Hard Power e a China com a diplomacia (Soft Power).
Os Estados Unidos são, há décadas, a nação que mais gasta em armamento no mundo! É um colosso militar cujo orçamento bélico em 2023 ultrapassou 886 mil milhões de dólares (1) ...
No entanto, apesar dessa máquina de guerra inigualável, é a China que, com astúcia e estratégia paciente, vem conquistando os corações e as mentes no Sul Global...
Os EUA e a EU (cf. a sua viragem militarista) seguem uma estratégia de poder autocrático, agressivo enquanto a China segue uma estratégia de poder mais suave.
Os EUA sustentam 800 bases militares em mais de 70 países, um império de projecção de força que, em vez de atrair, muitas vezes intimida ou gera ressentimento. Entretanto, a China, sem disparar um único tiro, expande a sua influência através do Poder suave.
A china empenha-se na construção de infraestruturas resilientes como a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), um projecto faraónico de um bilião de dólares em infraestruturas, estendendo-se da Ásia à África e América Latina; realiza acordos comerciais tornando-se o maior parceiro comercial da África com 282 mil milhões de dólares em 2023 (2), da América Latina com 450 mil milhões em 2022 (3) e da ASEAN com 975 mil milhões em 2023. No que se refere a investimento e diplomacia cultural a China tem 550 Institutos Confúcio espalhados pelo mundo, enquanto os EUA têm 210 Centros Culturais Americanos, conforme dados do US State Department e Hanban.
Enquanto os EUA gastam 3,5% do seu PIB em defesa, a China aplica apenas 1,6%, mas investe massivamente em sectores que consolidam a sua liderança geoeconómica...
No que toca à moeda digital o yuan digital já é testado em 15 países, ameaçando a hegemonia do dólar (6).
O mundo não-ocidental, especialmente África, Ásia e América Latina, não quer mais lições de democracia ocidental acompanhadas de bombas. Quer estradas, portos, empréstimos sem condições políticas nem bloqueios económicos. A China oferece isso, enquanto os EUA seguem presos a um ciclo de intervenções militares fracassadas (Iraque, Líbia, Afeganistão, Síria) e sanções que alienam aliados, como tem acontecido com a União Europeia.
Os tanques e caças americanos garantem domínio militar, mas a sedução do mundo pós-ocidental do Sul Global faz-se com vias-férreas, 5G e acordos sem moralismos. A China antecipou-se apercebendo-se a tempo disso e os números provam que está a vencer.
No meio de tudo isto, a União Europeia, que se sente impotente entre os EUA e a Rússia/China, em vez de procurar novas oportunidades e criar uma nova via no sentido de um novo universalismo, renuncia à sua vocação original e a um papel de futuro relevante na história, para se subjugar ao militarismo dos EUA...
António da Cunha Duarte Justo
Artigo completo e notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10132
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
das Verdades que nos governam
à Verdade em que vivemos:
Entre Sombras e Luz…
Vivemos rodeados de verdades. Umas são-nos impostas, outras somos nós que escolhemos acreditar nelas, e outras aceitamo-las sem as questionar...
O filósofo Michel Foucault introduziu o conceito de ‘regimes de verdade’ para descrever os sistemas de normas, regras e práticas que determinam o que uma sociedade aceita como verdadeiro ou falso. Estas "verdades" não são eternas, mas sim construções sociais e discursivas que mudam com o tempo, com o poder, com as maiorias...
Um exemplo flagrante desse mecanismo é o modus operandi de instituições como Bruxelas, a NATO ou a ONU (sob influência dos EUA), que aplicam sistematicamente o princípio de vigilância e controlo para formatar as mentalidades e, consequentemente, dominar os corpos (os cidadãos). Vivemos numa ditadura suave, quase imperceptível, onde o Panóptico de Bentham, analisado por Foucault, se tornou o modelo de disciplina por excelência e, mais grave ainda, o estilo de governação dominante.
Habitamos num mundo onde a verdade parece negociável, moldada por consensos, maiorias, interesses ou conveniências. Será saudável aceitar passivamente o que nos é imposto? Já notaram a forma como as notícias nos são dadas pelos media, como se viessem das alturas, sem uma análise, sem um juízo de valor, sem uma tomada de posição, como se não fossem leituras ou interpretações de factos? Perguntemo-nos sobre o que acontece nos debates públicos: quem decide o que é válido? Quem tem voz e conduz os debates públicos? (1)...
Seguir a opinião pública ou o Zeitgeist é abdicar da nossa capacidade de discernimento, é alienar-nos de nós mesmos, da nossa ipseidade (a essência do "quem sou").
No cotidiano, lidamos com diversas formas de verdade: a verdade factual (apoiada pela ciência ou por dados objectivos); a verdade da crença (alicerçada em revelações ou convicções pessoais); a verdade do gosto (que reflecte preferências subjectivas, ou opiniões, como 'isto é bom' ou 'isto é ruim'); e a verdade funcional (aquela que serve a um propósito momentâneo) ...
Seja sob uma perspectiva relativista ou absolutista, o ser humano anseia por uma verdade que vá além do superficial, que não seja apenas útil, mas que ofereça orientação e dê sentido à vida...
A verdade que nos falta não é uma teoria, mas uma presença. Não é algo que se debate, mas que se vive; é um modo de vida, não havendo separação entre o que é dito e o que é vivido. "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7:16), ou seja, a verdade é uma realidade transformadora que se revela na acção, no amor, na coerência.
Enquanto os regimes de verdade do mundo são instáveis e transitórios, a verdade cristã propõe-se como fundamento estável: uma verdade que não se limita a dizer "acredita nisto", mas que diz "segue-me e verás"...
No labirinto das verdades humanas, todos escolhemos a nossa bússola. Podemos seguir as verdades passageiras do mundo: as que mudam conforme a opinião pública, o poder ou a moda, ou podemos buscar uma verdade mais profunda, que não nos controla, mas nos liberta...
O mais seguro é seguir a verdade que caminha!...
.... Essa luz interior encontra-se no âmago de cada um de nós e é aquela que nos torna ancorados na transcendência, para lá do que outros pensam, consistentes connosco mesmos a viver em harmonia, autoconfiança e compreensão do mundo. Sim, porque somos astros criados com luz própria e não meros satélites de algo ou de alguém.
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo e nota em Pegadas do Tempo https://antonio-justo.eu/?p=10124
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
Intervenções, Interesses e Direito Internacional
O recente ataque de Israel a Damasco, justificado como uma acção para "proteger a minoria drusa", revela mais uma vez a complexidade dos conflitos na Síria e o papel das potências externas na região. A escalada de violência entre clãs sunitas e drusos xiitas seguida por intervenções militares israelitas, demonstra como tensões locais são instrumentalizadas por actores regionais e globais, com consequências devastadoras para a população civil...
Israel alega que os seus bombardeamentos visam proteger os drusos, uma minoria xiita que inclui cidadãos israelitas: 153.000 drusos são cidadãos israelitas e muitos deles prestam serviço voluntariamente nas forças armadas de Israel e mais de 20.000 drusos vivem como cidadãos sírios nas Colinas de Golã ocupadas por Israel...
Uma comparação com a Rússia na Ucrânia (após 2014) torna-se pertinente: ambos os casos mostram como potências externas justificam intervenções militares alegando protecção de minorias, enquanto, na realidade, buscam interesses geopolíticos. Se essa lógica se normalizar, o direito internacional e a soberania dos Estados ficam ainda mais fragilizados e ao serviço das grandes potências...
A cobertura mediática europeia, especialmente na Alemanha, tem sido bastante omissa quanto aos recentes acontecimentos na Síria. Esse silêncio reflecte a cumplicidade histórica dos EUA e da UE na desestabilização do país. Desde 2011, o Ocidente apoiou rebeldes, incluindo grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda, na esperança de derrubar Bashar al-Assad. O resultado foi o caos, a ascensão do ISIS e a destruição de um Estado que, apesar de autoritário, mantinha uma frágil coexistência entre sunitas, alauitas, cristãos e drusos. Coisa semelhante já se observou no Iraque e na Líbia...
Em Março, combatentes islâmicos massacraram centenas de alauitas; neste mês de Julho uma igreja cristã foi atacada, resultando do ataque mortos e feridos. Para a liderança israelita, o governante al-Sharaa é um "islamista de facto"...
A Síria é mais uma vítima do jogo geopolítico entre EUA, Rússia, Irão, Turquia e Israel: Israel não quer uma Síria forte e age para manter o país dividido, os EUA e a UE, após falharem na mudança de regime, ainda apoiam facções rebeldes, perpetuando a instabilidade; a Rússia e o Irão sustentam o governo sírio, mas também exploram a situação para expandir a sua influência.
No meio de tudo isto, a população sofre: mais de 300 mortos nos recentes bombardeios e também cristãos e alauitas perseguidos, e um Estado falido que não consegue proteger os seus cidadãos...
Se potências externas continuarem a intervir em conflitos internos sob pretextos humanitários ou de "protecção de minorias", a soberania dos Estados fracos será uma ilusão. A Síria é um exemplo trágico de como intervenções estrangeiras, sob a fachada de democratização ou protecção, podem destruir um país...
Concretizando: a queda de Assad do poder contou com o apoio do Ocidente aos islamistas. Ao contrário dos seus opositores, Assad defendia a unidade da Síria, respeitando a sua diversidade étnica e religiosa. O Ocidente, porém, preferiu desestabilizar a região — tal como fez na Líbia e no Iraque — sob o pretexto de promover os seus "valores democráticos", mas com o verdadeiro objectivo de conter o nacionalismo árabe e de manter a sua hegemonia geopolítica.
Os principais actores por trás desta desestabilização são: a Turquia, que procura expandir a sua influência sunita; os EUA, movidos por interesses imperialistas; a UE, com políticas hipócritas e Israel, por razões geopolíticas óbvias.
Todos estes grupos beneficiam de uma Síria dividida, transformada num palco de interesses numa região já por si instável e condenada a ser dividida.
Quando os valores são armas, a democracia destrói nações para salvar o seu império.
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10119
Oliveira
Pelo interesse que representa o assunto, no contexto actual, para os leitores do blog da COPAAEC, deixamos um aplauso ao Autor-jornalista e docente, António C. Justo.
(A. G. Pires)
Uma reflexão crítica e experiencial
Introdução
O ensino da língua materna em contextos de emigração transcende largamente a mera transmissão de competências linguísticas. Envolve, de forma indissociável, questões culturais, identitárias, políticas e estratégicas. O meu percurso enquanto docente e representante do ensino do Português no estado alemão do Hesse ao longo das décadas de 1980 e 2000 permitiu-me observar de perto não só as realidades práticas do ensino, mas também os fios subterrâneos — por vezes invisíveis, outras vezes descaradamente evidentes — que conectam intenções políticas, interesses institucionais e decisões pedagógicas.
Este ensaio pretende, à luz dessa experiência concreta, articular uma análise crítica da evolução dos cursos de formação de professores e do ensino da Língua Materna (LM) no Hesse, expondo simultaneamente as convergências e tensões entre os interesses portugueses e alemães, e reflectindo sobre as implicações mais profundas desta realidade. É, entretanto, de reconhecer que o ensino da Língua Materna (LM) no Hesse era exemplar, em comparação com outros estados, porque reconhecia o ensino da língua materna, integrando a nota da língua materna com a nota relevante no meio das outras disciplinas curriculares.
As Primeiras Estruturas: Intenções Declaradas e Realidades Paralelas
Nos anos 80, Portugal e o Hesse deram os primeiros passos concretos para estruturar o ensino do Português como Língua Materna. À superfície, destacava-se o propósito nobre de garantir aos filhos dos emigrantes portugueses o acesso à sua língua e cultura, conforme plasmado nos compromissos constitucionais portugueses, mas também de abertura e boa vontade alemã. No entanto, a forma como este processo se desenrolou, revelou desde o início um jogo complexo de interesses, metodologias e visões divergentes.
Enquanto Portugal, através dos seus cursos de formação (1) organizados por Lisboa e dinamizados pelo consulado em Frankfurt, seguia uma abordagem de cima para baixo, ancorada primeiro na pedagogia behaviorista (Pavlov) de aprendizagem (repetição, memorização) seguindo-se depois a aplicação das teorias linguísticas e pedagógicas (como a gramática generativa de Chomsky), o Hesse optava por uma estruturação prática e administrativa, partindo da realidade concreta das escolas, dos professores e dos alunos.
Este contraste não se traduzia apenas em metodologias pedagógicas diferentes, mas reflectia também diferenças profundas na concepção do papel da língua: Portugal via-a inicialmente como veículo de cultura e identidade; a Alemanha, como ferramenta de integração escolar e social.
O Conflito Subtil: Entre Teoria e Pragmática
A convivência destas duas linhas — a portuguesa, mais teórica e cultural, e a alemã, mais pragmática e administrativa — gerou inevitavelmente pequenos atritos. Recordo-me dos seminários no consulado de Frankfurt, sob a orientação do Dr. Silvério Marques, marcados por um discurso fortemente conceptual e ideológico, contrastando com as reuniões da responsabilidade de Wiesbaden, lideradas pela Prof.ª Zulema de Sousa, onde prevalecia a preocupação prática e a maior articulação com as políticas educativas do estado do Hesse. Posteriormente, quando a Prof. Cristina Arad assumiu a representação da LM em Wiesbaden, isso trouxe estabilidade e reduziu os conflitos.
Não obstante, foi precisamente na dialética entre estas duas abordagens que os professores de LM puderam beneficiar de uma formação contínua relativamente equilibrada, ainda que, como observei, o interesse prático e a procura de materiais aplicáveis às aulas se sobrepusessem frequentemente à compreensão crítica das orientações políticas subjacentes.
A Mudança dos Anos 90: Da Cultura à Funcionalidade
A década de 1990 trouxe consigo uma inflexão clara no ensino da LM, tanto em Portugal como no Hesse. Sob o manto da integração europeia e da globalização, o ensino da língua materna começou a ser progressivamente esvaziado do seu conteúdo cultural identitário, reduzido a uma competência funcional, instrumental, desligada da alma da nação, parafraseando António Sérgio.
A criação do Instituto Camões, com sucessivas reestruturações e reorientações sob tutela ora do Ministério da Educação, ora do Ministério dos Negócios Estrangeiros, simboliza esta transição. A promessa constitucional de assegurar o ensino da língua e cultura portuguesas aos filhos dos emigrantes foi, na prática, diluída num discurso técnico de ensino da língua, formatado segundo os parâmetros europeus, mas amputado do seu enraizamento cultural.
No Hesse, esta mudança encaixou-se perfeitamente na tradição administrativa alemã, onde o ensino da LM, embora reconhecido e integrado no currículo escolar, sempre foi visto mais como ferramenta de integração social do que como espaço de afirmação cultural.
Intenções e Interesses: As Camadas Invisíveis da Realidade
Qualquer análise séria da evolução do ensino da LM não pode ignorar o entrelaçamento de intenções e interesses — uns legítimos, outros discutíveis — que sustentam as políticas educativas. No caso do ensino do Português no Hesse, destaco três níveis de interesse que, ao longo dos anos, se cruzaram e por vezes colidiram:
- Interesses Pedagógicos: A preocupação com a qualidade do ensino, a formação dos professores e o sucesso educativo dos alunos.
- Interesses Políticos e Geoestratégicos: A utilização da língua como instrumento de soft power, de afirmação internacional ou de diluição identitária, conforme as conjunturas.
- Interesses Administrativos e Sociais: A necessidade de gerir a diversidade cultural nas escolas, promover a integração e evitar conflitos sociais.
Estes interesses nem sempre foram transparentes, e o professor no terreno, embora peça fundamental do sistema, foi frequentemente tratado como mero executante, muitas vezes alheio às motivações mais profundas das mudanças curriculares ou institucionais.
Considerações Finais: O Risco da Língua sem Alma
A minha experiência no Hesse mostrou-me que a língua, quando separada do seu contexto cultural, perde a sua força transformadora e identitária, tornando-se um mero código funcional. Esta tendência, que se acentuou com a entrada de Portugal na União Europeia e com o advento de políticas educativas cada vez mais globalizadas, representa um empobrecimento não apenas linguístico, mas também humano: a língua perde a sua alma para se reduzir a corpo.
O ensino da Língua Materna não pode ser reduzido a um produto para consumidores ou a uma competência desprovida de contexto. A língua é portadora de memória, de identidade, de pertença. Negá-lo é empobrecer as gerações futuras, transformando cidadãos em meros operadores linguísticos, desenraizados e moldáveis segundo interesses alheios.
Conclusão
O ensino do Português na Alemanha ao longo das últimas décadas revela, na sua microescala, as grandes tensões e dilemas do nosso tempo: entre cultura e funcionalidade, entre integração e identidade, entre interesses políticos e necessidades pedagógicas. Reconhecer estas tensões, nomeá-las e debatê-las abertamente (2) é o primeiro passo para uma educação mais consciente, humanista e verdadeiramente emancipadora.
Hoje tona-se cada vez mais evidente a necessidade de uma política que defenda uma educação que preserve a riqueza cultural da língua enquanto património vivo.
António da Cunha Duarte Justo
(Texto original e notas em:)
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10089
Oliveira
Pelo que contêm de muito actual e oportuno, a COPAAEC propõe para leitura e reflexão mais um artigo do jornalista A. Cunha Justo. Oportuno e conveniente, apesar de tudo…
(A. G. Pires)
Um ataque suicida na Igreja do Profeta Elias (Mar Elias), em Duwaila, Damasco, deixou pelo menos 22 mortos e 63 feridos em 22 de junho de 2025. O atacante, identificado como membro do Estado Islâmico (EI), invadiu o local durante o culto litúrgico, disparando contra fiéis antes de rebentar explosivos amarrados ao seu corpo...
Por seu lado, a comunidade internacional mantém-se silenciosa sobre a perseguição a cristãos em países como Síria, Moçambique, Nigéria e Sudão.
A doutrina islâmica, frequentemente associada à paz por líderes ocidentais, é marcada por contradições e objectivos políticos inalienáveis. Grupos como o EI invocam citações do Corão para justificar violência contra "infiéis", ou seja, todos os que não são muçulmanos. Trechos como "Morte ao descrente" (contextualizados em suras do Corão) são utilizados para promover a sharia e a supressão de outras religiões.
A União Europeia, cujas raízes cristãs são historicamente fundamentais, merece críticas por negligenciar a protecção de minorias religiosas em países islâmicos. Enquanto a política globalista prioriza acordos económicos, comunidades cristãs no Oriente Médio e África sofrem com a omissão de governos ocidentais que deste modo fomentam o islamismo...
De facto, o governo de Bashar al-Assad, apesar de suas controvérsias, mantinha uma política de protecção às minorias religiosas, incluindo os cristãos, que viviam em relativa segurança antes da guerra. A Síria era um dos poucos países do Oriente Médio onde cristãos, muçulmanos e outras comunidades coexistiam sob um Estado secular.
A partir de 2011, potências ocidentais (como os EUA e aliados regionais, incluindo Israel, Arábia Saudita e Turquia) financiaram e armaram grupos rebeldes, muitos deles extremistas, com o objectivo declarado de derrubar Assad. Os bombardeios constantes, as sanções económicas e o apoio a facções jihadistas (como a Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda) contribuíram para a destruição do país...
A falta de acção contrasta com a coesão do mundo muçulmano, onde religião e política são indissociáveis. Se a Europa não reafirmar seus valores identitários — incluindo a liberdade religiosa e a valorização do cristianismo —, arrisca-se a ser culturalmente subjugada por um islamismo que, na sua versão original, não tolera dissidências.
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10074
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